Mora em França, mais concretamente na cidade de Créteil, um dos clubes que mais representa a diáspora portuguesa por esse mundo fora.

O Union Sportive Créteil-Lusitanos é o resultado de uma fusão acontecida em 2002 entre o US Créteil e o Lusitanos de Saint-Maur. Armand Lopes, empresário luso-francês, liderou essa fusão e tornou-se assim o presidente, e principal investidor, deste novo clube. Começava assim a ligação deste clube com o nosso país. O clube, que se situa nos subúrbios de Paris, certamente que viu com esta fusão um incremento nas receitas, pois esta permitiu trazer uma nova “onda” de adeptos para este clube, oriundos da gigantesca comunidade portuguesa ali residente.

Armand Lopes herdou um clube que se encontrava na Ligue 2 desde 1999, sempre sem muita exuberância, ocupando os lugares do fundo da tabela. A melhor classificação obtida pelo US Créteil-Lusitanos na Ligue 2 remonta à época 2005/2006, quando o clube conseguiu finalizar a temporada num honroso oitavo lugar, numa liga com 20 equipas. O plantel dessa época contava, de resto, com vários portugueses no seu elenco. Mário Loja, defesa que teve o auge da sua carreira no Boavista FC, será certamente o nome mais conhecido que figurava nessa equipa entre os leitores portugueses.

No entanto, o clube não seguiu a rota do crescimento e depois de ter atingido o pico em 2005/2006 começou a cair a pique. Em 2006/2007, o clube, dando continuidade às suas ligações lusitanas, decidiu contratar um treinador português que já tinha tido bastante sucesso por terras gaulesas, Artur Jorge. O treinador português não teve muito sucesso no Créteil-Lusitanos, confirmando também a trajetória descendente da sua carreira e acabaria mesmo por descer de divisão. Depois de uma época em que conseguem a melhor classificação de sempre na história do clube, o US Créteil-Lusitanos desce na época seguinte.

O US Créteil Lusitanos é uma das equipas estrangeiras mais “portuguesas” do planeta
Fonte: US Créteil Lusitanos

Seguiram-se épocas na terceira divisão com uma única inclusão na Ligue 2, em 2013/2014. A confirmação da página mais negra da história recente do US Créteil-Lusitanos chegaria no final da época passada, quando o clube acabou relegado para o quarto escalão francês, o National 2.

É nesta altura que a direção do US Créteil-Lusitanos decide tentar inverter a tendência negativa que se apoderou do clube e convida o português Rui Pataca, ex-jogador do clube, fazendo a última época em 2008/2009, para o cargo de diretor-desportivo, convite esse que foi aceite, não fosse Rui Pataca já um ícone do clube.

A versão 2018/2019 do Créteil-Lusitanos estava em andamento e com o objetivo bem definido: voltar a colocar o clube nos patamares que merece. O clube francês decidiu contratar para o lugar de treinador-principal o antigo internacional português Carlos Secretário. O clube disputa neste momento o grupo D da 4.ª Divisão Francesa, a National 2.

O Bola na Rede conseguiu falar com dois adjuntos, Eduardo Moreira e Manuel Ramos, que integram a equipa técnica de Carlos Secretário.

Os adjuntos de Carlos Secretário abriram o jogo ao Bola na Rede
Fonte: US Créteil-Lusitanos

Manuel Ramos começou por não deixar dúvidas quanto à visão atual do projeto desportivo do Créteil-Lusitanos, “inverter o ciclo negativo que realmente o clube atravessou e estabilizá-lo tentando, no mais curto período possível, voltar para a segunda liga, que é onde pertence“.

O Créteil-Lusitanos, fruto das épocas mais negativas que aconteceram, tem vindo a perder adeptos, algo que no entender de Eduardo Moreira está a mudar agora que o clube está a voltar aos bons resultados. O treinador-adjunto português mostrou-se ainda surpreendido com o nível de condições existentes na quarta divisão francesa ao afirmar que “a nível de infraestruturas desportivas todos os clubes nesta divisão têm condições iguais ou melhores que vários profissionais em Portugal. Muito superior ao semiprofissional”.

O clube francês, apesar de competir numa divisão semiprofissional, possui uma estrutura e um plantel 100% profissional. Este facto é uma ajuda para que o Créteil-Lusitanos consiga marcar a diferença entre os restantes clubes. “A nossa equipa é completamente profissional. Temos condições ótimas de treino e desta maneira podemos organizar o nosso planeamento da melhor maneira“, refere Manuel Ramos.

Quando questionados sobre o conhecimento que possuíam acerca do clube anteriormente, as respostas são díspares. Eduardo Moreira refere que já conhecia o clube dos tempos em que militava na Ligue 2 e Manuel Ramos confessa que conhecia pouco, não só do clube mas do futebol francês a nível geral. Ambos referem, no entanto, que a ligação especial que existe entre o clube e a comunidade portuguesa não foi um fator decisivo na tomada de decisão.

Em relação a Portugal, há um sentimento que os une: a saudade. França é um país onde a portugalidade está bastante presente e isso ajuda a que as saudades sejam menores, mas ainda assim elas existem. Eduardo Moreira confessa que aquilo de que mais sente falta de Portugal é a proximidade com a família; já Manuel Ramos é mais concreto e tem saudades do “seu” mar de Esmoriz.

Os dois treinadores-adjuntos, juntamente com o treinador principal, Carlos Secretário, o diretor desportivo, Rui Pataca, e três jogadores, Alexandre Pardal, Hugo Silva, e Fábio Pereira, são a “armada” portuguesa do Créteil-Lusitanos 2018/2019.

A época tem corrido de feição ao clube francês, quando nos encontramos praticamente a meio da época. O Créteil-Lusitanos ocupa a segunda posição do grupo D da National 2 e tem a melhor defesa com apenas dez golos sofridos. A equipa já foi eliminada da Taça de França, podendo agora centrar forças na luta pela subida de divisão.

O último encontro do Créteil-Lusitanos para a National 2 foi um dérbi parisiense entre dois clubes com ligações à comunidade portuguesa, o Crétéil-Lusitanos e o US Lusitanos. O US Lusitanos levou de vencido o Créteil-Lusitanos ao vencer na sua casa por 3-1. Este encontro também marcou o regresso de Carlos Secretário a um clube que treinou durante duas épocas.

Foto de Capa: US Créteil-Lusitanos

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

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