Terminou a fase de grupos do maior mundial da história. Após 72 encontros, o torneio ficou reduzido às tradicionais 32 seleções e entra agora na fase de “mata-mata”. Como sempre, tivemos algumas surpresas e também formações que simplesmente reafirmaram o seu estatuto, quer de underdogs quer de favoritos à vitória final.
Dentro das surpresas, focamos este artigo nas menos positivas. Neste top, visamos as cinco nações que mais desiludiram em território norte-americano e as principais falhas na forma como abordaram a competição.
5.


Catar – Depois de organizar o último mundial e com um investimento avultado no desporto rei, esperava-se mais da seleção do Catar. No meio da razia que foi a fase de grupos para as seleções do Médio Oriente, destacamos o bicampeão asiático por ser o caso em que se esperava uma evolução mais notória desde 2022. O empate frente à favorita Suíça até pode ter sido enganador, mas só para quem não viu o jogo.
Num dos grupos teoricamente mais acessíveis, a formação treinada pelo nosso bem conhecido Julen Lopetegui mostrou fragilidades comprometedoras. Com muito menos intensidade que os adversários e com a criação de jogo bastante dependente da criatividade de Achram Afif, o Catar abandonou o mundial apenas com o ponto resgatado no primeiro encontro (apesar do jogo frente à Bósnia ter sido razoavelmente equilibrado). Com apenas duas seleções a chegarem à fase a eliminar, este mundial foi um duro golpe para a confederação asiática.
4.


Tunísia – A Tunísia era previsivelmente o elo mais fraco do seu grupo e os jogos de preparação realizados em junho também não auguravam nada de positivo para a seleção magrebina, com duas derrotas frente a Áustria e Bélgica. O saldo de zero pontos com 12 golos sofridos e apenas dois golos marcados conseguiu, ainda assim, ser um desfecho pior do que a maioria dos fãs antevia.
A entrada em falso frente à Suécia levou à saída de Sabri Lamouchi do comando técnico e à entrada do francês Herve Renard. Mas um só bombeiro não consegue salvar um prédio em chamas e este acabou mesmo por ruir. Um plantel com muitas limitações na criação ofensiva mostrou também uma falta de consistência defensiva e erros individuais frequentes que contrastaram com as exibições de outras nações africanas (como a Costa do Marfim ou Cabo Verde).
3.


Chéquia – Mais uma seleção que ultrapassou os playoffs da UEFA para reservar bilhete para o mundial e mais uma que deixou as seleções eliminadas (neste caso Irlanda e Dinamarca) a acreditar que fariam melhor figura no seu grupo. A Chéquia até esteve a vencer nos dois primeiros encontros, mas sempre com golos quase “caídos do céu”, com os adversários a terem mais posse de bola e mais remates em ambas as ocasiões.
O golo da África do Sul, surgido após 83 minutos de resistência checa, complicou seriamente as contas da seleção europeia, que chegava assim ao encontro frente ao México com apenas um ponto amealhado. Os anfitriões estavam motivados, mas o sentido de urgência da Chéquia fez-se sentir no primeiro tempo, falhando “apenas” a definição. Na segunda parte, o México acordou e em seis minutos resolveu a partida, ditando a eliminação prematura da equipa orientada por Miroslav Koubek que, apesar do fracasso, não considera abandonar o cargo.
2.


Turquia – Vista por muitos como uma das seleções a ter debaixo de olho à entrada para este mundial, a Turquia deitou tudo a perder nos dois primeiros jogos. A falta de eficácia foi gritante e traduziu-se em 62 remates e zero golos frente a Austrália e Paraguai, quando o número de golos esperados (xG) era de 3,6.
Uma geração promissora que contava com estrelas como Kenan Yildiz e Arda Güler levou o seu país à fase final do mundial pela primeira vez em 24 anos. A performance no torneio, no entanto, não se aproximou sequer da de 2002. Viram-se muitos remates de longa distância, que espelharam a falta de capacidade para desmontar as defesas adversárias. O melhor jogo turco surgiu quando as contas já estavam feitas, com uma vitória frente aos EUA a não tirar os comandados de Vicenzo Montella do último lugar do grupo D.
1.


Uruguai – Uma das grandes potências sul-americanas e detentora de dois títulos mundiais foi uma das maiores desilusões desta edição. Num grupo que não era dos mais exigentes, o Uruguai arrecadou apenas dois pontos frente ao estreante Cabo-Verde e à Arábia Saudita. O semblante dos jogadores após o segundo encontro mostrava o quão complicadas estavam as contas, já que uma derrota frente a Espanha ditaria inevitavelmente a eliminação.
Os princípios tácticos de “el loco” Bielsa foram implementados a espaços, mas nunca de forma consistente. Os dois primeiros jogos foram controlados na sua maioria pela celeste, mas houve momentos de desconcentração e passes falhados que permitiram ao adversário criar perigo e eventualmente chegar ao golo. Muslera também teve um mundial para esquecer e, embora isso não apague o seu estatuto de lenda, foi determinante para a eliminação. Menção de louvor para Maxi Araújo, extremo/lateral sportinguista que foi das melhores figuras uruguaias no torneio e não merecia de todo esta saída.

