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Seferovic: a máquina de trabalho

Pedro Afonso · 3 min

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Seferovic foi, em tempos, um jogador dispensável. Alguém que não rendia e esteve mesmo uma época inteira atrás da sombra do ponta de lança titular, apesar de ter iniciado a temporada com quatro jogos consecutivos a marcar. No entanto, aos poucos foi perdendo a força e deixando de faturar e, com isso, foi perdendo o lugar na equipa.

Fez quase tantos minutos nos primeiros oito jogos da temporada transata (677 minutos), quantos aqueles que jogou no resto da época (690 minutos nos restantes 39 jogos). Além disso, marcou mais golos nos primeiros quatro jogos (4 tentos) do que os que marcou no restante da temporada ao serviço do Benfica (7 golos na temporada inteira).

Porém, algo de muito diferente se denota esta época quanto ao suíço. Está a realizar a melhor temporada da carreira, com 17 golos quando ainda só agora se está a entrar no último terço da época. Mas a máquina de fazer golos que agora vemos não é igual àquela que jogava nas mãos de Rui Vitória: em todos os jogos orientados pelo antigo treinador das águias, Seferovic marcara sete tentos; nas mãos de Bruno Lage, tem dez golos, com uma média de um golo a cada 80 minutos.

O que aconteceu para que houvesse esta transformação do suíço?

Primeiro, há que perceber que Seferovic não é um ponta de lança estático, não é apenas um homem-alvo ou aquela peça fixa entre os centrais para aguentar a linha defensiva adversária. Este não é o jogo do camisola 14. Na realidade, o avançado tem um jogo muito mais interessante.

Seferovic marcou o décimo golo em dez jogos contra o Galatasaray
Fonte: SL Benfica

O suíço tem uma inteligência posicional bastante elevada. Consegue colocar-se entre os centrais para esperar um passe a cruzar a defesa, mas também se movimenta nas laterais do terreno, para receber a bola e combinar com o segundo avançado, ou para colocar no espaço para o cruzamento do lateral. Mais do que isso, tem um movimento sem bola altruísta, correndo para zonas mais desinteressantes para os lances, na esperança de arrastar um elemento adversário e abrir espaço para o homem com a bola. Ainda acrescentando, é usual ver Seferovic em zonas do terreno mais recuadas, quer para ajudar na progressão da jogada, quer para ajudar em trabalho defensivo ou para abrir um buraco entre a linha defensiva e o primeiro homem do meio-campo adversário.

Finalmente, e mais importante do que tudo – tendo em conta que é um ponta-de lança –, Seferovic aparece sempre em zona de finalização. É um falso lento que consegue chegar aos locais importantes para finalizar as jogadas, cabecear para o fundo das redes ou encostar o cruzamento rasteiro dos laterais. É alto, tendo por isso facilidade em chegar a bolas mais altas, e tem um remate forte que se demonstra mais útil que outrora parecera.

Este género de avançado é mais do meu gosto do que os homens-alvo que também existe e coincidem com outras táticas. Neste Benfica, principalmente no de Bruno Lage, Seferovic encaixa que nem uma luva. Rui Vitória não conseguia organizar a equipa e combinar as jogadas para aproveitar a inteligência posicional do suíço; Lage faz isto deliciosamente. A equipa joga com cordéis, sabendo sempre onde se têm de deslocar para que estes não se entrelacem. Seferovic faz um trabalho incrível nas sequências ofensivas da equipa, combinando tão bem com os colegas como Oreo combina com leite.

Saudações Benfiquistas!

Foto de Capa: SL Benfica

Pedro Afonso

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