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Guimarães, o berço do Minho, foi o anfiteatro selecionado para conversar e privar com Ricardo Ribeiro, guarda redes do Futebol Clube Paços de Ferreira. O colóquio relembrou momentos passados onde a nostalgia se sobrepôs, analisou o presente com discernimento e perspetivou o futuro com a dose adequada de cautela e espírito aventureiro. Das subidas conquistadas aos momentos mais amargos e espinhosos da carreira, a transparência foi vincada em cada resposta. Chiquinho, criativo do Moreirense, é elogiado pelo antigo colega de equipa. O Bola na Rede encarrega-se de lhe exibir a entrevista na íntegra.

Ricardo Ribeiro, atual guarda-redes do FC Paços de Ferreira
Fonte: Nélson Mota/ Bola na Rede

-Da formação à primeira subida pelo Moreirense FC-

“Diziam-me sempre que não ia conseguir ser futebolista e que me tinha de dedicar ao trabalho.”

(BnR): Durante o período de formação pensaste, em algum momento, chegares onde agora te situas?

(RR): Claro que sim, todos nós temos esse sonho. Mas nunca imaginei subir tão cedo à equipa sénior do Moreirense FC porque fiz a minha estreia com apenas 17 anos.

(BnR): O período cessou na época de 2008/2009. Até esse momento, nenhum familiar teu ou amigo próximo fez a tal pressão para a continuidade dos estudos?

(RR): Não, mas diziam sempre, quando eu saí da escola, com os meus 16 anos, para continuar. Contudo, não tinha essa vocação e não gostava, apesar de hoje me arrepender muito dessa decisão. Diziam-me sempre que não ia conseguir ser futebolista e que me tinha de dedicar ao trabalho. Mas eu tive sempre esse sonho e, quanto mais as pessoas diziam que eu não seria capaz, a minha vontade em demonstrar o contrário crescia.

Ricardo Ribeiro estreou-se no futebol sénior no Moreirense com 17 anos
Fonte: Nélson Mota/ Bola na Rede

(BnR): Fazes a estreia em Leiria, na Taça de Portugal, frente ao Pinhalnovense. Foi difícil controlar e dominar o nervosismo? Era um sonho tornado realidade?

(RR): Estava um bocado ansioso, mas acho que é normal devido à idade, era muito novo. Foi a minha primeira época como sénior. Contudo, no decorrer do jogo, fui perdendo essa ansiedade e fui considerado dos melhores em campo. Na altura, falou-se muito sobre mim nos jornais, dizendo que eu podia ser o rosto do futuro do Moreirense FC facto que, depois, se veio a confirmar.

(BnR): Sentias que os embates frente ao FC Vizela, sendo este um velho rival, faziam oscilar o orgulho da equipa consoante o resultado obtido?

(RR): Não. É claro que nesse tipo de jogos toda a gente quer jogar porque qualquer jogador ambiciona jogar um derby. Na altura ainda não jogava porque era suplente do Ricardo Andrade. Mas a motivação não era necessária porque já tínhamos em mente por ser um derby.

(BnR): O Moreirense FC joga, no término da época, o derradeiro jogo em Arouca, acabando por subir mesmo perdendo. Subir ao escalão profissional com o clube que te acompanha desde o berço tem um trago especial?

(RR): Claro que tem, é óbvio. Sou natural de Moreira de Cónegos, sempre foi o meu sonho representar o Moreirense e aliar esse sonho à subida de divisão deixou-me extremamente orgulhoso. Posso afirmar que sou das poucas pessoas a conseguir isso.

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