CAN 2017: Nervos à flor da pele

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Nervos, tensão, incerteza e surpresa – estas quatro palavras descrevem perfeitamente as emoções vividas pelas seleções participantes ao longo dos jogos da 3.ª e derradeira jornada da fase de grupos do CAN 2017. Nas próximas linhas, falarei do que se pôde assistir nas diferentes partidas disputadas, com algumas das mesmas a terem um final de jogo dramático.

Começando pelo grupo A, o anfitrião Gabão não conseguiu garantir a passagem aos Quartos-de-final, o que se trata da grande surpresa do torneio. Nem mesmo com a presença de Pierre Aubameyang em campo durante os 90’, os gaboneses não conseguiram desatar o 0-0 e registaram o terceiro empate nos três realizados no grupo, desta vez frente aos Camarões. Com este resultado, a seleção de Vincent Aboubakar garantiu o 1.º lugar do grupo A com um total de 5 pontos amealhados, fruto de dois empates e uma vitória. Na outra partida, a Burquina Faso de Paulo Duarte conquistou a sua primeira vitória (0-2 frente à Guiné-Bissau) e em boa hora, uma vez que com este resultado conquistaram o 2.º lugar e o respetivo apuramento para a próxima fase da prova. Relativamente à classificação final, o Gabão e a Guiné-Bissau ficaram em 3.º e 4.º lugares, respetivamente, e dizem “adeus” à competição, com uma última palavra de apreço para com os guineenses, que na sua 1.ª participação de sempre num CAN dignificaram a sua bandeira e não se deram facilmente por vencidos, como era previsto inicialmente pelos entendidos do Futebol.

No grupo B, deu-se a confirmação de uma surpresa que já se estava a prever após o término da 2.ª jornada: a eliminação da favorita Argélia. Contra o Senegal, a seleção de Yacine Brahimi, Riyad Mahrez e Islam Slimani não foi além de um empate a dois golos, com o antigo avançado do Sporting C.P. a bisar no encontro. Apontada com uma das seleções candidatas à final do dia 5, os argelinos não conseguiram mostrar toda a sua qualidade técnico-tática nas três partidas realizadas, daí serem eliminadas numa fase prematura do torneio, com somente 2 pontos conquistados. O 1.º lugar ficou para o Senegal, com 7 pontos nas três partidas disputadas e a poder contar com Sadio Mané em excelente forma – 2 golos marcados, até ao momento. No jogo entre a Tunísia e o Zimbabué, a vitória sorriu aos tunisinos (2-4 no final da partida), que assim alcançaram o 2.º lugar do grupo B e a passagem à fase a eliminar. Como seria de adivinhar, o Zimbabué ficou no último lugar, embora tenha conquistado um bom resultado frente à Argélia (empate a 2-2), logo na ronda inaugural do grupo.

Euforia marroquina contrasta com o desalento costa-marfinense Fonte: CAN
Euforia marroquina contrasta com o desalento costa-marfinense
Fonte: CAN

O grupo C trouxe uma dupla surpresa: a eliminação da campeã em título Costa do Marfim e a conquista do 1.º lugar por parte da República Democrática do Congo. A seleção costa-marfinense entrou para a partida com Marrocos, com a certeza de que uma vitória bastaria para garantir a passagem à próxima fase. Tendo consciência desse facto, os jogadores da Costa do Marfim assumiram as despesas do jogo e tentaram desde o primeiro minuto do encontro marcar o golo que garantisse a qualificação para os Quartos-de-final, embora tenham sido surpreendidos pelo força do coletivo marroquino, que aos 60’ inaugurou o marcador, através de Rachid Alioui, resultado que não se alterou até final. A República Democrática do Congo bateu o Togo por 1-3 e, assim, terminou a fase de grupos no 1.º lugar do grupo C. Com a conjugação dos resultados da 3.ª jornada, Marrocos e Rep. Dem. do Congo passam à próxima fase do CAN, ao passo que Togo e Costa do Marfim ficam-se pela fase de grupos sem qualquer triunfo obtido.

Por último, o Egito garantiu o 1.º lugar do grupo D. Frente ao Gana que tinha vencido os dois jogos anteriores, um sensacional livre marcado por Mohamed Salah aos 11´ deu os 3 pontos aos egípcios e, consequentemente, a liderança do grupo. Apesar deste resultado negativo, os ganeses também passam à próxima fase do CAN. Quanto ao Mali e Uganda, as duas seleções despediram-se da prova com um empate a uma bola. Nota de destaque para Moussa Marega, atleta do Vitória do Guimarães, que fez o seu terceiro jogo a titular pelo Mali no torneio.

Em jeito de finalização, o Gabão, a Argélia e a Costa do Marfim são as grandes deceções da edição deste ano do CAN, uma vez que não conseguiram demonstrar em campo nas três partidas disputadas todo o favoritismo que possuíam antes do início do torneio. Daqui para a frente, as oito seleções que garantiram o passaporte rumo aos Quartos-de-Final – Camarões, Burquina Faso, Senegal, Tunísia, República Democrática do Congo, Marrocos, Egito e Gana, irão de tudo fazer para alcançar a final do próximo dia 5 e levantar o troféu que lhe possibilitará ser apelidada da “Seleção Mais Forte de África” e participar na Taça das Confederações. Que comecem, então, os Quartos!

Foto de capa: CAN

Guilherme Costa
Guilherme Costahttp://www.bolanarede.pt
O Guilherme é licenciado em Gestão. É um amante de qualquer modalidade desportiva, embora seja o futebol que o faz vibrar mais intensamente. Gosta bastante de rir e de fazer rir as pessoas que o rodeiam, daí acompanhar com bastante regularidade tudo o que envolve o humor.                                                                                                                                                 O Guilherme escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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