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Brasil 2-0 Costa Rica: O samba demorou mas chegou à Rússia

Gonçalo Miguel Santos · 4 min

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Naquele que foi um jogo que se revelava bastante decisivo para as contas do grupo E, o Saint Petersburg Stadium foi palco do duelo entre Brasil e Costa Rica. Ambas as seleções não obtiveram bons resultados na primeira jornada: os brasileiros numa exibição pobre não foram além de um empate diante da Suíça e os costa-riquenhos saíram derrotados do confronto com a Sérvia. Nenhum dos selecionadores promoveu grandes mudanças no XI inicial, registando-se apenas uma alteração para cada lado. Com Danilo lesionado, Tite lançou a jogo Fágner e do lado da Costa Rica, Óscar Ramirez trocou Francisco Caldo por Bryan Oviedo.

A história do primeiro tempo é curta e fácil de se contar. O Brasil, que, como já era expectável, assumiu as despesas do jogo desde início e tentou criar oportunidades para se colocar na frente do marcador, todavia as intenções brasileiras esbarravam invariavelmente na muralha defensiva da Costa Rica que se apresentou coesa e segura. A canarinha dominou na posse de bola, mas nunca conseguiu passar disso mesmo! É certo que contabilizou um bom número de remates, mas não podem ser considerados oportunidades dado que Keylor Navas não foi realmente posto à prova. O melhor momento do Brasil deu-se à passagem do minuto 27, quando, num movimento de rotura, Neymar surge sozinho na cara do golo, mas nem sequer conseguiu rematar. No reverso da medalha, a Costa Rica mesmo sem investir muito no ataque, limitando-se à segurança no setor defensivo, dispôs provavelmente da melhor oportunidade do primeiro tempo: Celso Borges atirou a arrasar o poste, ainda dentro do primeiro quarto de hora.

Foi uma primeira-parte que na perspetiva brasileira soube a muito pouco, contrastando com uma Costa Rica que ia sobrevivendo, valendo-se da sua força nos duelos individuais e de várias tentativas de sair em contra-ataques perigosos.

O Brasil regressou ao relvado com uma mudança notória na sua atitude, aumentaram o ritmo, deram primazia ao jogo apoiado e suprimiram os individualismos, potenciando assim um jogo mais dinâmico que lhes permitiu dominar por completo a segunda parte. É verdade que os brasileiros já tinham dominado a partida nos primeiros 45 minutos, contudo com a tal mudança de atitude vieram as oportunidades dignas de serem caracterizadas como perigosas. O conjunto brasileiro foi crescendo e estava cada vez mais próximo do golo, mas do outro lado estava uma Costa Rica que não se “desmanchava” defensivamente e parecia ser venenosa quando saia em contra-ataques rápidos.

Neymar não teve a vida facilitada
Fonte: FIFA

O pressing brasileiro sobre Keylor Navas começou logo aos 50 minutos com Gabriel Jesus a cabecear à barra e na recarga a bola sobrou para Philippe Coutinho que rematou forte, mas viu o seu remate ser bloqueado por um defesa adversário. Mais tarde, e ao fim de muito tempo, surge Neymar com um remate potente à entrada da área, ao qual Navas correspondeu com uma bela defesa em mergulho. Poucos minutos depois, Neymar ao beneficiar de um erro do adversário recuperou a bola e “quase que num livre em movimento” dispara pertíssimo do poste esquerdo da baliza de Navas.
A 10 minutos do fim, algo inédito nas histórias dos mundiais aconteceu: pela primeira vez o VAR retira um penalty assinalado a uma equipa. Neymar fintou um adversário e deixa-se, sem margem para dúvidas, simplesmente cair no chão e o árbitro assinalou grande penalidade, aconselhado a recorrer às imagens inverteu a sua decisão.
O Brasil continuou na busca pelo golo e finalmente conseguiu: aos 91 minutos Coutinho recebeu a bola já dentro da área e atirou por baixo das pernas de Navas e fez respirar de alívio toda uma nação brasileira.

A vantagem iria aumentar já nos momentos finais da partida, quando a Costa Rica já se mentalizava que teria sido eliminada, e Douglas Costa ofereceu a Neymar um golo que pode ser importante para o avançado do PSG, fixando o resultado final em 2-0.
Foi um triunfo justo, mas muito sofrido. Há um antigo ditado português que reflete aquilo que foi esta segunda parte e o principal motivo da vitória brasileira: “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, e assim foi, o Brasil soma 3 pontos e fica bastante bem encaminhado para se qualificar para a próxima fase. A Costa Rica vê o seu sonho na Rússia terminar e jogará na próxima jornada com a Suíça meramente para cumprir calendário.

A FIGURA

Fonte: FIFA

Philippe Coutinho – O jogador do Barcelona foi o que mais deu nas vistas pela canarinha. Mantendo sempre um nível de jogo intenso, aplicando toda a sua inteligência e astúcia em campo e criando algumas oportunidades. Marcou o seu segundo golo na prova e ficará associado a este jogo como a peça que desbloqueou uma partida de extrema dificuldade para o Brasil.

FORA-DE-JOGO

Fonte: FIFA

Neymar – A foto que reflete a exibição de Neymar hoje e possivelmente o seu estado de espírito.
Fruto da má prestação no jogo frente à Suíça entrou em campo nervoso e pouco confiante, sendo motivo pelos motivos errados, nomeadamente as discussões com o árbitro.
Nem tudo é mau e este jogo poderá ter sido o mote para um novo Neymar na Rússia: nos instantes finais protagonizou uma excelente finta, “a lambreta”, e marcou o último golo do encontro.
Esperaremos para ver se no próximo encontro, que se advinha difícil , Neymar voltará ao nível a que sempre nos habituou.

Foto de Capa: FIFA

Gonçalo Miguel Santos

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