A tradição não se pode comprar

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Com 29222 adeptos nas bancadas, o ambiente que se vivia do DDV-Stadion era electrizante e as mensagens menos simpáticas dirigidas ao RB Leipzig surgiam de cada canto do estádio. O SG Dynamo Dresden que, orientado pelo experiente Uwe Neuhaus, viveu um momento de excelência na temporada passada, após ter-se sagrado campeão na 3.Bundesliga e tendo por isso ascendido de categoria, procura agora reunir forças para sobreviver a uma das ligas mais competitivas do velho continente, como é caso da 2.Bundesliga. Assim, tinha no encontro de Sábado à tarde uma janela de motivação extra para os desafios agrestes que estão para vir.

Munido do espírito de luta que o caracteriza, o Dynamo media forças com uma equipa de milhões, que conta nas suas fileiras com diversos internacionais de vários países como são os casos de Naby Keita, Yussuf Poulsen, Stefan Ilsanker, Marcel Sabitzer, Peter Gulacsi, Emil Forsberg e o irmão de Sami Khedira, Rani, também ele internacional jovem pela Alemanha, mas nem por isso baixou os braços. A perder por 2-0 ao intervalo após os golos de Marcel Sabitzer aos 15 minutos de jogo e de Dominik Kaiser da marca dos 11 metros já em período de descontos, Uwe Neuhaus fez entrar o versátil lateral direito Nils Teixeira para a segunda metade, de forma a obter maior profundidade naquele flanco e a sua entrada conferiu outro andamento atacante à equipa. Aos 47 minutos, também da marca de grande penalidade, o possante avançado alemão Stefan Kutschke reduziu para o Dynamo, castigando uma falta sobre o jovem internacional pela Alemanha e estrela da companhia, Marvin Stefaniak. Os homens da casa carregavam e, no minuto 78, o mesmo Stefan Kutschke, com um disparo bem colocado de fora da área, empatava a partida, aproveitando o golo para mais uma vez (já o havia feito a seguir à grande penalidade) provocar os adeptos visitantes, apontando para o emblema do Dynamo na sua camisola e dizendo que ele nasceu e pertence ali, fazendo assim uma clara alusão às origens dúbias do RB Leipzig.

A partida continuou a ritmo frenético até ao final, com oportunidades para os dois lados, e teve em Marvin Schwäbe um herói de último minuto, quando o jovem guarda-redes alemão do Dynamo fez uma defesa incrível ao cabeceamento do avançado dinamarquês Yussuf Poulsen, levando o jogo para prolongamento. Do tempo-extra nada de muito importante a registar, com excepção de um remate cruzado de Akaki Gogia, que chegou recentemente à formação de Dresden por empréstimo do Brentford FC, que passou junto ao poste da baliza do húngaro Peter Gulacsi.

Momento em que Aias Aosman bateu a grande penalidade decisiva que deu a vitória ao SG Dynamo Dresden Fonte: SG Dynamo Dresden
Momento em que Aias Aosman bateu a grande penalidade decisiva que deu a vitória ao SG Dynamo Dresden
Fonte: SG Dynamo Dresden

A decisão da partida foi então tomada nas grandes penalidades e aí a “sorte” sorriu ao SGD Dynamo Dresden, que sairia vencedor do encontro. Os homens da casa não falharam nenhuma grande penalidade e viram o seu guarda-redes Marvin Schwäbe parar com classe o disparo de Dominik Kaiser, para assim garantirem um lugar na próxima eliminatória do DFB Pokal.

O romantismo tende a desaparecer do futebol e quase regularmente assistimos à proliferação dos grandes grupos financeiros num desporto onde o elemento principal deveria ser o talento e não o capital. “Kult gegen Kommerz”, “Tradition gegen Brause-Millionen” (“Culto contra Negócio”, “Tradição contra os milhões”)  – eram estes os títulos da imprensa alemã nos dias que antecederam o jogo deste Sábado. No final, o SG Dynamo Dresden, que em tempos coabitou entre os grandes do futebol europeu e foi 8 vezes campeão da antiga RDA, puxou dos galões e mostrou que, realmente, há coisas que no futebol, assim como na vida, não se podem comprar.

Foto de capa: SG Dynamo Dresden

Joel Amorim
Joel Amorimhttp://www.bolanarede.pt
Foi talvez a camisola amarela do Rinat Dasaev que fez nascer, em Joel, a paixão pelo futebol russo e pelo Spartak Moscovo. O futebol do leste da Europa, a liga espanhola e o FC Porto são os tópicos sobre os quais mais gosta de escrever.                                                                                                                                                 O Joel não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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