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Nunca tinha ido para a estrada assistir a uma prova de ciclismo fora de Portugal. Hoje foi o dia. Quando me apercebi de que a minha estadia em Londres ia coincidir com a passagem do Tour pela capital inglesa, não hesitei em fazer planos para ver ao vivo os melhores ciclistas do mundo. Desde criança de que passo tardes infindáveis na companhia de Luís Piçarra, Paulo Martins e Olivier Bonamici a acompanhar Tour após Tour na Eurosport. Ir ver a maior competição velocipédica com os meus próprios olhos foi, por isso, um sonho concretizado.

Estava a chover quando saí da estação de metro de Green Park, um dos parques que circundam o famigerado Buckingham Palace e que hoje servia de Fan Park do Tour. Todo o jardim estava vestido de amarelo e branco às bolinhas vermelhas – as cores predominantes na festa do Tour. Gente a pé e de bicicleta, velha e nova, de todas as etnias e nacionalidades, foi-se acercando de The Mall para acompanhar os derradeiros momentos da 3ª etapa desta Volta a França.

Green Park, um dos três Fan Parks de Londres
Green Park, um dos três Fan Parks de Londres

A 350 metros da meta e a pouco menos de 3h da hora prevista de chegada, fiquei a guardar lugar junto às barreiras de protecção de bandeira portuguesa na mão. Entre um casal de velhinhos a aguardar religiosamente o momento, um grupo de amigos britânicos vestidos com camisolas de ciclismo e empenhando cerveja engarrafada, um solitário quarentão de capacete e um pai e um filho visivelmente entusiasmados por estar ali.

Depois da passagem da caravana dos patrocinadores (que envergonharia muito Carnaval em Portugal), de mais uma valente chuvada (que molhou o piso e enfeitou a avenida de guarda-chuvas) e de várias horas a acompanhar a corrida através dos relatos dos speakers (ora no inglês local, ora no francês habitual), lá chegou o pelotão. Nem consegui perceber logo quem tinha ganho. Vi o comboio da Team Giant-Shimano na dianteira e Sagan bem posicionado e ainda quis acreditar que o eslovaco ia levar a melhor, mas acabou mesmo por ser Kittel – novamente ele – a superiorizar-se no sprint. Tive a certeza disso quando vi um colega de equipa do alemão a estender os braços para o ar em sinal de festejo.

Ontem, a BBC anunciava que cerca de 2,5 milhões de pessoas tinham assistido à 2ª etapa do Tour, entre York e Sheffield. Hoje não sei quantas pessoas estiveram na estrada, mas pude confirmar a paixão que os ingleses sentem por este desporto fantástico. Agora vou continuar a ver o Tour na televisão…

Um representante português no Tour
Um representante português no Tour

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