O sonho do touro enraivecido passa por derrubar o gigante da Baviera

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O FC Bayern recebe o RB Leipzig no jogo grande da jornada 21 da Bundesliga. E pela primeira vez em vários meses, está no lugar que melhor reconhece no campeonato germânico.

E o inevitável acabou por acontecer. A vitória do Bayern em Mainz, aliada ao empate caseiro do Leipzig frente ao Borussia Moenchenglabdach, catapultou a equipa bávara, sete vezes campeã nas últimas sete temporadas, para a liderança isolada da Bundesliga. A experiência tem sido recorrente (basta olhar para o que aconteceu na última temporada), mas na presente época a concorrência do Bayern parece mais atrevida.

A dupla de Borussias continua a ser uma ameaça, mas a equipa que parece mais capacitada para competir com o conjunto de Hans-Dieter Flick, é o Leipzig de Julian Nagelsmann. Até à derrota do passado dia 25 de Janeiro, em Frankfurt, para o campeonato, a equipa do Leste da Alemanha vinha de uma série impressionante, de nove jogos consecutivos sempre a marcar pelo menos três golos nos encontros da Bundesliga. Mas agora o cenário é outro e as dúvidas adensaram-se depois de três partidas oficiais sem vitórias (a segunda pior fase da temporada).

As duas derrotas em Frankfurt, para o campeonato e taça, trouxeram à luz as fragilidades de um Leipzig que ainda se sente desconfortável em vários momentos de transição/organização defensiva, que potenciam deslizes individuais e coletivos. Jogando entre um esquema em 3-4-2-1 e 3-4-1-2, de forma a encaixar taticamente no Eintracht de Adi Hutter, a equipa de Nagelsmann revelou debilidades atrás e foi menos assertiva do que vinha sendo costume nos momentos de ataque. A avalanche à moda de Leipzig, que se traduz numa capacidade de aparecer com seis/sete homens no final de cada jogada ofensiva, não surtiu efeito.

As múltiplas variantes táticas do antigo técnico do Hoffenheim (4-4-2, 4-3-1-2, 4-2-4, 4-3-3 e 4-2-3-1 têm sido outros sistemas recorrentemente utilizados) seguem a cátedra de que, num jogo mais do que o sistema em si, importam as dinâmicas colocadas em prática pela equipa. O controlo da profundidade perante formações capazes de empreender ataques rápidos e verticais é um problema para este Leipzig e o Bayern, equipa avassaladora nos momentos ofensivos, pode aproveitar para fazer mossa numa estrutura defensiva que nos jogos perante adversários com mais atributos tem sofrido bastante.

Julian Nagelsmann é o atual treinador do RB Leipzig
Fonte: Bundesliga

Na Allianz Arena, Nagelsmann deve recorrer ao 4-4-2 para ter uma equipa mais equilibrada e coesa em todos os momentos do jogo. No eixo central, as duplas Klostermann-Upamecano e Laimer-Adams estão talhadas para dar consistência e equilíbrio maior nas reações à perda. O lateral adaptado a central tem sido uma boa novidade, pelo critério na saída de bola, algo que é comum a Upamecano (defesa que se revela também muito forte nos duelos aéreos e nos desarmes). Já o duo da zona interior do meio-campo, mostra argumentos na saída de bola, capacidade de pressão e sentido posicional, o que pode ser fundamental para anular as movimentações cirúrgicas de Kimmich-Goretzka-Thiago (ou Tolisso).

Esse é o desafio que se coloca ao Leipzig: como parar uma máquina bem oleada como a deste Bayern. Os heptacampeões germânicos têm como o adversário desta jornada problemas no espaço defensivo e nem sempre dão a melhor resposta no controlo dos primeiros 30 metros. Mas com bola, quer num ataque mais posicional, quer em ofensivas mais vertiginosas, revelam um poderio acima da média. A qualidade a elaborar a partir da defesa de Alaba (reconvertido em central com sucesso por Flick) e a visão de jogo prodigiosa de elementos como Kimmich ou Thiago são fundamentos básicos para o sucesso do modelo de um Bayern que tem marcado muitos golos neste arranque de 2020. Além disso, a profundidade dada pelos laterais (chave nas duas equipas) pode ser também um critério determinante, em dois conjuntos que trabalham o jogo de ataque com muita qualidade em todos os corredores.

Timo Werner frente ao SL Benfica
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

E depois, não nos podemos esquecer de um detalhe: no ataque, vão estar frente a frente os goleadores de proa desta Bundesliga. Robert Lewandowski, com 22 golos, recebe em casa uma espécie de «herdeiro», Timo Werner, autor de 20 golos até aqui no campeonato. Com características distintas, mas grande apetite pela baliza e enorme facilidade de remate, estes dois avançados vão proporcionar certamente um duelo de sonho. As balizas da Allianz Arena que se cuidem!

APOSTA VIP: +2,5

Ao que tudo indica este vai ser um jogo com golos, dadas as características de uma e da outra equipa. O Bayern tem 33 golos em 10 encontros caseiros nesta Bundesliga e é uma equipa fortíssima no momento ofensivo. Ao mesmo tempo, defensivamente sofre perante adversários fortes no ataque rápido e contra-ataque, como o Leipzig.

Foto de Capa: FC Bayern Munique

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Francisco Sousa
Francisco Sousahttp://www.bolanarede.pt
Licenciado em jornalismo, o Francisco esteve no Maisfutebol entre 2014 e 2017, ano em que passou para a A BOLA TV. Atualmente, é um dos comentadores da Eleven.

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