A CRÓNICA: PRIMEIRO GOLO ATÉ DEMOROU A SURGIR, MAS AS DIFERENÇAS ENTRE AS EQUIPAS SÃO MAIS DO QUE MUITAS

Depois de uma brilhante temporada 2020/21, o FC Paços de Ferreira começou hoje a ser premiado pela mesma, com o jogo da primeira mão da terceira pré-eliminatória da Liga Conferência Europa, em casa, frente ao Larne FC, da Irlanda do Norte. E mesmo sabendo que a chegada à fase de grupos será difícil (o Tottenham Hotspur FC está à espera no playoff), os primeiros ‘paços’ foram dados na direção certa.

Tiernan Lynch, treinador da equipa britânica, tinha dito na antevisão que o Paços de Ferreira era “extraordinariamente favorito” para esta eliminatória e, mesmo que a intenção fosse a de colocar pressão na equipa portuguesa, o técnico conhecia as (muitas) limitações da sua equipa. E essas foram bem visíveis, embora o caminho para o primeiro golo não tenha sido assim tão fácil…

É justo dizer que a equipa de Jorge Simão entrou bem no jogo, a tentar chegar rapidamente ao primeiro golo, fazendo sobretudo uso das bolas paradas (lançamentos e livres laterais que criaram algum perigo, com destaque para um remate à meia volta de Denilson Jr. que obrigou Rohan Ferguson a uma boa defesa após lançamento lateral longo de Jorge Silva). Mas o golo não surgiu rápido e o jogo ameaçou complicar-se.

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Apesar de muito inferior, a formação da Irlanda do Norte foi acertando as marcações e foi fechando melhor os espaços, complicando a tarefa do Paços, que ia revelando pouca paciência e ia recorrendo em demasia aos cruzamentos, o que diminui quase sempre as possibilidades de sucesso quando se defronta uma equipa que joga à base do kick and rush (embora com Herron e Randall a tratarem melhor a bola sempre que possível). Até que as já referidas limitações do Larne vieram ao de cima…

Ao minuto 44, pouco antes do intervalo, o guarda-redes Rohan Ferguson recebeu um atraso de um colega de equipa, deixou-se pressionar por Denilson Jr. e já nem foi a tempo de despachar a bola. O avançado do Paços de Ferreira colheu os frutos da pressão que exerceu e desbloqueou o jogo para a equipa lusa. Instantes antes, João Vigário saiu lesionado depois de uma entrada mais forte de Bolger (entrada limpa, mas firme) e Antunes entrou para o seu lugar, voltando a jogar com a camisola dos castores.

Em desvantagem no marcador, foi visível a intenção do Larne de fazer algo diferente no segundo tempo e tentar chegar de outra forma (e com algum tipo de perigo) à baliza de André Ferreira. Contudo, as dificuldades em sair a jogar foram notórias e o Paços não precisou de fazer muito mais do que esperar pelos erros dos jogadores adversários. Aos 70 minutos, Hélder Ferreira, recém-entrado na partida, aproveitou uma bola perdida pela deficiente tentativa de sair a jogar por parte dos norte-irlandeses, e assistiu Denilson Jr. para o bis do avançado.

Construída uma vantagem de algum conforto, e com o Larne já algo em baixo física e psicologicamente, o Paços chegou com naturalidade a mais dois golos. Aos 73’, Stephen Eustáquio, recém-regressado da Gold Cup pelo Canadá, fez o melhor golo do jogo, num belo remate de fora da área, muito colocado, para o fundo da baliza. E o 4-0 chegou aos 90’, com Uilton a encostar novo passe de Hélder Ferreira, depois de o jogador português se ter desmarcado nas costas da defensiva adversária.

Resultado natural face à enorme diferença entre as duas equipas, embora o erro alheio tenha sido fundamental na forma como o Paços chegou a uma vantagem confortável. A não ser que aconteça uma hecatombe na próxima semana, no jogo da segunda mão, os pacenses defrontarão um adversário radicalmente diferente (o Tottenham) no playoff. Difícil (muito), mas ninguém lhes tira o direito de sonhar.

 

A FIGURA

Denilson Jr. – Pode parecer básico atribuir esta distinção ao homem que fez os dois primeiros golos da equipa, mas num jogo em que o golo estava difícil de aparecer, num contexto de eliminatória europeia, Denilson Jr. fez o que se pede a um ponta de lança, aproveitando erros e estando no sítio certo para fazer a diferença. Destaque positivo também para as exibições de Lucas Silva e Stephen Eustáquio.

 

O FORA DE JOGO

Rohan Ferguson – O guarda-redes escocês foi o maior exemplo da intranquilidade demonstrada pela sua equipa. Teve bastante trabalho, mas desde cedo se percebeu que se mostrava intranquilo em alguns lances. A recolher cruzamentos e a jogar com os pés, mostrou sempre desconforto, facilitando assim a tarefa da equipa portuguesa.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PAÇOS DE FERREIRA

Jorge Simão apresentou-se para este jogo num 4-3-3, com o meio-campo com dois médios mais recuados (Luiz Carlos e Eustáquio) atrás de Nuno Santos. Os homens das alas (Jorge Silva e Juan Delgado à direita, Vigário e Lucas Silva à esquerda) tentavam criar desequilíbrios, embora Lucas Silva tenha sido mais eficiente do que Juan Delgado nessa tarefa. De resto, os pacenses denotaram algumas dificuldades de construção no primeiro tempo, recorrendo em demasia ao cruzamento contra uma equipa algo confortável a defender esse tipo de bolas.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

André Ferreira (6)

Jorge Silva (6)

Marco Baixinho (6)

Maracás (6)

João Vigário (6)

Luiz Carlos (6)

Stephen Eustáquio (7)

Nuno Santos (6)

Juan Delgado (5)

Lucas Silva (7)

Denilson Jr. (8)

SUBS UTILIZADOS

Antunes (6)

Uilton (7)

Hélder Ferreira (7)

Matchoi Djaló (6)

Douglas Tanque (6)

 

ANÁLISE TÁTICA – LARNE FC

Tiernan Lynch veio à Capital do Móvel num sistema de 5-4-1, com Watson, Bolger e Hughes a serem os três centrais da formação norte-irlandesa, Balmer à direita e Jarvis à esquerda a completarem o quinteto defensivo. Herron e Sule foram os dois médios mais centrais, com Cosgrove e Randall nas alas, todos atrás do avançado McDaid. Os britânicos tentaram ao máximo organizar-se defensivamente, mas não esperavam o erro do seu guarda-redes antes do intervalo e, quando tentaram ir atrás, ofereceram mais possibilidades ao Paços de Ferreira.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ferguson (3)

Balmer (5)

Watson (5)

Bolger (6)

Hughes (5)

Jarvis (5)

Sule (5)

Herron (4)

Cosgrove (4)

Randall (5)

McDaid (4)

SUBS UTILIZADOS

Mitchell (4)

Kelly (-)

Hale (-)

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