Juízo, prudência e cabeça fria | Friburgo x Braga

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Europa League 2025/26, Meias-finais, 2.ª mão: quinta-feira, 7 de maio, 20h, Europa Park Stadion

ANTEVISÃO: A PRIMEIRA VEZ ‘FREIBURGER’ E O SONHO QUE ARSENALISTAS, OS EXPERIENTES DA RELAÇÃO, PODEM ROUBAR  

Um troféu europeu à distância de 180 minutos. E para ir a Istambul disputar os derradeiros noventa, cabe ao Sporting de Braga aguentar na Brisgóvia a vantagem trazida da Pedreira. À sua espera, 30 mil alemães que nunca viram o seu clube numa situação tão próxima da glória: é a melhor temporada europeia de sempre para o Friburgo, e por isso natural que a ânsia do sonho se traduza em euforia desmedida. Cabe aos portugueses, podendo repetir a final de há 15 anos, serenar ânimos, tendo a frieza que habitualmente se atribui aos germânicos. Para a inversão de papéis, exige-se a sensatez de saber gerir expectativas e aguentar uma previsível explosividade inicial – que, ao 61º jogo da época, será tudo menos fácil.

Genk e Celta (que até tinha eliminado o Lyon, líder destacado da fase de Liga) não resistiram à entrada forte dos alemães. No Europa Park (ou no Mosswald, nome para os adeptos, que faz referência à zona envolvente, ou Stadion am Wolfswinkel, nome institucional sem os enfeites comerciais do patrocínio) os minutos iniciais definirão o que resta da eliminatória. Repetindo a primeira parte de Sevilha, seria meio caminho andado para o descalabro.

O Friburgo não vence há quatro jogos, sim, e perdeu nas últimas semanas a oportunidade de chegar à final da Pokal (caindo no prolongamento com o Estugarda de Hoeness), sim, e teve a infelicidade de perder Suzuki, o ‘10’ de serviço (logo ele, que tinha sido titular nos últimos 11 jogos europeus), num fim-de-semana que Julian Schuster rodou um total de… dois elementos, sim; Mas há melhor oportunidade para quebrar o pequeno ciclo negativo que fazendo história, alcançando final inédita da qual só precisam de anular desvantagem de um golo?

Ainda para mais tendo o Braga tanta gente a acusar o desgaste físico. Num departamento médico já com Niakhaté, Arrey-Mbi, Diego Rodrigues, Barisic e Grillistch, juntaram-se nos últimos dias Victor Gómez, Gabri Martínez e Ricardo Horta, que obrigam Carlos Vicens a coçar a cabeça. Entre situações mais graves e eventuais mind games, respostas concretas só no apito inicial, até porque os três em dúvida seguiram integrados na comitiva.

Certezas mesmo só em relação ao contingente de apoio. Será enorme, em grande escala – dos 34 mil lugares do estádio, prevê-se que 2500 sejam ocupados por adeptos e sócios do Braga, falange incansável à qual se junta em espírito toda uma cidade: está confirmada a instalação dum ecrã gigante na Praça do Município, de modo a garantir comunhão suficiente que ajude e manifeste o sucesso internacional da cidade e do País.

Até Davide Massa se junta para compor o ramalhete festivo. Já depois de ter estado na Luz no 4-2 ao Real Madrid, foi ele quem dirigiu o 2-4 com que o Braga eliminou o Bétis.   

Terá como auxiliares Filippo Meli e Stefano Alassio, e o belga Erik Lambrechts como quarto árbitro. O VAR e o AVAR são, respectivamente, Daniele Chiffi e Luca Pairetto.

