5 seleções que surpreenderam no Mundial 2026

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48 seleções. 104 jogos. 308 golos marcados. E no fim ganhou a Espanha. Durante pouco mais de um mês o universo do futebol parou para ver o Mundial 2026, o primeiro a ser disputado em três países, depois de Japão e Coreia do Sul terem organizado o primeiro Campeonato do Mundo em conjunto em 2002.

Foi um torneio onde houve de tudo. Emoção, reviravoltas épicas, grandes golos, casos de arbitragem, mas o que conta no final é quem leva o caneco para casa. Foi a Espanha, mas podia ter sido a Argentina, a França, a Inglaterra, Portugal, ou uma das outras 43 seleções presentes. Porque apesar de existir sempre favoritismo para os mais fortes, estão todos no mesmo barco e tudo pode acontecer. Há sempre aquelas seleções teoricamente mais fracas que se agigantam perante os crónicos candidatos à conquista da taça mais desejada do planeta. E neste Campeonato do Mundo houve algumas surpresas nesse sentido.

Aqui fica a lista das cinco seleções que eu considero as mais surpreendentes deste Mundial.

5.

Japão – Foi das seleções que melhor jogou na fase de grupos. O selecionador Hajime Moriyasu trouxe uma cultura tática e um estilo que encantou os verdadeiros adeptos do futebol. Rápido, direto e objetivo. O empate a duas bolas com os Países Baixos na primeira jornada foi um dos melhores jogos deste Mundial. Seguiu-se uma goleada à Tunísia por 4-0 numa verdadeira demonstração como jogar bom futebol. Nos 16 avos de final encontrou o Brasil e esteve quase a provocar a primeira grande surpresa da competição. Só que a esperança nipónica em eliminar o penta campeão do mundo caiu por terra já para lá do minuto 90. Mais não se podia exigir, e o que fica na memória de todos é o bom futebol praticado e a disciplina dentro e fora de campo, uma imagem de marca já habitual dos japoneses. Daichi Kamada e Keito Nakamura foram as principais figuras.

4.

Egito – Ficou em segundo lugar do seu grupo, com os mesmos pontos que a Bélgica, e fez história ao apurar-se pela primeira vez para os oitavos de final, depois de bater a Austrália nas grandes penalidades. Foi eliminada pela Argentina num jogo onde esteve a vencer por 2-0 até bem perto do final. Com um pouco mais de cabeça e menos tremideira teriam feito ainda mais história ao eliminar um crónico candidato ao título mundial. Ainda assim foi um Campeonato do Mundo positivo para os faraós comandados pelo selecionador Hossam Hassan, que pôs a sua equipa a jogar um futebol atrativo. Mohamed Salah continua a ser a estrela da companhia, apesar dos seus 34 anos, mas também não nos podemos esquecer de Mostafa Zico e Omar Marmoush.

3.

Suíça – A última presença da Suíça numa fase tão adiantada de um Campeonato do Mundo data do ano de 1954, onde alcançou os quartos de final.  72 anos depois a seleção helvética alcançou novamente esse marco. Habituada a andar nestes palcos, normalmente a sua participação fica-se pela fase de grupos ou pelos oitavos de final. A Suíça venceu o seu grupo com duas vitórias e um empate. Eliminou a Argélia nos 16-avos de final com alguma facilidade, e nos oitavos foi preciso recorrer às grandes penalidades para tirar a Colômbia da prova. O sonho em chegar às meias-finais era grande, mas a Argentina não deixou. Ainda assim, os suíços fizeram um bom jogo frente aos argentinos, e forçaram mesmo o prolongamento. Mas foi nesse período que Messi e companhia deram uma machadada nas aspirações helvéticas. O futebol da Suíça destacou-se pelo seu coletivo e boa organização tática, onde Granit Xhaka continua a ser o cérebro da equipa. Destaques também para Johan Manzabi, Rubén Vargas e Breel Embolo.

2.

Cabo Verde – Nem nos melhores sonhos se podia imaginar o que Cabo Verde fez neste Mundial. Foi uma das seleções caloiras da prova, e das quatro que viveram a experiência pela primeira vez foi a que mais se destacou. Logo por uma curiosidade. Foi a única seleção que a Espanha não derrotou no seu caminho para a glória. Tudo começou no primeiro jogo do Grupo H. Os tubarões azuis conseguiram arrancar um empate histórico frente aos espanhóis, com uma enorme exibição do guarda-redes Vozinha, que após essa partida tornou-se um dos jogadores mais acarinhados do torneio. Seguiu-se um empate a duas bolas frente a uma seleção que também já foi campeã do mundo, o Uruguai. E no terceiro encontro garantiram o segundo lugar do grupo com novo empate diante da Arábia Saudita. O duelo com a Argentina nos 16-avos de final antevia ser uma missão impossível. E quem pensou que Cabo Verde ia ser goleado, enganou-se. Aquilo a que assistiu no Hard Rock Stadium, em Miami, foi um hino ao futebol. Um jogo de loucos com os cabo-verdianos a levar a decisão da eliminatória para o prolongamento. O segundo golo de Cabo Verde, marcado por Sidny Lopes Cabral, entra para o lote dos melhores deste Mundial, se não for mesmo o melhor. A Argentina teve que suar, e muito, para levar de vencida o conjunto africano. Cabo Verde não venceu um único jogo. Mas mostrou ao mundo a sua raça, o seu querer e o bom futebol praticado.

1.

Noruega – Se a Noruega fez o mundial que fez, deve muito a um homem. Erling Haaland foi um monstro disfarçado de viking que ajudou a levar a sua seleção aos quartos de final pela primeira vez na história. Para chegar até essa fase da prova, os noruegueses asseguraram o segundo lugar do seu grupo, com dois triunfos frente ao Iraque e ao Senegal, e só a poderosa França os derrotou. Ultrapassaram a Costa do Marfim nos 16-avos de final, e a seguir eliminaram um dos grandes candidatos à vitória da competição, o Brasil. Nesse jogo ficou demonstrado porque Haaland é considerado um dos melhores pontas de lança da atualidade. Dois golos para mais tarde recordar e uma remontada épica que espantou o mundo. Seguiu-se a Inglaterra, e o sonho da Noruega em atingir as meias-finais ganhou força quando Andreas Schjelderup inaugurou o marcador com um grande golo. Mas se na partida anterior houve reviravolta a favor dos noruegueses, desta vez aconteceu o contrário. Os ingleses deram a volta nos últimos minutos da primeira parte e carimbaram a passagem à fase seguinte. Não obstante, considero a Noruega a equipa que mais surpreendeu neste Mundial. Tirando os quatro semifinalistas, foi a seleção que jogou melhor futebol, apresentado uma equipa coesa, forte fisicamente, e depois quem tem Haaland, tem (quase) tudo.

Rui Alves Maria
Rui Alves Mariahttp://www.bolanarede.pt
O Rui é natural de Tavira. Desde 2003 que a sua residência é em Odivelas e com essa deslocação teve a oportunidade de frequentar e concluir um Curso Profissional de Técnicas Jornalísticas. O jornalismo foi sempre a sua paixão desde muito cedo e o seu gosto pela escrita foi acompanhando essa mesma paixão. No entanto, é no jornalismo desportivo que se sente mais à vontade para desenvolver todas as suas capacidades.

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