Publicidade

Dmitri Alenichev: O Criador de Sonhos da Cidade de Tula

Joel Amorim · 4 min

Dmitri Alenichev: O Criador de Sonhos da Cidade de Tula

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

internacional cabeçalho

Mais de uma década após passagem de Dmitri Alenichev pelo Futebol Clube do Porto, vale a pena perceber aquilo que mudou na vida do talentoso armador de jogo depois de ter pendurado as botas em 2006.

Alenichev foi um jogador excepcional e, ao contrário de muitos outros executantes russos de elevada qualidade que pouco ou nada ganharam durante as suas carreiras, Dmitri conta com um palmarés pessoal invejável, sendo ainda hoje o único futebolista russo a ter conquistado a Liga dos Campeões, um feito que fez crescer, e muito, a popularidade do jogador no seu país de origem.

Após ter deixado o futebol português, Alenichev voltou ao seu clube de coração, o Spartak Moscovo, mas este regresso esteve longe de ser aquilo que havia idealizado. O Spartak de 2004 era muito diferente daquele que deixara em 1998, no qual o lendário treinador russo, Oleg Romantsev, ditava todos os aspectos do jogo e organizava a equipa como ninguém. Problemas de toda ordem com o então treinador do histórico emblema russo (Aleksandrs Starkovs) transformaram o regresso ao imponente Estádio Luzhniki num verdadeiro pesadelo para o talentoso médio e foram o principal motivo do seu precoce fim de carreira.

Apesar de provavelmente não ter recebido o reconhecimento devido durante a sua carreira como futebolista, Alenichev tinha reservado para si algo digno do romantismo que, por vezes, ainda acompanha os profissionais de futebol: dar a mão a uma equipa amadora e fazê-la subir até à elite máxima do futebol russo. Dmitri assumiu o comando do modesto Arsenal Tula em 2011 e com a ajuda de alguns dos seus antigos companheiros do Spartak Moscovo (Yegor Titov, Dmitri Khlestov e Aleksandr Filimonov) fez com que os Pushkari subissem das catacumbas das ligas regionais e amadoras até à Primeira Divisão do futebol russo (Чемпионат России по футболу – SOGAZ Russian Football Championship) em apenas quatro anos.

Depois de uma passagem (não muito bem sucedida) como treinador pelos escalões jovens da seleção russa, Alenichev começou a colocar em prática muito daquilo que aprendeu com um dos seus mentores e amigo de longa data, Oleg Romantsev, e tudo aquilo que absorveu nos dias que passou com José Mourinho em Londres e conseguiu, a pouco e pouco, transformar o Arsenal Tula, um emblema sem pergaminhos no futebol russo, numa equipa de futebol de ataque altamente sincronizado, com passes curtos e posse de bola efectiva, muito à semelhança do seu amado Spartak da década de 1990. Alenichev afirmou mesmo numa entrevista dada há algum tempo atrás que a sua intenção passava por colocar o Arsenal a jogar à imagem daquele memorável Spartak que, entre outros, esmagou o Real Madrid 3-1, em pleno Santiago Bernabéu em 1991.

Alenichev e o adjunto Dmitri Ananko: os homens responsáveis pelo crescimento do Arsenal Tula Fonte: Página do VK do Arsenal  Tula
Alenichev e o adjunto Dmitri Ananko: os responsáveis pelo crescimento do Arsenal Tula
Fonte: Página do VK do Arsenal Tula

O antigo médio do FC Porto acredita que motivar os jogadores para terem gosto e para apreciarem aquilo que estão a fazer em campo é meio caminho andado para o sucesso global e que, ainda que surjam percalços durante o percurso, esse é o caminho certo para uma equipa ser bem sucedida. Esta receita futebolista resultou em pleno nas divisões inferiores do futebol russo, mas não tem dado os mesmos frutos agora que o Arsenal se encontra em convívio com os grandes, ou seja, equipas que têm um orçamento quarenta ou cinquenta vezes superior.

Alenichev tem demonstrado ser, ao longo dos anos, um treinador com uma excelente percepção dos aspectos táticos do jogo, tendo já testado diversas vezes esta época diferentes estilos de jogo, por vezes assentes em táticas pouco comuns como o 3-4-2-1 que ele tentou implementar no início da temporada. Uma defesa a três provou ser um erro crasso numa equipa que queria sair a jogar a partir de trás, já que um simples passe falhado deixava a equipa demasiado exposta e colocava os centrais, todos eles bastante “presos de rins”, em clara desvantagem face a jogadores mais rápidos. Alenichev percebeu isso e moldou a equipa num versátil esquema de 4-4-2, que rapidamente se transforma em 4-1-4-1, muito mais equilibrado e com as linhas muito mais juntas, procurando assim eliminar os espaços entre linhas que o outro modelo de jogo permitia.