10 DADOS RÁPIDOS

  1. 13 jogos europeus deste Friburgo, com três derrotas – todas fora. Em casa, só vitórias em seis jogos, com 14 golos marcados (oito deles nos últimos dois jogos, cinco ao Genk e três ao Celta)
  2. A última derrota europeia em casa data de… Outubro de 2023, frente ao West Ham. Desde aí, 10 vitórias em 10 jogos
  3. Na Bundesliga, a boa performance no Europa Park reflecte-se no sétimo lugar actual: oito vitórias e cinco empates em 16 jornadas, registando ciclo sem derrotas entre final de Agosto e meados de Março!
  4. Se olharmos à tabela classificativa contando apenas os jogos fora, o Friburgo estaria no 11º posto.
  5. Na fase a eliminar da Liga Europa, esse factor casa foi explorado ao máximo: frente ao Genk, a derrota da Bélgica foi virada em 25 minutos; na recepção ao Celta, não se precisou de muito mais (32’) para construir vantagem de dois golos.
  6. Em termos individuais, com mais presenças: Eggenstein (49 jogos, 4433 minutos), Grifo (49, 2768’) e Ginter (48, 4373’). Atubolu, o guarda-redes, conta 46 jogos.
  7. E em golos: Grifo, com 14, e Matanovic, com 12. 
  8. O Braga ganhou 2 dos cinco jogos em solo germânico. De recordar o 2-3 em Berlim frente ao Union, em 2023/24.
  9. Davide Massa nunca encontrou o Friburgo, mas já encontrou alemães em 20 ocasiões: e em 10 jogos na Alemanha, só por três vezes a vitória foi para os da casa.
  10. Dá mais sorte a portugueses, com 11 vitórias lusas em 19 encontros sob sua vigilância

JOGADORES A TER EM CONTA

Johan Manzambi Friburgo
Fonte: Paulo Ladeira/Bola na Rede

Manzambi- Mais um diamante polido pela intensidade sui generis da Bundesliga. Suíço, encontrado pelos responsáveis do Friburgo na formação do Servette, Johan Manzambi domina intermediárias de toda a maneira e feitio: se o jogo se torna mais físico, não tem problemas em dividir duelos (e em ganhá-los quase todos); se o foco é no xadrez tático, tem a inteligência na ocupação de espaço e o raio de acção para os preencher adequadamente; e se o problema é técnica, aí está ele a passar de recuperador a playmaker, com pés suficientes para ser gerir ritmos e definir magistralmente no último terço.

Lukas Hornicek Fredrik Aursnes Benfica Braga
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Hornícek- Tem sido um dos destaques da temporada. As naturais dificuldades impostas por ausências como as de Niakhaté ou Arrey-Mbi desfazem rotinas defensivas e impõem aos sobreviventes titulares trabalhos redobrados; O guarda-redes checo, confirmando a fama de prodígio que o persegue, agiganta-se à medida que a dificuldade do desafio sobe, escondendo certas fragilidades duma equipa de ideias muito à frente. Se a eliminatória épica contra o Bétis passou muito por ele, ainda agora no empate frente ao Estoril mostrou toda a elasticidade e reflexos, pouco próprias a alguém com a sua robustez física. O ímpeto alemão proporcionar-lhe-á muitas mais oportunidades de se assumir como protagonista. 

XI´s PROVÁVEIS

Friburgo: Atubolu; Philipp Treu, Matthias Ginter, Lienhart e Makengo; Jan Niklas-Beste, Manzambi, Eggenstein e Grifo; Lucas Höller e Matanovic

Treinador: Julian Schuster

«Para nós o que é importante é saber que o SC Braga tem qualidade, qualidade de posse de bola, temos de aceitar isso, mas nos últimos jogos tivemos muitos momentos positivos, isso ajuda o ambiente no estádio, sobretudo numa meia-final. Temos de estar preparados quando o SC Braga tiver a bola e criar oportunidades, e temos de criar as nossas chances.»

Braga: Hornícek; Lagerbielke, Paulo Oliveira e Moscardo; Dorgeles, Moutinho, Tiknaz, Gorby e Gabri Martínez; Zalazar e Pau Víctor

Treinador: Carlos Vicens

«As experiências que fomos acumulando ao longo da temporada preparam-nos para estes jogos. O Friburgo vai entrar forte, os adeptos da casa vão apoiar e tentar colocar pressão, mas temos de responder com um jogo competitivo e mentalmente forte. Temos uma maneira muito clara de ver as coisas e o objetivo, apesar da vantagem conquistada na primeira mão, é vencer.»

PREVISÃO DE RESULTADO: Friburgo 2-2 Braga

Pedro Cantoneiro
Pedro Cantoneirohttp://www.bolanarede.pt
Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

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