O seleccionador nacional, Fernando Santos, recusa fazer comparações entre os dois perfis, mas aponta o caminho para os novos treinadores vingarem. “Se querem sobreviver têm de se especializar”, garante. A larga experiência do actual comandante da equipa das quinas permite-lhe ter a exacta noção da evolução do papel dos adjuntos. “São mais competentes do que dantes. Agora fazem-nos a papinha toda”, admite. Quando começou a carreira, Fernando Santos controlava todos os aspectos relacionados com o jogo, tendo sentido a necessidade de se adaptar a esta nova realidade. “O estudo é cada vez mais fundamental”, assegura.

A melhoria dos treinadores e consequentemente da metodologia de treinos teve repercussões no entendimento do jogo por parte dos jogadores. Pedro Martins, treinador do Rio Ave, nota essas diferenças nos atletas. “Antes faziam porque os mandavam fazer, hoje já não”, afirma.

O técnico dos vilacondenses, recordando a carreira do pai, acabou por demonstrar de forma perfeita as alterações que têm ocorrido na dimensão de um treinador. “Com cinco anos já conhecia o balneário, o meu pai era dirigente. Era o treinador que fazia tudo, desde a monitorização do treino à educação dos atletas. Hoje está tudo compartimentado e há especialistas de nutrição, de fisioterapia, e a atenção sobre esses aspectos é cada vez maior. Até vamos procurar Universidades que nos ajudem a trabalhar a vertente psicológica”, explica.

O futebol não é uma ciência exacta, mas a ciência tem entrado cada vez mais no jogo. “Alguns não percebem que a ciência se apoderou fortemente do futebol”, defende Fernando Santos. Não há um lance que não seja esmiuçado com pinças num “laboratório”, por teóricos que não deixam de ser homens do futebol. Para o treinador principal, a missão é simples. “Temos a função de mastigar tudo o que nos dão e fazer com que o bolo esteja bom”, metaforiza Fernando Santos. Uma ideia corroborada por Henrique Calisto: “nós somos cada vez mais gestores destes especialistas, com quem também aprendemos”, reconhece.

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