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Uma estátua ao trabalho de Abel no SE Palmeiras

Kayalu Castro da Silva · 6 min

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Estátua ao abel pelo trabalho de Palmeiras

Adeptos insatisfeitos, diretores sob pressão e um técnico, uma vez ídolo, caía em desgraça na sua derrocada conforme o desempenho não era demonstrado através do segundo elenco mais caro do Brasil. Este era o prognóstico em que Abel Ferreira aceitou o desafio de assumir o comando da Sociedade Esportiva Palmeiras.

A sua caminhada, como qualquer percurso na vida, trouxe alegrias, tristezas, dúvidas e principalmente inveja daqueles que o deveriam apoiar, mas acabaram por ceder diversas maneiras para “matar” o período de Abel no SE Palmeiras. Neste ponto de vista, pode-se fazer o paralelo entre a história de Abel (Abel Ferreira) e Caim (Adeptos).

Análise ao trabalho do Abel

Como um estudioso hábil, antes mesmo de colocar os pés na cidade de pedra chamada São Paulo, Abel consumia material sobre a história da equipa paulista. No avião, o técnico português mostrava a sua melhor valência, a preparação, ao analisar o plantel total do SE Palmeiras, além de desvendar a história por trás do verdão. O seu objetivo? Dar desempenho a um elenco milionário e conquistar o que ainda é o único título de importância internacional não conquistado pelo SE Palmeiras, o Mundial de Clubes.

O seu empecilho? Adeptos cansados exalam inveja dos seus rivais que possuem o título máximo internacional para um clube brasileiro. O Mundial de Clubes.

Ao chegar, Abel não teve medo de preferir o uso de jovens jogadores ao mesmo tempo, em que deixava no balneário jogadores com os maiores ordenados do plantel. Danilo, Patrick de Paula, Gabriel Menino e Gabriel Veron, entre outros, são jogadores que Abel, antes mesmo de realizar o seu primeiro treino, já tinha noção sobre o seu total potencial futuro.

Além disso, conforme o tempo passou, Abel rapidamente identificou as melhores características do plantel palmeirense. Uma defesa sólida, sob o comando do paraguaio Gustavo Gomes, somada à qualidade do guarda-redes Weverton, tornou a defesa do SE Palmeiras como a melhor da América do Sul.

Como se não bastasse, Abel recuperou jogadores quase esquecidos. O que futuramente tornar-se-ia o Rei da América, Rony, antes de Abel, era visto como um jogador sem a qualidade necessária para jogar no verdão.

Sem dúvidas, o Caim, no primeiro momento, apreciava o seu irmão Abel, com total prestígio presente principalmente nos jogos eliminatórios da Copa Libertadores e da Copa do Brasil.

A primeira versão do SE Palmeiras de Abel mostrou a polivalência tática que impressionou, não só Caim, mas também o Brasil inteiro. Através de um jogo com transições rápidas, com bolas longas em direção à Rony e usando Luiz Adriano como ponta de lança, de maneira a segurar a bola no ataque. Além disso, o toque de bola envolvente, através de Raphael Veiga e Zé Rafael, mostrava uma maturidade tática acima do nível brasileiro. Foi questão de tempo para que os títulos viessem. No entanto, não foi uma missão fácil.

É preciso ponderar que, durante o ano de 2020, a pandemia fez com que o calendário brasileiro de futebol encurtasse as suas datas, aumentando a carga de jogos com poucos dias de descanso. Isto fez com que houvesse diversos problemas físicos e de fadiga por diversos clubes no Brasil. Mesmo assim, Caim não se importava com este detalhe, ele só queria a melhor face de Abel.

Assim, o desempenho inicial de Abel já não era o mesmo dos primeiros meses de trabalho. Por vezes, o futebol de toque de bola era resolvido através da esperteza tática, ensaiado na bola parada e também resolvido com base na individualidade de alguns jogadores.

O segundo jogo das meias finais, contra o CA River Plate, ligou os primeiros sinais de alerta para a claque do verdão. Após um sonoro e impressionante resultado por 3-0 na Argentina, o que foi observado na partida de volta foi uma atuação acovardada e tenebrosa da equipa de Abel. Entretanto, o CA River Plate quase conseguiu reverter a desvantagem na própria casa do SE Palmeiras. Mesmo assim, o Palestra Itália chegava à final da Libertadores após 20 anos.

A própria final da Libertadores foi algo atípico. Considerada uma das piores finais de todos os tempos, o jogo teve ambas as equipas priorizando a defesa, resultando num jogo pouco vistoso e burocrático. Desta forma, num momento em que toda a América assistia à equipa de Abel, o desempenho que a sua equipa produziu passou longe dos elogios. No entanto, a cabeça de Breno Lopes deu a glória máxima ao técnico português no seu primeiro título na carreira. O primeiro passo para curar a inveja de Caim sobre os seus rivais foi dado.

Como visto acima,  o encurtamento do calendário futebolístico brasileiro fez com que o campeão da Libertadores tivesse apenas sete dias entre a final, no Maracanã, e o primeiro jogo da maior obsessão da Sociedade Esportiva Palmeiras

Dificuldade em adaptação a um fuso horário diferente e muita fadiga, por conta da temporada atípica, foram alguns dos fatores que fizeram com que o despreparo estivesse à porta do balneário de Abel.

A inveja de Caim começou a ser latente a partir do que deveria ser a principal oportunidade de acabar com a falta do maior título internacional para o SE Palmeiras. A campanha no Mundial de Clubes foi algo a ser esquecido por parte da torcida palmeirense. O terrível percalço na derrota contra o Tigres-MEX tirou cedo demais as hipóteses de título da equipa brasileira. Como se não bastasse, o SE Palmeiras empatou e perdeu nas penalidades na disputa do 3.° lugar. Desta forma, o SE Palmeiras de Abel realizou a pior campanha de uma equipa brasileira na história do Mundial de Clubes, sem fazer um golo sequer no torneio.

O Caim estava cada vez mais perto de tomar alguma providência mais concreta sobre Abel. Apesar do título da Copa do Brasil, as sucessivas derrotas em finais contra clubes de menor expressão eo vexame no Mundial de Clubes, somados à queda de desempenho, deixava a morte (demissão) de Abel como algo atingível.

Voltamos um dia atrás. O SE Palmeiras chegava ao confronto no segundo jogo das meias de final contra o Clube Atlético Mineiro, com total pressão sobre si. As recorrentes eliminações, o desempenho por vezes inconstante e uma primeira ronda completamente dominada pela equipa adversária davam total pressão para uma nova eliminação de Abel.

Na verdade, o que se viu no mais recente capítulo da saga do técnico português em solo brasileiro foi a resposta de Abel com toda a capacidade e competência que o determinam como um dos melhores da América.

Com uma apurada tática, envolvendo o esquema da moda, com três defensores, Abel projetou um SE Palmeiras com dois avançados móveis de velocidade para ganhar os embates através da rapidez. As dificuldades aparecem quando o Club Atlético Mineiro saiu na frente e ainda teve a oportunidade de ampliar o resultado. No entanto, a falha do defensor Nathan foi fundamental para que o SE Palmeiras arrancasse o empate em pleno Mineirão.

Após suportar a pressão do seu irmão Caim, Abel novamente ressurge com uma força que pode novamente fazer história no continente americano caso conquiste o bicampeonato, algo que não ocorre há mais de 20 anos. Através de tropeços, dúvidas, afirmações e momentos de brilhantismo, Abel chega a sua segunda final de Libertadores consecutiva e espera novamente fugir dos planos maléficos do seu irmão, por vezes invejoso, Caim.

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

Kayalu Castro da Silva

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