cab reportagem bola na rede

Setúbal. Avenida Luísa Todi. Fórum Municipal Luísa Todi. Para os mais distraídos, Luísa Todi é provavelmente a cantora lírica mais famigerada da história portuguesa. Hoje, a casa em seu nome acolheu o primeiro dia do Fórum do Treinador Português de Futebol/Futsal, organizado pela Associação Nacional de Treinadores. Luísa Todi saiu de Setúbal no século XVIII para actuar em Paris, Berlim, Turim, Génova ou São Petersburgo e encantou a Europa com o seu talento musical. Hoje é José Mourinho, treinador de futebol, o embaixador mais mediático desta cidade à beira-Sado, que este ano até é Cidade Europeia do Desporto.

 

AS RELAÇÕES DE JOSÉ PESEIRO

Os trabalhos começaram com uma entrevista ao treinador do FC Porto, José Peseiro. O ribatejano, no tom mais informal e familiar possível, sobejamente frontal, não se coibiu de comentar alguns temas da actualidade.

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Falou do caso Maicon. E da pressão que o então capitão do Porto sentiu naquele fatídico momento em que saiu inexplicavelmente do campo. Um erro que “não se pode emendar”, lembra. Até porque num clube como o FC Porto “tudo o que se faz tem repercussões a mil”. “Disse-lhe «fica aí dentro, vais marcar o golo do empate»”, mas Maicon não ficou. Saiu do campo e do clube.

Falou da relação com os árbitros. “Eu gosto dos árbitros”, começou. “Os árbitros podem errar”. José Peseiro entende que, como todos os outros, os árbitros estão sujeitos à crítica e os treinadores têm direito a queixar-se do seu trabalho. “Não ganham nada em ficar calados. No Sporting estive um ano sem falar dos árbitros, a massa associativa criticava-me”.

Falou da relação com a derrota. “Fazes-me lembrar estas merdas?”, perguntou ao moderador Paulo Sérgio quando confrontado com episódios como a derrota sofrida pelo Sporting em Alvalade na final da Taça UEFA em 2005 e a eliminação da Arábia Saudita no play-off de acesso ao Mundial 2010. “Quando perdi [esse jogo] foi uma dor insuportável, só me apetecia ficar 15 dias fechado em casa. Tanto que depois perdemos com o Nacional da Madeira e fomos ultrapassados pelo FC Porto”. Mas, para José Peseiro, os treinadores vão vivendo sempre de forma diferente com a amargura dos desaires. “Lidar com uma derrota aos 30, aos 40 ou aos 50 é sempre diferente”.

Falou da relação entre a derrota e os árbitros. “Mesmo que nos queixemos do árbitro na conferência de imprensa, a primeira coisa em que pensamos é nas nossas próprias culpas”.

Falou da relação com jogadores e estruturas de topo.

Primeiro sobre o Real Madrid, onde esteve como adjunto de Carlos Queiroz, e a constelação de vedetas do clube merengue naquela altura. Garante que aprendem mais rápido do que os outros, mas que “precisam da relação humana” com a equipa técnica e com os colegas, uma vez que“também têm fraquezas e inseguranças”. Afinal, eles “não têm uma vida normal. Por exemplo, numa discoteca não estão no meio dos outros, estão num espaço privado com 10 ou 12 pessoas”. Os egos inchados não são um problema, até porque “eles também têm lacunas e temos de ter a coragem de lhes dizer e de os ensinar”.

Depois sobre o FC Porto. E do “tempo que aqueles jogadores [os do plantel actual] precisam para conhecer o Porto”. “Eu próprio tenho de viver o que é o Porto, tenho de subir. Se calhar também tenho essa fraqueza, por que não assumi-lo?”, atirou.