O Arsenal de Alenichev assenta muito do seu jogo no talento de três dos seus homens da linha intermédia: o experiente médio defensivo montenegrino Miroslav Kascelan, o jovem produto das escolas do Spartak Moscovo Aleksandr Zotov (um jogador dotado de uma capacidade notável para armar o jogo da sua equipa) e de um número 10 à moda antiga russa, de seu nome Sergey Kuznetsov (um organizador de jogo que passou ao lado de uma grande carreira  após ter prometido muito há quase uma década atrás).

O Arsenal Tula está actualmente em maus lençóis na liga russa e o empate do passado Sábado frente ao sempre complicado Terek Grozny, apesar de ser um resultado positivo, não foi suficiente para tirar a equipa da zona de despromoção.

Este Arsenal, altamente mecanizado mas sem a experiência necessária para conseguir manter uma regularidade tangível na elite do futebol russo, conseguiu ainda assim feitos notáveis esta temporada, uma vez que conseguiu vencer o Zenit de André Villas-Boas para a taça da Rússia e, por exemplo, o Lokomotiv e o Spartak Moscovo para a liga.

Alenichev, que é visto por muitos (adeptos incluídos) como o homem certo para assumir o comando do Spartak na próxima temporada, tem demonstrado ser um treinador de excelente qualidade e foi capaz de, através de processos de jogo bastante simples, construir uma equipa que nos faz acreditar na magia do futebol, onde tudo é possível, mesmo que isso implique que o pequeno e bravo David vença vezes sem conta o gigante endinheirado Golias, que teima em castrar a essência do desporto rei.

Foto de Capa: Página do VK Arsenal Tula

Joel Amorim

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Sporting

A nova fase do leão | Shakhtar Donetsk x Sporting CP 

Anunciada a saída de Rui Borges do comando do Sporting e com Paulo Fonseca de malas feitas, os verdes e brancos preparam-se para enfrentar o Shakhtar Donetsk, em solo inglês, em embate relativo à quarta jornada da Liga dos Campeões. Ainda na ressaca do primeiro desaire europeu, sofrido em Alvalade diante do LASK por 3-2, os pupilos orientados por Tiago Fernandes, treinador interino que vai constar no banco de Stamford Bridge, apontam as suas fichas ao regresso aos triunfos, numa fase em que vão entrar num ciclo completamente exigente na prova milionária, com encontros marcados com gigantes do futebol europeu.

Inês Flores · 3 min de leitura
Ler a crónica
Benfica

Depois do Halloween, apareceu um Diablito para evitar uma ida do Benfica às bruxas

Uma equipa grande também se faz naqueles jogos mais chatinhos, onde a inspiração se perde nos poros de suor e nada parece correr bem. Será algo do género que Andreas Schjelerup terá ecoado ao intervalo, quando ficou no balneário, ou quando Gianluca Prestianni, talvez já moldado pelo peso do brilhantismo, enfrentou pela frente mais uma muralha de jogadores adversários. Se no final da época for feita uma compilação dos grandes momentos do Benfica, será pouco provável ver muitos lances deste jogo, talvez apenas aquele em que o argentino com um toque de classe fez a bola passar por entre as pernas de Touaizi, perdido no meio de tamanho inconformismo. O retrato geral, não o escondeu Marco Silva, numa dose de realismo que já há muito não se via nos corredores da Luz, foi desinspirado. Felizmente para os encarnados, há Echeverri. Não é o primeiro momento de brilhantismo desmedido do reforço de verão por quem a cláusula de opção de compra já se afigura uma mera formalidade, mas, fosse esse o caso, seria quase poético. Depois de se celebrar o Dia das Bruxas, Halloween para os falantes de inglês, brilhou no Estádio da Luz um Diablito, que impediu Marco Silva de procurar explicações para o tropeço nas bruxas e dissipou qualquer questão sobre os fantasmas do empate que assombraram o Benfica na última época. Quem tem um Joker assim, pode sempre sorrir.

Diogo Ribeiro · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.