A palidez do Arsenal FC

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Cabeçalho Liga Inglesa

 

“No Futebol, aquilo que hoje é verdade amanhã é mentira”, ou seja, os clubes vivem de fases e uma temporada menos conseguida é somente isso e não deita tudo a perder. Contudo, o Arsenal tem vindo, época após época, a desiludir, descredibilizando, assim, em parte, todas as conquistas anteriores e até a sua posição no Futebol Europeu.

Esta queda de rendimento significativa fez também despoletar nos adeptos dos Gunners um sentimento de desconfiança porque, ano após ano, não veem na sua equipa melhorias. Tudo parece uma repetição da temporada anterior, como ilustra o facto de, nesta temporada, os números dizerem que o total de pontos está semelhante àquele que conseguiram em cada uma das quatro ou cinco anteriores. A diferença é que na época transata e na atual há uma agravante que salienta este mau momento da história do clube londrino: várias equipas assumem-se como, claramente, mais fortes, enquanto, por exemplo em 2015/2016, apenas o Leicester City realmente apareceu.

O clima em torno do clube não é de harmonia, os adeptos não estão satisfeitos e já chegaram mesmo a entoar cânticos em que salientavam que alguns jogadores não merecem a camisola que vestem, colocando, frequentemente, a “cabeça de Wenger a prémio”.

O reinado do treinador francês parece estar a encaminhar-se para o fim, algo que, na minha opinião, poderia funcionar como um balão de oxigénio, dando novo alento e esperança que poderia resultar na inversão do mau momento do clube.

Falando concretamente de competições e resultados, o Arsenal já está arredado daquilo que sempre foi e sempre será a principal exigência da massa associativa, a conquista da Premier League, pois está à enormíssima distância de 23 pontos do primeiro posto! Foi eliminado da Taça de Inglaterra ainda na 3ª ronda pelo modesto Nottingham Forest, clube que atua no Championship, ao perder por 4-2 num jogo que nunca controlou nem mereceu ganhar.

Quando nos encaminhamos para a reta final da época, as únicas hipóteses que restam para o Arsenal, e, em parte, retira-se algum fundamento a este artigo, são a conquista da Liga Europa, na qual se encontra nos dezasseis-avos de final e vai medir forças frente aos suecos do Ostersunds FK, e a Taça da Liga Inglesa, onde já na quarta-feira recebe no Emirates Stadium o Chelsea, após empate a zero na primeira mão.

Resta saber aquilo que falhou este ano, que novamente não permitiu mudar a tendência de insucesso vivida nos últimos anos … desde a política do clube até alguns jogadores, é possível justificar tal fracasso.

Em primeiro lugar, o facto de haver dinheiro nos cofres tem sido, regra geral, mal aproveitado. O investimento está apontado, sobretudo, para a frente de ataque, algo que não remedeia as principais lacunas da equipa: o setor defensivo. Manter o treinador após tanta derrota é também um erro, o clube precisa de sangue novo, novas dinâmicas. É necessária uma cara nova a “coordenar as tropas” para que possam novamente ter recursos e ambicionar tudo aquilo que está à altura de um clube como o Arsenal. É verdade que o treinador é culpabilizado mais facilmente, mas devemos também referir o fraco rendimento de alguns jogadores, principalmente daqueles que se deviam destacar como fulcrais à equipa, tais como Alexis Sánchez, Ozil e Walcott . O chileno, agora jogador do Manchester United, teve mais a cabeça em assuntos fora do relvado do que propriamente em fazer aquilo que lhe competia. Mesut Ozil e Walcott, recentemente transferido para o Everton, caíram claramente de forma em comparação com os melhores momentos das suas carreiras.

Resumindo e concluindo, o Arsenal de 2017/2018 segue o caminho dos anos anteriores, sofre intensamente de falta de consistência, pois consegue num jogo vencer e convencer e na jornada seguinte perde com um clube inferior. Ter bons jogadores com pormenores “aqui e ali” não chega, é preciso ter uma equipa que sinta os valores do clube e que consiga retomar a estrada para a glória, coisa que há muito foge aos Gunners.

Foto de capa: Arsenal FC

Artigo revisto por: Ana Rita Cristóvão

Gonçalo Miguel Santos
Gonçalo Miguel Santoshttp://www.bolanarede.pt
Ainda era caracterizado com um diminutivo e sentado ao lado do seu pai, já vibrava com o futebol, entusiasmado e de olhos colados na televisão à espera dos golos. O menino cresceu e com o tamanho veio o gosto pela escrita e o seu sentido crítico.                                                                                                                                                 O Gonçalo não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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