Logo quando soubemos que o Bola na Rede iria fazer oito anos, o bolo teria de ser soprado à boa maneira que o futebol oferece pelo nosso país fora. Um jogo no Jamor entre Belenenses SAD e SL Benfica estava aí à porta e as velas tinham de ser sopradas de alguma forma. Tivemos uma receção calorosa de uma comunidade de adeptos afetos aos «encarnados», que se opôs ao frio e parece ter chegado para ficar, com boa disposição e respostas bem dadas.

Os adeptos do Benfica aguardavam pelo porco no Jamor há algum tempo
Fonte: Francisco Correia/Bola na Rede

De facto, estava muito vento naquela tarde em que roulottes, cerveja – bebidas não alcoólicas para os mais pequenos ou quem não gosta – comida, toques de bola pelo jardim do Jamor e carros a fazer de mesa para merendas não faltaram. No entanto, havia alguns problemas no “aquecimento” daquele convívio específico à porta do Jamor. Havia o porco para assar já dentro do forno industrial, que vinha uma carrinha enorme, os barris prontos para fazer a cerveja sair, mas a energia estava a faltar. “Epa, dois geradores foram à vida, mas lá resolvemos”, ouvia-se entre o grupo, já vestido a rigor para a noite de jogo do Benfica.

“Se não fosse o MegaBar…” – a roulotte essencial e o ponto de encontro para este largo grupo de adeptos, antes (e depois) dos jogos no Estádio da Luz – não havia os recursos necessário para meter o calor no forno, assar o porco e fazer e a cerveja sair. A viatura que transportava o forno com o porco subiu um pouco mais no parque do Jamor e a máquina de cerveja foi carregada por alguns adeptos. Os esforços foram imensos e qualquer um queria ajudar.

Finalmente nas condições ideais para a prática (da festa) do futebol, entre um copo aqui, uma sandes de porco ali, outra conversa bem disposta a extrapolar das redes sociais, surgiu a altura certa para falar que éramos aspirantes a jornalistas deste site – que, felizmente, disseram logo que conheciam – e, sem complexos, as nossas perguntas e o jogo de palavras foi melhorando à medida que os «manda-chuvas» da comunidade – e abençoados organizadores desta “porcada”. O encontro para conversar com adeptos estava combinado bem antes desta tarde chegar, mas a garantia, entre risos, era: “venham cedo que isto com uns copos em cima depois fica difícil!”.

O melhor camisola ‘8’ do SL Benfica nos últimos oito anos? Desde 2010, Ramires ainda esteve na Luz até ao verão desse ano, mas foi o nome consensual dos benfiquistas. Há ainda esperança no papel que Gabriel poderá ter num futuro próximo no jogo dos «encarnados», elogios a André Horta que «podia ter ficado mais tempo», Bruno César e Sulejmani.

O pior número ‘8’? Não havia dúvidas. Foi Douglas, mas há quem tenha defendido que havia qualidade no brasileiro ex-FC Barcelona para jogar em terrenos mais adiantados.

O melhor camisola ‘8’ do mundo? Muitas cabeças coçaram, mas muitos ficaram por Iniesta. “Oito anos já é muito tempo!”

Fonte: Francisco Correia/Bola na Rede

Agora… com as ideias que Jorge Jesus trouxe ao Benfica, cujas ainda se discutem até aos dias de hoje entre os adeptos «encarnados», o que é um ‘oito’? Elogios a Renato Sanches e a Enzo Pérez não faltaram pois foram jogadores que «ligavam o jogo da defesa para o ataque» (ou o ‘box-to-box’), «capaz de encarar o jogo de forma ofensiva, levar o jogo para a frente» e que, no caso do agora jogador do Bayern Munique, ajudou a decidir o campeonato de 2015/16.

Hoje, «se o Fejsa recupera a bola, tem de levantar a cabeça e passar para um desses jogadores» que agora é Gedson Fernandes (muito elogiado e até tomado em melhor conta que Renato) e esperam que futuramente também seja Krovinovic, ainda a recuperar de lesão. Pizzi é um oito? Ninguém sabe, “não é nada”. Os copos de cerveja já eram muitos, compreendia-se. Nós também nos fomos juntando à festa e ao convívio pois o trabalho em campo era mais tarde. Tochas, cânticos e alegria iam aquecendo o ambiente, até porque o frio era muito, e muitos dos adeptos iam ficando mais juntos perto da travessa que ia sendo enchida com fatias de pão e porco, onde também estava lá perto o forno a assar a carne.

Em oito anos de Bola na Rede, os considerados três grandes do futebol nacional marcaram a agenda mediática diariamente no nosso site. Entre 2010 e 2018, Benfica (09/10, 13/14, 14/15, 15/16 e 17/16) e FC Porto (10/11, 11/12, 12/13 e 17/18) foram os campeões nacionais de futebol cinco e quatro vezes respetivamente. Esperamos estas e muitas outras alegrias para estes e outros adeptos, mais histórias e jogadores para contar, sempre com a missão de dar oportunidades a todos para brilhar no mundo desportivo.

Voltando mais uma vez ao Jamor, a derrota ainda não era conhecida, mesmo após o desaire complicado de digerir frente ao Ajax, na mesma semana, para a Liga dos Campeões. No entanto, a descrença na estrutura do clube e na forma de jogar irregular da equipa gerava alguma desconfiança, misturada com alguma desilusão prolongada perante o que tem andado a acontecer pelos lados da Luz.

Os adeptos do Benfica fizeram a festa à porta do Jamor desde bem cedo
Fonte: Francisco Correia/Bola na Rede

A união que se viu antes do jogo, no convívio do Jamor, foi para as bancadas (para aqueles que não fugiram à chuva durante o jogo), quer a cantar pelo Benfica a perder ao intervalo por 2-0, quer para contestar o trabalho de Rui Vitória. Para o bem ou para o mal, não há festa como esta, a do futebol, e tudo começou no porco que deixou os adeptos num oito.

Parabéns ao futebol, parabéns ao Bola na Rede!

Reportagem de Francisco Correia e Guilherme Costa

Foto de Capa: Francisco Correia/Bola na Rede

Agradecimentos: Benfica FM

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