FC Barcelona | É agora ou nunca, Ansu Fati

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Não há muitos jovens com potencial de Bola de Ouro. Em tempos, Ansu Fati esteve na conversa. Empilhava recordes no FC Barcelona sem parar: mais jovem a marcar no Camp Nou, na Liga, na Champions, na Seleção, etc. Conquistou o coração dos adeptos culés e vivia o sonho. Era feliz, até acontecer algo chamado vida.

Em novembro de 2020, lesionou-se gravemente no joelho (menisco), foi operado quatro vezes em seis meses e tornou-se um ciclo. Voltou. Lesionou-se. Voltou. Lesionou-se. E assim sucessivamente até finais de abril de 2022. Desde então não é a mesma pessoa. Quebrou o rendimento no clube e seleção, faltando o atrevimento e faísca ofensiva que nos tinha habituado. 

Há duas possíveis explicações: o aspeto físico e o mental. Segundo a jornalista Laia Tudel, os analistas físicos da equipa catalã apontam que o jovem não está a 100% fisicamente e que sente problemas na força e elasticidade nos duelos 1v1. E isso repercute-se no mental. Fati é uma criança que teve de ser adulto cedo demais. Não deve ser fácil, tão novo, suportar mentalmente o corte do sonho, com uma lesão grave durante mais de um ano, herdando a camisola 10 de Messi, pressão e expectativa de milhões de adeptos mesmo com dificuldades físicas. Parece-me estar sem confiança e, pior, preso num labirinto psicológico. O talento continua lá, só está à espera que Fati encontre a saída.

Iniciou-se assim um debate sobre se deveria ser mantido, emprestado ou vendido. Creio que, sem querer, Boris Fati (pai) decidiu o futuro do filho por ele. Criticou Xavi pela pouca utilização do filho, ameaçou tirá-lo do clube (não descarta Real Madrid e segue Bayern Munique) e ainda reprovou a direção catalã por forçarem o filho a voltar rápido de lesão e não trata-lo bem. 

Fati quer ficar e não se revê nos comentários do pai, mas vejamos bem as coisas: tem poucos minutos e rendimento, é jovem, é valorizado economicamente, o Barcelona precisa de dinheiro e agora a sua família abriu guerra com o clube. Ser vendido é uma opção real caso apareça uma boa proposta. 

Até ao fim da época, não há nada a fazer. O que necessita agora é de maior apoio e acompanhamento e eventualmente pode muito bem encontrar-se de novo. É dar tempo e se não houver mudança, aí toma-se uma decisão. Contudo, o curso desta história depende de uma só pessoa: Ansu Fati. É o ponto de viragem dos filmes: é agora ou nunca. 

Diogo Lagos Reis
Diogo Lagos Reishttp://www.bolanarede.pt
Desde pequeno que o desporto lhe corre nas veias. Foi jogador de futsal, futebol e mais tarde tornou-se um dos poucos atletas de Futebol Freestyle, alcançando oficialmente o Top 8 de Portugal. Depois de ter estudado na Universidade Católica e tirado mestrado em Barcelona, o Diogo está a seguir uma carreira na área do jornalismo desportivo, sendo o futebol a sua verdadeira paixão.

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