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A par do Benfica e do Merelinense, são a equipa com o melhor registo nos campeonatos portugueses. Na Taça de Portugal chegaram a assustar o Sporting e receberam elogios pela sua postura em campo. O SC Praiense lidera a Série F e quer mostrar que nos Açores também há bom futebol. Definem-se como uma equipa humilde e com um colectivo forte e querem dar à região outro representante na Segunda Liga. O presidente, Marco Monteiro, e o treinador, Francisco Agatão estiveram à conversa com o Bola na Rede.

Francisco Agatão

 “Somos uma equipa humilde, com identidade própria e com um grande espírito de grupo”

Bola na Rede: O que o fez aceitar este desafio no Praiense?

Francisco Agatão: Aceitei porque é um desafio aliciante, também pelo facto de gostar dos Açores, onde estive 10 anos. Por ser uma equipa quer subir a outros patamares, com gente ambiciosa e trabalhadora.

BnR: Esperava este grande arranque de temporada?

FA: Trabalhamos para que isso aconteça mas nem nos meus melhores sonhos esperava que tivéssemos um arranque tão positivo e fértil em vitórias. Sabemos que cada vez mais vamos ser postos à prova, as equipas que nos defrontam têm um factor acrescido de ganhar a uma equipa que ainda não perdeu e isso apenas valoriza o nosso trabalho e motiva a equipa para continuar esta caminhada.

BnR: Qual tem sido o segredo?

FA: Trabalho. Uma organização colectiva forte, uma equipa disponível e humilde e a partir dai as coisas são mais fáceis. Há um enorme espírito de grupo, com jogadores de qualidade que fazem a diferença.

BnR: O Praiense pode ocupar o lugar do Santa Clara como o representante máximo do futebol nos Açores?

FA: Não, nem temos essa pretensão de substituir ninguém. O Santa Clara é um clube com um passado rico, principalmente na Segunda Liga, onde já conquistou o título. O Praiense está numa caminhada que o pode levar a outros patamares, mas temos de estar preparados e não dar passos maiores do que a perna.

BnR: Como define a sua equipa?

FA: Definiria como uma equipa humilde, com identidade muito própria. O facto de sermos um grupo unido, combativo e com grande espírito de grupo de sacrifício faz toda a diferença e é isso que mostramos em campo, a equipa luta sempre pela vitória, tem esse espírito. E tudo graças à humildade, que é a grande arma deste grupo

BnR: O Praiense é um clube semi-profissional, onde há jogadores com outros trabalhos. É difícil treinar um clube assim?

FA: Sim, não é fácil. Eu joguei como profissional e é diferente treinar às horas que são mais oportunas ou treinar sempre depois do trabalho. Treinar um jogador que só joga futebol é muito diferente do que treinar um jogador que depois de um dia de trabalho ainda tem de levar com o treinador. Procuramos conjugar as coisas no sentido de tirarmos dos jogadores o máximo das suas potencialidades. Não é uma situação fácil mas temos conseguido contornar como mostram os nossos resultados.

Fonte: Facebook de Francisco Agatão
Fonte: Facebook de Francisco Agatão

BnR: A exibição contra o Sporting e toda a visibilidade que o Praiense teve durante a semana foram uma montra para os jogadores. Acha que haverá propostas?

FA: Sim, antes do jogo com o Sporting já sabíamos que existiam jogadores que estavam a ser observados e claro que uma montra como o jogo com o Sporting ajuda ainda mais. Estamos preparados para o que possa vir a acontecer e se houver boas propostas, temos de aceitar, são as regras do mercado.

BnR: Como se prepara um jogo deste género, contra o Sporting, sem fazer com que o plantel se deslumbre?

FA: É uma tarefa fácil e ao mesmo tempo difícil. É fácil porque o nome do Sporting motiva os jogadores por natureza. É difícil pelo mediatismo que este jogo dá, há que manter a mesma postura, a mesma humildade e foi nesses pontos que nos focamos no nosso trabalho. Tentamos passar a mensagem de que era apenas mais um jogo, apesar de ser uma grande montra, e foi isso que aconteceu. Demos uma imagem de uma equipa organizada colectivamente, que não colocou o autocarro à frente da baliza, quis jogar o jogo pelo jogo. Conseguimos isto tudo de uma forma brilhante, principalmente por parte dos jogadores.

BnR: Faltam 8 jornadas para o fim da 1ªfase do CNS acabar. Já se assume como um candidato à subida?

FA: Não. Seria utópico da minha parte assumir isso. Primeiro porque ainda não conquistamos os lugares que dão acesso à fase da subida e segundo porque sabemos que há equipas que do ponto de vista orçamental estão muito mais preparadas do que nós. Os orçamentos não ganham jogos mas ajudam a conseguir melhores jogadores. Ainda não conseguimos garantir esses lugares de subida e por isso é prematuro falar de um futuro que ainda não conhecemos. Vamos preparar-nos e trabalhar e, principalmente depois do jogo em Alvalade, onde as pessoas enalteceram o comportamento da equipa, mais importante se torna continuarmos a passar essa imagem dentro de campo e irmos ganhando jogos para garantirmos um dos dois primeiros lugares que dão logo a manutenção directa e o acesso à fase da subida.

BnR: Têm sido muitas as equipas do CNS que na Taça lutam de igual para igual com equipas de escalões superiores. Há cada vez mais qualidade no CNS?

FA: Sim, há qualidade a todos os níveis, quer a nível dos treinadores, quer a nível dos jogadores. Já há clubes, alguns da primeira liga, que se reforçam com jogadores do CNS, o que demonstra que há qualidade, trabalho e a diferença que existe em relação às equipas da Primeira e Segunda Liga já não é tão acentuada. Alguns pormenores podem fazer a diferença mas do ponto de vista técnico e táctico as diferenças já não são muito grandes.

BnR: E isso de certa forma ajuda o jogador português a chegar à Primeira Liga?

FA: Acredito que sim. O CNS é uma rampa de lançamento para os jogadores. Quando estava no Operário, lançamos alguns jogadores para outros voos e para clubes de maior dimensão. Foi como disse na questão anterior há muita qualidade do CNS e pode servir de rampa de lançamento na carreira dos jogadores.

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