Felicidade e desilusão na fronteira dos 11 metros | Diário do Mundial #18

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Arranque dos quartos de final do Mundial de Futebol com todos os minutos possíveis a serem jogados ou, se quiserem, por outras palavras, com tempo regulamentar mais prolongamento e, ainda não satisfeitos, com direito a decisões nas grandes penalidades.

No primeiro jogo do dia, sem ter a dimensão de outras surpresas já registadas, a verdade é que a vitória da Croácia acaba por ter algum impacto, dado que muitos apontavam a seleção brasileira como uma das grandes favoritas a conquista o título.

Mais tarde, um clássico entre Países Baixos e Argentina que acaba por ser um desafio onde prevaleceu o equilíbrio ainda que, num período importante da partida, tenha dado a sensação de que estaria decidido o vencedor para a Argentina que, acabando por ter de sofrer mais, conseguiu marcar viagem para as meias-finais.

 

O JOGO DO DIA

Jogo fantástico em perspetiva no Lusail Stadium com Países Baixos e Argentina a defrontarem-se, tendo ambas o foco bem definido: meias finais frente à Croácia que, entretanto, já tinha batido o Brasil nas grandes penalidades.

Do lado neerlandês, o histórico no Mundial dizia-nos que, não tendo um futebol ofensivo que, esteticamente, ficará na memória, não deixava de ser uma equipa extremamente equilibrada, muito bem trabalhada na forma como defende e, igualmente importante, na forma como sabe o que fazer com a bola quando a recupera, apresentando sempre uma postura consciente e eficiente.

Quanto à seleção argentina, tendo pautado a sua participação no Catar 2022 com um futebol ligeiramente mais apelativo, dinâmico, com jogadores móveis que suscitam maior diversidade de caminhos para chegar à baliza, assumiu hoje uma posição mais cautelosa perante o adversário, adaptando-se a uma fase da competição em que o risco aumenta, estando tal facto relacionado com o poder do adversário.

Perante este cenário, prevaleceu o equilibro na grande maioria da partida, tendo o golo de Molina sido antecedido de uma aposta individual de Messi que acaba por destapar a defensiva adversária através de um passe magistral, marcando a diferença numa primeira parte com pouco para contar.

No segundo tempo, a sensação que fica é de que a Argentina teve mais presença atacante, tendo conseguido aumentar a vantagem para 2-0 através do golo de Messi na sequência de uma grande penalidade contudo, contra todas as expectativas, os Países Baixos conseguem reduzir diferenças no marcador, já nos últimos dez minutos por Wout Weghorst que, na última tentativa da partida, na sequência de uma bola parada aparentemente estudada, consegue bisar e “empurrar” o jogo para o prolongamento.

Nesses trinta minutos extra com que muitos já não contariam, a seleção das “pampas” voltou a ser muito mais perigosa, sobretudo nos últimos minutos desse período com vários momentos de finalização que, não resultando em golo, relegaram as decisões para a marca dos onze metros que.

Na última estância para apurar quem seria a seleção apurada, a Argentina foi mais competente, beneficiando de duas defesas fantásticas de Emiliano Martínez que desequilibraram a balança a favor da sua equipa.

Contas feitas, terá vencido a equipa que arriscou mais, ficando uma palavra valorativa para os Países Baixos que foram, desde o início do Mundial, uma seleção muito competente, preparada para disputar a vitória frente a qualquer adversário.

A FIGURA DO DIA


A sua seleção acabou por ser eliminada do Mundial, mas foi decisivo para lhe devolver a esperança de que ainda seria possível reverter um 0-2. Wout Weghorst entrou aos setenta e oito minutos e ainda foi a tempo de, antes do apito para fim da partida, bisar no encontro e levar a partida para o prolongamento.

Não tendo sido decisivo numa vitória, acabou por ser fundamental no adiamento do prazo de validade de um sonho que, a certa altura, esteve perto de ser ultrapassado.

O FORA DE JOGO DO DIA

Encerra-se mais um ciclo de quatro anos e o Brasil voltou a não estar ao nível das expetativas que gerou no seu povo, ficando pelos “quartos” frente a uma seleção que, apesar de ser vice-campeã do mundo, não tem a tradição nem a exigência que envolvem a seleção “canarinha”.

Ainda que fosse sempre um jogo difícil, o Brasil era considerado, pela opinião pública, o grande favorito.

O percurso do “escrete” neste Mundial acaba por desiludir.

A CURIOSIDADE DO DIA

Desde o primeiro título no Mundial da Suécia em 1958, o Brasil teve, no máximo, um jejum de vinte e quatro anos, nomeadamente entre o México 70 e o Estados Unidos da América de 94.

Com a eliminação de hoje, a seleção que foi, até hoje, orientada por Tite, igualará estes números já que, entre o Coreia e Japão de 2002 e a edição que será realizada em 2026, existem vinte e quatro anos de distância.

Um período pouco feliz para a seleção canarinha que, após este Campeonato do Mundo, continuará a ser a que conquistou mais vezes a competição.

RESULTADOS

Croácia 1-1 Brasil (venceu a Croácia nas grandes penalidades)

Países Baixos 2-2 Argentina (venceu a Argentina nas grandes penalidades)

Artigo sobre o Mundial com a opinião de Orlando Esteves, comentador BnR TV.
Redação BnR
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