Fair Play financeiro, um entrave à competitividade?

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Cabeçalho Futebol NacionalDevido à recente situação que teve como “figura” o Futebol Clube do Porto, voltou de novo a ouvir-se falar com frequência na expressão “fair play financeiro”. Neste caso específico, a UEFA irá vigiar de perto a gestão do clube, de modo a garantir que os resultados financeiros melhorem gradualmente nos próximos três anos, até se tornarem positivos. Uma espécie de “Troika” do futebol, portanto, que já interveio anteriormente em dezenas de casos, sendo os mais mediáticos os do Paris Saint Germain e Manchester City.

O FC Porto foi a última "vítima" do  controlo de Fair Play Financeiro imposto pela UEFA Fonte: somosporto.com.pt
O FC Porto foi a última “vítima” do controlo de Fair Play Financeiro imposto pela UEFA
Fonte: somosporto.com.pt

Com a transformação do futebol numa indústria na qual circulam milhões de euros, e o surgimento de cada vez mais de “magnatas” e grupos de investimento a desejar aplicar dinheiro nos clubes, a UEFA aprovou em 2010 um conjunto de regras as quais apelidou de “Fair play Financeiro”, como forma de travar esta tendência. Segundo esta instituição, o objectivo do cumprimento destas regras é “melhorar a saúde financeira global do futebol europeu de clubes”, obrigando estes a provar que não têm dívidas em atraso, e impedir que gastem valores mais elevados do que aqueles que recebem.

No entanto, será que estas regras contribuem mesmo para a saúde do futebol? Pegando no exemplo do futebol português, sabemos que as principais receitas dos clubes são os direitos das transmissões televisivas e os contratos com os patrocinadores. Nos clubes grandes, acrescem obviamente as receitas provenientes das quotas dos associados do clube, das assistências dos jogos e do “merchandising”, bem como as receitas obtidas pelas participações nas provas europeias (fundamentalmente na Liga dos Campeões). É por tudo isto, que estes são os que mais conseguem investir na construção dos seus planteis, pois a base de associados que possuem e a visibilidade que têm atraem mais patrocinadores e inflacionam os direitos televisivos, permitindo assim a entrada de mais dinheiro nos seus cofres do que os clubes ditos “menores”. Quanto aos pequenos, o baixo número de associados e o escasso número de adeptos nos estádios levam a um inferior investimento por parte de patrocinadores e a um menor valor recebido relativamente às transmissões televisivas.

David Vinagreiro
David Vinagreirohttp://www.bolanarede.pt
O David é um apaixonado pelo futebol desde criança, o que o levou a seguir o estudo do desporto por via académica com o sonho de se tornar treinador. Paralelamente, sempre teve gosto pela leitura e pela escrita, pelo que juntar o prazer da escrita com a paixão pelo futebol acabou por ser um processo natural.                                                                                                                                                 O David escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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