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Atendendo à enorme evolução do Futebol Feminino português nos últimos cinco anos, o Bola na Rede foi até ao Campo Francisco Lázaro (Lisboa) fazer uma reportagem sobre um dos clubes com maior tradição na modalidade: o Futebol Benfica. Acompanhámos um dos treinos semanais e houve oportunidade para dar voz às protagonistas – treinadora e jogadoras – nomeadamente, quanto ao bom início de campeonato e às ambições para a época 2019/2020.

A Primeira Liga feminina 2019/2020 começou da melhor forma para o Futebol Benfica: duas vitórias nas duas partidas disputadas, com cinco golos marcados e nenhum sofrido. Devido a isso, não foi de estranhar a boa-disposição entre as atletas e o staff técnico do mítico “Fófó”, equipa que, em tempos não muito distantes, foi uma das referências no panorama do Futebol feminino em Portugal. Após ter alcançado o terceiro posto da classificação na época passada, o clube lisboeta parte para este novo desafio com a crença de poder atingir a mesma façanha, embora haja a consciência que para tal acontecer, é preciso batalhar imenso e estar pronto para qualquer desafio.

A treinadora de equipa, Madalena Gala, é a principal responsável por levar o Futebol Benfica a “bom porto” e conseguir alcançar os objetivos que são pretendidos para a nova época. Ligada ao “Desporto Rei” há cerca de 10 anos, a técnica vai para a sua terceira época à frente da equipa e tem uma própria filosofia de jogo, uma vez que, na sua opinião, “não existem sistemas táticos e/ou posições, existem sim dinâmicas e ocupações de espaços”, daí que o estilo de jogo seja dependente do “estilo e identidade de cada jogadora”.

Durante a semana de treinos, o trabalho desenvolvido é focado no próximo adversário, onde se “analisa os jogos e vê-se os pontos fortes e fracos”, mas a abordagem a cada jogo é sempre variada consoante a partida seguinte: “Frente a um Benfica, Sporting ou Sporting de Braga, os treinos são completamente diferentes quando vou jogar contra um Valadares ou Albergaria – sem querer desvalorizar estas equipas obviamente – porque contra as principais candidatas ao título que têm muitos mais argumentos, é literalmente ‘estratégia, estratégia e estratégia’, enquanto noutros jogos estamos a treinar mais o nosso modelo de jogo”.

Madalena Gala está otimista para a nova época
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Quanto aos objetivos para este ano, Madalena Gala afirma que serão os mesmos do ano passado – ficar no top-4 na Liga e ir o mais longe possível na Taça de Portugal -, pois tem “consciência que a disputa do título vai ser entre as três grandes equipas profissionais (Sporting, Benfica e Sp. Braga)”, ainda que o Futebol Benfica queira alcançar um lugar mais respeitado: “Não metemos de parte um lugar no top-3, porque senão íamos jogar contra esses adversários a dar de “graça” a vitória, e isso não pode acontecer. Temos de acreditar que somos as mais fortes ou que vamos sempre conseguir obter resultados muito bons”.

O passado repleto de conquistas não traz maior responsabilidade em obter triunfos na ótica da jovem timoneira do Fófó, uma vez que “não é o passado que faz querer ter resultados e também não há pressão de alguém no clube para vencer jogos”, mas sim “a exigência que eu e a minha equipa técnica pomos neste grupo de trabalho, e que as jogadoras transportam consigo nos treinos e jogos”, sendo que “a responsabilidade em obter resultados parte de mim, da minha identidade e do que pretendo das atletas”.

Por último, falou-se da ainda não-profissionalização do Futebol feminino e do facto disso retirar algum foco das atletas durante os treinos e jogos, e aí a mister Gala relativizou essa problemática e deu o seu ponto de vista: “Se elas (jogadoras) vêm ao treino depois de um dia inteiro de trabalho e/ou de aulas, seja qual for a sua ocupação, é porque estão dispostas a querer, fazer e dar tudo pela equipa. Obviamente que não é a mesma coisa eu ter se calhar uma equipa de profissionais, pois isso ajudaria a relativizar a carga horária das suas ocupações além do Futebol e estariam apenas focadas em jogar, o que seria ótimo, mas não é de todo possível, pois, em Portugal, ainda só há três clubes que vivem disso. Então, fazemos o nosso melhor e acho que o foco delas nunca vai ser retirado, porque se as jogadoras estão aqui às 21h três vezes por semana é porque querem mostrar que conseguem tão boas ou melhores que outras equipas”.

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