Alex Muralha, o vilão escolhido

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Cruzeiro e Flamengo decidiram a Copa do Brasil 2017. Após o primeiro jogo ter terminado empatado em 1 x 1 – no Maracanã – o jogo de volta teria todo caráter dramático que em uma final com dois gigantes do futebol nacional se espera. O jogo de volta no Mineirão foi bem fraco tecnicamente. Ambas as equipes não jogaram com ânsia de ser campeã do torneio, nem parecia um jogo de final da Copa do Brasil. O resultado do confronto foi outro empate – dessa vez por 0 x 0 – e a decisão do título ficou para as cobranças de pênaltis.

Esse cenário – de disputa por pênaltis – era talvez o melhor que poderia ter acontecido a um jogador das duas equipes. O goleiro Alex Muralha do Flamengo vinha sendo muito criticado por parte da imprensa e dos torcedores pelas fracas atuações que teve na temporada e também por ser considerado um goleiro que não consegue defender pênaltis. Vale lembrar que o Flamengo tem em seu elenco o goleiro Diego Alves que é considerado o melhor goleiro brasileiro na questão de defesas de pênaltis. Porém, o arqueiro não estava inscrito para atuar na Copa do Brasil.

A pressão sobre o Muralha nessa decisão foi demasiadamente exagerada. Não se pode exigir que o goleiro defenda uma cobrança de pênalti. É claro que essa qualidade pode ser aprimorada e os goleiros devem evoluir nessa questão. Esperar o máximo de tempo possível para escolher o canto, estudar os batedores adversários e ter boa impulsão são alguns requisitos que o goleiro deve ter.

Mas apesar da pressão que estava vivendo, era um bom momento para o jogador dar a resposta a todos. Era a chance de mostrar que é competente nesse requisito e consagrar-se no clube sendo o herói da decisão. Entretanto, as coisas não saíram como imaginou o goleiro e o Cruzeiro foi campeão da Copa do Brasil. Para piorar a situação o jogador não defendeu nenhuma cobrança e sempre pulava para o mesmo lado, o canto direito. Após o jogo Muralha disse que pulou apenas para o canto direito por questão de tática.

Thiago Neves escorregou na sua cobrança de pênalti mas mesmo assim conseguiu fazer o gol no goleiro Muralha que pulou para lado direito do gol  Fonte: Uarlen Valério/O Tempo/ Estadão Conteúdo 1
Thiago Neves escorregou na sua cobrança de pênalti mas mesmo assim conseguiu fazer o gol no goleiro Muralha que pulou para lado direito do gol
Fonte: Uarlen Valério/O Tempo/ Estadão Conteúdo 1

Após a derrota flamenguista choveram críticas ao goleiro e o responsabilizaram pela perda do título. O Muralha não é goleiro de nível para o Flamengo. E realmente ele não é o goleiro titular do Flamengo. O Diego Alves é o titular indiscutível da posição.  Mas mesmo não estando à altura do clube que defende era o que o time tinha de melhor disponível. Muralha fez um jogo seguro, não foi tão exigido e as suas participações no tempo regulamentar foram satisfatórias. Talvez na cobrança de pênaltis tenha tomado à decisão errada de sempre pular para o mesmo lado. Porém, aquele é o momento do jogador e ele tem que decidir qual tática adotar. Caso perceba que algo não está dando certo cabe ao atleta aprimorar-se.

O Flamengo perdeu a Copa do Brasil não pelo fato do Muralha não ter defendido pênalti e sim por que o Cruzeiro foi mais eficiente nessa questão. O meia Diego – grande nome da equipe Rubro-Negra – desperdiçou uma cobrança e isso sacramentou a queda da equipe carioca no Mineirão. Agora crucificam mais o goleiro do que o meia. Não que ache que o Diego mereça ser crucificado pelo pênalti perdido. O Flamengo foi muito mal no sistema ofensivo nos dois jogos. Criando poucas chances de gol e fazendo uma transição ofensiva muito ineficaz. Culpar o goleiro pela perda do título em uma disputa de pênalti é no mínimo não querer ver as deficiências que o time apresentou em campo.

O jogador e o clube devem seguir caminhos diferentes na próxima temporada. O que será muito bom para o jogador que poderá ter mais tranquilidade para trabalhar em novos ares. Jogar no Flamengo é sempre complicado e quando a pressão chega a um nível insustentável é melhor ocorrer a separação entre as partes.

 

César Mayrinck
César Mayrinckhttp://www.bolanarede.pt
Enquanto criança queria ser jogador de futebol e para o bem dos torcedores do Atlético Mineiro não foi aprovado no teste. Encontrou nas palavras a melhor maneira de se expressar sobre a sua paixão, o futebol. Amante do futebol brasileiro e do futebol alternativo, acorda facilmente às três horas da madrugada para ver um jogo do campeonato neozelandês.

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