«Se fosse hoje, não ia para o SL Benfica» – Entrevista BnR com Fernando Mendes

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– Os elogios a Jesus e a experiência nas claques –

“Jesus tem uma paixão tremenda pelo jogo e consegue transmiti-la aos jogadores”

BnR: De regresso ao nacional, que é bom, terminas a carreira num Vitória FC que tinha ao leme um treinador que já dava nas vistas pelo seu método de trabalho. Em que é que Jorge Jesus é diferente?

Fernando Mendes: Se tivesse apanhado o Jesus com 22 anos, estava pouco tempo no futebol português. A forma dele lidar com os jogadores não é fácil, o nível de exigência é diário e a pressão é constante. Outra coisa: os treinos eram muito dele; com a maior parte dos treinadores, os treinos são muito standard. Ali não: são situações criadas por ele para aplicar nos jogos. Fazes coisas até à exaustão. E isto vê-se nas suas equipas. Por exemplo, quando treinava o Benfica, trouxe os bloqueios do basquetebol; quantos golos é que o Benfica marcou assim? Até que passados dois ou três anos é que começaram a dizer que tinha de ser falta, pois ele consegue transportar coisas de outras modalidades para os treinos das suas equipas. É esgotante trabalhar com ele, mas como pessoa é top, cinco estrelas. Tem uma paixão tremenda pelo jogo e consegue transmiti-la aos jogadores.

Fonte: Facebook Fernando Mendes

BnR: Fizeste amigos no futebol?

Fernando Mendes: Fiz alguns, não muitos. Conhecidos fiz muitos.

BnR: Em 2016, capitaneaste a equipa de veteranos do Sporting CP. Ainda dás uns toques ou trocaste a bola pelas bandarilhas?

Fernando Mendes: [Risos] Por acaso gosto de corridas de touros, mas não sou um aficionado. Também sou de uma zona em que a existe muito essa tradição… A experiência nos veteranos foi durante algum tempo, numa fase muito complicada da minha vida, e fico-lhes eternamente agradecido. Atravessei uma fase muito crítica da minha vida e o ter ido para os veteranos ajudou-me a fugir de muita coisa, e a reencontrar o caminho para a vida. Mas jogar já não tenho paciência… Primeiro, porque fui operado ao tendão de Aquiles – uma lesão aos 50 anos e que nunca tive no futebol profissional – e depois, por força da atividade que tenho atualmente [comentador de futebol num canal de televisão], há muitas pessoas que me detestam e sempre que ia jogar passavam o jogo a insultar-me. Quando puder hei de voltar… Para as almoçaradas!

BnR: Mas continuas a ir com a tua mulher ver o Sporting ao estrangeiro?

Fernando Mendes: Quando tenho oportunidade! O último foi em Londres, frente ao Arsenal. Como muitas vezes comento os jogos em direto, é difícil. Mas nesse jogo com o Arsenal… Nunca tinha visto algo assim! Fiquei mesmo no meio da Juve Leo, por trás da baliza para onde o Sporting atacou na segunda parte. Saí do hotel, encontrámo-nos todos no metro e depois fomos a pé e em fila a cantar até ao Emirates. Nunca tinha tido essa experiência e foi fantástico.

BnR: Sentiste-te reconhecido pelos adeptos?

Fernando Mendes: Sim, até porque tenho muitos amigos nas claques. Isso é outra coisa que me deixa triste, tudo o que se está a passar, porque há lá pessoas fantásticas e fazem muita falta. Basta ires ver um jogo do Sporting, parece que estás num velório.

BnR: Se este vírus fosse um daqueles pombos contra os quais disparavas desde o balneário da antiga Luz, podíamos todos ficar tranquilos se fosse buscar a tua pressão de ar?

Fernando Mendes: De certeza absoluta! Se conseguia acertar numa placa pequenina que dizia “Treinador Principal”… Tomara que o mal fosse esse, para eu resolver isto com a minha pressão de ar.

Obrigado, Fernando.

 

Artigo revisto por Joana Mendes

Miguel Ferreira de Araújo
Miguel Ferreira de Araújohttp://www.bolanarede.pt
Um conjunto de felizes acasos, qual John Cusack, proporcionaram-lhe conciliar a Comunicação e o Jornalismo. Junte-se-lhes o Desporto e estão reunidas as condições para este licenciado em Estudos Portugueses e mestre em Ciências da Comunicação ser um profissional realizado.                                                                                                                                                 O Miguel escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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