Itália | Parecia uma entrada em falso, mas terminou com o pé direito

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No último jogo do segundo dia do Campeonato da Europa, a Itália confirmou o favoritismo batendo a Albânia por 2-1 no Signal Iduna Park, em Dortmund. Já durante a tarde, num jogo do mesmo grupo, tínhamos visto um jogo sensacional em Berlim entre a Espanha e a Croácia que terminou com vitória espanhola por 3-0. Mas o jogo da noite não ficou atrás, estando belissimamente suportado fora das quatro linhas e assinalando recordes dentro delas.

Vamos primeiro aos “onzes”. Muita gente esperava uma linha defensiva italiana de 3/5, mas Spaletti avançou com quatro defesas, escolhendo dois canhotos para o eixo (Bastoni e Calafiori). Mais à frente, Chiesa atuou como extremo direito e Pellegrini partiu da esquerda, aparecendo no espaço central muitas vezes durante o jogo. Sylvinho não inventou e a Albânia jogou no seu habitual 1-4-3-3, com a única dúvida ser a ausência de Rei Manaj no centro do ataque, suplantado pelo avançado do Chelsea, Armando Broja.

A partida teve um início célebre, com o golo da Albânia aos 20 segundos a ser o mais rápido a ser marcado na história de Campeonatos da Europa. Isto aliado a uma invasão albanesa a Dortmund podia destabilizar uma seleção italiana que já não se tinha qualificado para o Campeonato do Mundo do Catar em 2022. Mas não. Viu-se personalidade na resposta azul, defendendo alto, agressivamente na reação à perda da bola, valorizando a bola e um jogo mais paciente não esquecendo progressão. Os golos da reviravolta apareceram rápido e naturalmente e a segunda parte serviu para gerir o resultado.

É a primeira fase final de uma competição internacional sem Bonucci e Chiellini, com a dupla de centrais a ser uma nova com dois jogadores a serem muito diferentes aos da era passada (autênticos patrões na defesa, duros na marcação e desarme). Calafiori, apesar de jogar também como central esquerdo no Bologna, tem uma função muito particular, com liberdade de progredir com bola e de dar linhas de passe mais avançadas no meio-campo, mas Spaletti deu o mesmo protagonismo tentando aproveitar a associação entre o central, Dimarco, Barella e Pellegrini. Já Bastoni habita no seu clube como central exterior, tendo, muitas vezes, os mesmos movimentos de um lateral, percorrendo o corredor esquerdo para depois lançar bolas para área. Aqui, como central direito, perde esse tipo de movimentos. Embora a Itália aproveite os seus atributos técnicos ofensivos (passe e condução), esta nova função expõe algumas debilidades defensivas. Questiono-me se conseguirá aguentar nos jogos mais equilibrados com a Croácia (Budimir, Petkovic) e a Espanha (Morata, Joselu).

Outra história deste jogo foi a exibição de Chiesa a partir da direita. Como disse, o lado esquerdo italiano era mais associativo, já a direita era muito dela do extremo da Juventus. Foi uma surpresa, uma vez que na seleção não é hábito ver Chiesa nesse lado do campo e no clube, jogando numa dupla atacante, tende a descair sempre para a esquerda. Mas pareceu natural, muito pela capacidade do jogador de 26 anos em jogar com os dois pés, ameaçando em ir para fora ou para dentro com a mesma eficácia. As outras individualidades italianas a destacar foram, sem surpresa, Jorginho, Barella e Scamacca.

Gianluca Scamacca Sebastián Coates
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

A Albânia não tem muito a perder neste grupo e pode entrar para os jogos sem a pressão de assegurar resultados, mas fica um sabor amargo na boca depois do êxtase inicial e do que se seguiu. Depois do golo, a equipa afundou muito e isolou Broja, não conseguindo ganhar primeiras bolas e disputar segundas. Já na segunda, a Itália ofereceu mais iniciativa, mas nem assim os albaneses fizeram muita mossa, com a única jogada a salientar a ser uma bola longa à procura de Manaj, disputada também por Bastoni, que ainda teve alguns protestos de grande penalidade. Contudo, fica a sensação que há vontade de equipa e adeptos em retirar alguma coisa deste torneio, ficando o aviso para croatas e espanhóis.

A Itália começa com o pé direito, afasta alguns fantasmas do passado e mantém a luta pela primeira posição do grupo, enquanto que a Albânia ainda tem o sonho remoto de passar aos oitavos de final, nem que seja como um dos melhores terceiros classificados.

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João Aroso é atualmente treinador adjunto da seleção da Coreia do Sul. Apesar da longa distância, é um perfil reconhecido em Portugal. Um autêntico homem do futebol, com um profundo conhecimento do jogo, interessando-se de uma forma quase obsessiva (no bom sentido da palavra) pelo que se passa dentro das quatro linhas, deixando de lado polémicas. Os seus primeiros passos foram no Pedras Rubras, dando-se a conhecer mais tarde, já ao serviço do Sporting. Já desempenhou múltiplas tarefas no desporto, alcançando os seus sonhos de adolescente. Para João Aroso, o futebol tem poucos segredos, mas o seu entusiasmo quando fala da modalidade é contagiante. É o mais recente convidado do Entrevista Bola na Rede.