Revista do Mundial’2014 – Chile

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Depois da presença no França’1998, com Marcelo Salas e Iván Zamorano como principais figuras, o Chile só se estreou em Mundiais no séc. XXI no África do Sul’2010. Marcelo Bielsa conduziu uma selecção recheada de potencial aos oitavos-de-final, perdendo apenas com o Brasil. El Loco é mesmo o nome mais importante da história recente do Chile enquanto nação futebolística. O técnico argentino potenciou o talento que tinha à disposição, conseguiu pôr a equipa a praticar um futebol extremamente positivo (sempre de olhos postos na baliza contrária) e deixou uma base para o futuro. É com essa base, e com um treinador que pretende dar sequência ao trabalho feito por Bielsa, que o Chile se apresenta no Brasil.

O Mundial Sub-20 de 2007 foi o ponto de viragem do futebol chileno. Dessa competição, em que os sul-americanos terminaram no 3º lugar, saíram vários jogadores que vão estar no Brasil. Alexis Sánchez, Arturo Vidal, Mauricio Isla, Gary Medel e Carlos Carmona fizeram parte dessa geração e têm agora o objectivo de melhorar a participação conseguida na África do Sul. Tendo em conta que o Chile está num grupo com as selecções finalistas do último Mundial, a tarefa não será fácil.

O apuramento para o Brasil chegou a estar em perigo. Claudio Borghi, seleccionador que iniciou a fase de qualificação, acumulou maus resultados – somou apenas 12 pontos em 9 jogos – e deixou a equipa no 6º lugar, mas com a chegada de Sampaoli tudo mudou. O técnico argentino, com ideias de jogo bem diferentes das de Borghi (mais próximas das de Bielsa), fez aumentar o nível exibicional da equipa e conquistou 16 pontos em 21 possíveis, apurando o Chile para o segundo Mundial consecutivo.  

OS CONVOCADOS

Guarda-redes – Claudio Bravo (Real Sociedad), Johnny Herrera (Universidad do Chile) e Cristopher Toselli (Universidad Católica).

Defesas – Gary Medel (Cardiff), Gonzalo Jara (Nottingham Forest), José Rojas (Universidad do Chile), Eugenio Mena (Santos), Mauricio Isla (Juventus).

Médios – Jorge Valdivia (Palmeiras), Felipe Gutiérrez (Twente), Jose Pedro Fuenzalida (Colo Colo), Francisco Silva (Osasuna), Arturo Vidal (Juventus), Charles Aránguiz (Internacional), Marcelo Diaz (Basileia), Carlos Carmona (Atalanta) e Miiko Albornoz (Malmö).

Avançados – Alexis Sánchez (Barcelona), Esteban Paredes (Colo Colo), Eduardo Vargas (Valencia), Jean Beausejour (Wigan), Mauricio Pinilla (Cagliari) e Fabián Orellana (Celta).

A ESTRELA 

Alexis e Vidal Fonte: follwr.com
Alexis e Vidal
Fonte: follwr.com

Não há dúvidas sobre quem são os elementos mais influentes na selecção chilena. Alexis Sánchez e Arturo Vidal são dois jogadores fundamentais e o sucesso do conjunto orientado por Jorge Sampaoli dependerá do estado de forma com que aparecerão no Brasil. Do médio da Juventus, um dos mais completos da actualidade, podemos esperar aquilo que demonstra no clube: muita intensidade, uma facilidade tremenda de chegar à área contrária (marcou 5 golos na fase de qualificação) e uma capacidade de desarme e recuperação muito acima da média. A grande questão é perceber se estará no seu melhor, já que ainda se encontra a recuperar de uma cirurgia ao joelho direito. O avançado do Barça, que forma uma dupla mortífera com Vargas, terá nesta competição uma grande oportunidade para provar que é um dos melhores do mundo. Um jogador que pode fazer a diferença a qualquer momento e que, com a sua velocidade vertiginosa e capacidade de finalização, tem tudo para ser um dos destaques do Mundial.

O TREINADOR

Jorge Sampaoli Fonte: lanacional.cl
Jorge Sampaoli
Fonte: lanacional.cl

Jorge Sampaoli é o grande responsável pelo apuramento do Chile. O técnico argentino substituiu Claudio Borghi, que iniciou a qualificação (com resultados muito fracos), e conquistou 16 pontos em 21 possíveis, levando os chilenos ao segundo Mundial consecutivo. Sampaoli, admirador e seguidor da filosofia de Marcelo Bielsa, está a dar continuidade ao trabalho que El Loco tinha desenvolvido, montando uma equipa altamente virada para o ataque. O sistema táctico que utiliza é o 3-4-1-2, com dois alas que fazem todo o corredor e um médio no apoio directo (poderia ser Matias Fernández, mas vai falhar o Mundial) à dupla composta por Vargas e Alexis. 

O ESQUEMA TÁTICO

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O PONTO FORTE

As transições ofensivas são a principal arma dos chilenos e a dupla Vargas-Alexis destaca-se neste capítulo. A velocidade, explosão e poder de desmarcação dos dois homens mais adiantados da equipa vai certamente fazer estragos. Em organização, o Chile é uma equipa que joga a toda a largura do campo e os dois alas (Isla e Beausejour ou Mena) conseguem dar muita profundidade ao ataque. A facilidade com que Vidal aparece em zonas de finalização é outro ponto forte do conjunto sul-americano.

O PONTO FRACO

A equipa tem enormes fragilidades defensivas. O sector mais recuado é demasiado limitado para um conjunto com tanta qualidade do meio-campo para a frente, e a situação agrava-se pelo facto de Sampaoli optar por um sistema com apenas 3 defesas (sendo que Medel é uma adaptação). Os chilenos desequilibram-se facilmente – o que acaba por ser uma consequência inevitável para uma equipa tão virada para o ataque – e têm muitas dificuldades no controlo da profundidade. As bolas paradas são outro momento do jogo em que os sul-americanos sofrem bastante.

O sorteio não foi simpático para o Chile. Espanha e Holanda são adversárias de respeito e a eliminação de qualquer uma delas na primeira fase seria uma surpresa. No entanto, La Roja sul-americana tem todas as condições de discutir o apuramento. Tem a vantagem de defrontar primeiro a Austrália (em caso de vitória partem à frente de pelo menos uma das selecções europeias) e convém não esquecer o facto de a competição se disputar na América do Sul, o que pode beneficiar os comandados de Sampaoli. Tem, acima de tudo, uma geração em ponto de rebuçado, que já joga junta há bastante tempo e que tem individualidades a actuar nos melhores clubes europeus. Mas, apesar de todos os pontos a favor, é difícil prometer bons resultados num grupo com Espanha e Holanda. A única certeza é a de que o Chile, uma das selecções mais entusiasmantes da actualidade, vai dar espectáculo no Brasil.

Tomás da Cunha
Tomás da Cunha
Para o Tomás, o futebol é sem dúvida a coisa mais importante das menos importantes. Não se fica pelas "Big 5" europeias e tem muito interesse no futebol jovem.                                                                                                                                                 O Tomás não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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