Uma final com legítima defesa | Diário do Mundial #21

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Está encontrado o segundo finalista desta edição do Campeonato do Mundo: a França. Depois de um percurso sem grandes sobressaltos neste Mundial, fugindo um pouco à regra o desafio da fase grupos frente à Tunísia, ainda que a França já tivesse garantido o seu apuramento, e claro, o duelo extremamente competitivo frente aos ingleses, a ainda campeã do mundo tinha pela frente Marrocos que, em teoria, seria um adversário teoricamente mais acessível que outros que poderia ter tido, mas que não deixava de estar fortemente associado a um trajeto histórico, tendo ultrapassado adversários que também eram, à partida, os grandes favoritos à vitória mas que, no final, acabaram por ficar de fora.

Esperava-se, por isso, um teste aos limites das duas equipas, estando do lado um histórico que tinha como missão chegar à sua segunda final de um Mundial consecutiva e, do outro, uma equipa que já tinha causado várias surpresas e queria provocar, provavelmente, a maior de todas, garantindo um lugar no jogo de todas as decisões.

Perante tal expectativa, o resultado não foi surpreendente, mas a forma como decorreu a partida poderá ter tido alguma imprevisibilidade.

 

O JOGO DO DIA

Jogo interessante em perspetiva para a segunda meia-final, evoluindo em campo dois conjuntos que nos tinham brindado, até então, com dois estilos distintos, mas com sucesso, chegando à partida de hoje com todas as possibilidades de atingir o último patamar da competição e disputar o título.

Se, inicialmente, a França já era favorita por todos os fatores que já conhecemos, um golo de Theo Hernández ao 5’ minutos teve um forte impacto naquilo em que os 85’ seguintes se transformariam, nomeadamente porque, como sabemos, Marrocos tem evidenciado um comportamento que visa um investimento avultado na organização defensiva, uma das suas virtudes, e, claro, a forma como saem com qualidade para transições rápidas, explorando a profundidade que é oferecida por adversários como os que haviam tido até agora na fase a eliminar. Ainda assim, se a França até poderia ter as linhas mais subidas, tendo em conta a sua superioridade no que concerne à qualidade individual, a verdade é que o golo madrugador criou a oportunidade de gerar outros problemas ao seu adversário, descendo as suas próprias linhas, obrigando o adversário a subir as suas, já que começava praticamente a perder.

Nesta conjetura, a seleção marroquina ocupou espaços que, nesta fase a eliminar, ainda não tinha ocupado com tanta frequência, sendo dominadora na posse e, inclusive, a nível territorial, sendo até possível afirmar que, se o apito para o intervalo surgisse com um empate no marcador, não estaríamos, seguramente, perante nenhum escândalo.

No regresso para os segundos quarenta e cinco minutos, Marrocos cumpriu com a sua obrigação de arriscar mais, mas não foi suficientemente competente para criar várias oportunidades de golo, tendo, inclusive, apenas um remate enquadrado, o que também dava espaço à França para, num momento de inspiração individual, “matar” a partida com um segundo golo, o que acabou por acontecer na entrada para os últimos 10’, já que Mbappé acabou por “desmontar” a defensiva adversário e mostrar o caminho para a final a Kolo Muani que aceitou avançar com o seu primeiro golo na competição.

A França acaba por, deste modo, conseguir ser superior à sua adversária por ter sido capaz de concretizar, mas essencialmente porque teve a humildade de adotar uma postura mais reservada, tendo demonstrado conforto na mesma, pois conseguiu anular com eficácia as aproximações do adversário.

Quanto a Marrocos, percurso sensacional (ainda não terminou) e atitude no jogo de hoje que, no mínimo, dignifica a fase a que conseguiu chegar. Entre boas individualidades e um grande coletivo, ficará na memória uma demonstração de que o futebol não tem fronteiras nem espaço para sobranceria.

 

A FIGURA DO DIA

Temos colocado o foco no jogador, contudo, achamos por bem que hoje, independentemente do que venha a acontecer na final, as nossas atenções recaiam em Didier Deschamps.

Embora exista o argumento válido de que tem muita qualidade ao seu dispor, a verdade é que também existem vários casos ao longo da história em que o valor individual foi insuficiente para as conquistas coletivas.

Numa seleção que, pontualmente, está associada a algumas polémicas nos seus balneários, a verdade é que o treinador francês foi sendo capaz de as contornar e disputar as competições em que esteve inserido com provas de competência.

No comando da seleção gaulesa desde 2012, jogará a sua terceira final em quatro possíveis, se tivermos em conta apenas Mundiais e Europeus, tendo estado na do Euro 2016, na do Mundial 2018 e, por fim, na do Campeonato do Mundo de 2022. Para além disso, se quisermos considerar a Liga das Nações, também já conta com uma no currículo.

Não há dúvidas de que estamos perante um trabalho fantástico.

 

O FORA DE JOGO DO DIA

Se encararmos apenas a eliminação de Marrocos de forma objetiva, é evidente que é algo negativo, pois acaba por não seguir em frente, contudo, se tivermos em conta todos os fatores, sobretudo aquele que nos demonstra que, provavelmente, tinha o percurso mais complexo até à final, tendo que eliminar Bélgica ou Croácia, de seguida Espanha, passando por Portugal até chegar à França, todos concordaremos que teve um trajeto soberbo, marcando de forma bastante forte esta edição do Campeonato do Mundo.

Assim, seria pouco coerente apontar para aquela que é, quiçá, a grande sensação do torneio, visto que a eliminação de hoje é consequência da superação das expectativas da maioria dos adeptos.

 

A CURIOSIDADE DO DIA

A França estará, pela quarta vez, na final de um Mundial: jogou a primeira em 1998, a segunda em 2006, a terceira em 2018 e, por fim, a quarta em 2022.

Se, em relação a esta edição, ainda não há certezas quanto ao vencedor, se viajarmos até ao passado, constatamos que o selecionador francês esteve presente nas duas conquistas (uma em 1998, como jogador, e a outra em 2018, como selecionador) e tendo a França perdido a outra final, no Alemanha 2006, frente à Itália que, desta vez, não está no Mundial.

Será o treinador francês um amuleto da sorte?

 

RESULTADO

MEIA-FINAL

França 2-0 Marrocos

 

Artigo com a opinião de Orlando Esteves, comentador BnR TV.
Redação BnR
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