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Espanha 1-1 Rússia (3-4 G.P.): Pacto de não agressão acabou nos penáltis

Gonçalo Taborda · 4 min

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Depois de uma desapontante eliminação de Portugal, após a derrota de 1-0 frente ao Uruguai, cabia à Seleção Espanhola representar a Península Ibérica neste Mundial. Para isso, teria de vencer o país anfitrião da prova: a Rússia.

E dificilmente poderia ter começado melhor. Aos 10 minutos de jogo, Marco Asensio cobrou um livre direto numa posição lateral à grande área russa. Sergio Ramos e Sergey Ignascevich embrulharam-se e ambos caíram, mas, para azar do central do CSKA de Moscovo, a bola acaba por bater no seu calcanhar e enganar Igor Akinfeev. Com um auto-golo tão infeliz como caricato, estava feito o 1-0 para a Espanha.

Depois disto, assistiu-se a 25 minutos de apatia mútua: a Seleção Russa parecia estar resignada com o resultado e não pressionava os jogadores espanhóis, que fizeram o esférico circular facilmente até atingirem os 70% ou 75% de posse e bola. A 10 minutos do fim da primeira parte, Aleksandr Golovin, uma das surpresas deste Mundial, decidiu dar o ar de sua graça, com um remate em arco que, embora não tenha ido à baliza, pôs David De Gea em sentido.

Como já aconteceu em tantas outras ocasiões neste torneio, um momento anómalo foi o suficiente para inverter a história do jogo. A Rússia ganhou alento, voltou a atacar e, após canto batido por Yuri Zhirkov, Gerard Piqué falha o cabeceamento, toca com a mão na bola e o árbitro não hesita em marcar uma grande penalidade. Com a mesma certeza do juiz da partida, Artem Dzyuba caminhou para a marca de penálti e bateu De Gea, empatando a partida aos 42 minutos.

Momentos antes da mão de Piqué
Fonte: Seleção Russa de Futebol (национа́льная сбо́рная Росси́и по футбо́лу)

E foi assim que as equipas regressaram ao balneário. Dois golos caídos do céu – ainda que caídos de formas diferentes – faziam, para já, o resultado.

Na segunda metade, perante uma Espanha que pouco fazia para conseguir o 2-1, Stanislav Cherchesov, o treinador russo, decidiu arriscar: tirou Zhirkov, Aleksandr Samedov e Dzyuba para lançar Vladimir Granat, Denis Cheryshev e Fedor Smolov. Três alterações que conferiam à sua equipa uma frescura atacante, numa tentativa de alterar o rumo de uma tarde letárgica.

Apesar dos esforços do técnico, a partida prolongou-se e, se não fosse um remate de Iago Aspas (que entrou para o lugar de Diego Costa) que Akinfeev ainda desviou para a trave, os segundos 45 minutos não teriam sequer merecido um parágrafo de descrição.

Há cerca de três quartos de século, a Rússia fez um pacto de não agressão com a Alemanha Nazi; hoje parecia tê-lo feito com a Espanha. E este acordo foi celebrado com a chegada do prolongamento. Por um lado, foi uma maneira de os treinadores de ambas as equipas porem em prática a nova norma introduzida pela FIFA, que permite uma substituição extra nos 30 minutos de jogo adicionais. Aleksandr Erokhin tornou-se no primeiro quarto substituto da história do Mundial, quando entrou para o lugar de Daler Kuzyayev.

E foi o quarto substituto da Espanha, Rodrigo Moreno (ex-Benfica), que esteve mais próximo do golo neste prolongamento, após obrigar Akinfeev a uma defesa apertada, a 10 minutos do fim. Antes dos penáltis – que pareciam inevitáveis desde os 75 minutos de jogo – ainda houve tempo para um lance polémico na grande área russa, com o VAR a decidir que não houvera qualquer falta sobre Ramos ou Gerard Piqué, que reclamavam uma grande penalidade.

Sergio Ramos foi incansável no apoio à equipa
Fonte: Selección Española de Fútbol

A chuva aumentava e as tensões também: estávamos perante a primeira decisão por grandes penalidades deste Mundial. Agora, a Espanha já não podia manter a posse de bola e a Rússia já não se podia fechar lá atrás a ver La Roja jogar. O pacto de não agressão teria que acabar.

Nos penáltis, foi assim: Iniesta marcou; Smolov marcou; Piqué marcou; Ignascevich marcou; Koke falhou; Golovin marcou; Ramos marcou; Cheryshev marcou; Iago Aspas falhou. Por esta ordem.  E a ordem que foi dada aos espanhóis foi a de saída. Duas defesas de Akinfeev chegaram para eliminar a outra metade da Península Ibérica.

Tal como acontecera nos tempos de Hitler, acabou por ser a Rússia a sair por cima após o fim de um pacto de não agressão. Os anfitriões chegam a uns históricos quartos de final do Mundial, enquanto os espanhóis sairão, certamente, desiludidos, depois de tanta promessa inicial.

A FIGURA:

Fonte: Seleção Russa de Futebol (национа́льная сбо́рная Росси́и по футбо́лу)

Igor Akinfeev – Ao longo dos 120 minutos de jogo, os espanhóis foram tentando violar o pacto de não agressão. E teriam-no feito se não fosse Akinfeev, que teve de ser batido pelo próprio companheiro de equipa.

Nos penáltis, agigantou-se e defendeu os remates de Koke e Iago Aspas. Com mais de 100 internacionalizações pela Seleção Russa, esta tarde entrará, com destaque, para o seu vasto portefólio de grandes exibições.

O FORA-DE-JOGO:

Fonte: FIFA

Diego Costa – O avançado do Atlético de Madrid esteve, literalmente, fora do jogo hoje em Moscovo. Com uma linha defensiva russa tão recuada, pouco pôde fazer na construção ofensiva; com o poderio físico dos centrais adversários, esteve extremamente limitado nas disputas aéreas. Precisava-se de um avançado mais móvel, e isso ficou comprovado quando se viu o impacto que Iago Aspas e Rodrigo tiveram quando entraram.

Apesar de também haver aqui alguma culpa de Fernando Hierro, no que toca à constituição do XI inicial, não se pode ignorar uma tarde muito apagada de Diego Costa.

Foto de Capa: FIFA

Artigo revisto por: Ana Rita Cristóvão

 

Gonçalo Taborda

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