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Manchester City FC 2-1 Arsenal FC: Um café ao intervalo

Pedro Machado · 3 min

Manchester City FC 2-1 Arsenal FC: Um café ao intervalo

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Cabeçalho Liga Inglesa

O jogo era aflitivo para ambas as equipas, dada a distância para o líder Chelsea. Havia o risco de se ficar a 9 (Arsenal) ou 10 (Manchester City) do objectivo do primeiro lugar. Seria, por isto, um duelo na perseguição ao prejuízo acumulado das últimas jornadas, porém, o medo de perder não assombrou a identidade das duas equipas assente num futebol positivo em que a prioridade está na circulação de bola e na procura pelo último terço. A opção por ataques móveis, sem referências ofensivas fixas, assim o fazia prever.

O início do jogo, brindado com um golo, começou a justificar essa “profecia” dos esquemas tácticos. Aos 5 minutos, Alexis Sanchez, completamente à vontade, descobriu a desmarcação de Walcott perante o buraco destapado pelo eixo central dos citizens e este, sem meias medidas, inaugurou o marcador.

O City tentou reagir, logo a seguir, num lance desenhado por De Bruyne e concluído por Sterling (o belga arranjou espaço e mediu passe milimétrico para o inglês, na àrea), mas o cabeceamento saiu ao lado da baliza defendida por Cech. Depois disto e até ao intervalo, mais nada. O City continuou a passear a bola no meio-campo contrário, mas esta parecia ter medo de entrar no último terço atacante dos sky-blue. Mérito, também, para a pressão defensiva do Arsenal, especialmente Gabriel, importantíssimo no controlo da profundidade, mas demérito, em proporção maior para a falta de agressividade dos citizens, que, depois de perdida a bola, não pressionavam o portador da bola, sendo obrigados a iniciar o processo de construção junto à própria àrea. Valeu o desacerto do Arsenal na transição ofensiva (tanto passe falhado!) até ao intervalo.

Jogadores do City deram força a Gundogan (de fora até final da época) no início do encontro Fonte: Mirror
Jogadores do City deram força a Gundogan (lesionado até final da época) no início do encontro
Fonte: Mirror

Pep Guardiola, apercebendo-se da sonolência da sua equipa, terá oferecido um café a cada um dos seus jogadores, para que acordassem e disputassem cada lance com o afinco de que a equipa sentia falta. E o efeito fez-se sentir desde logo. Estavam decorridos 4 minutos na segunda parte e, após uma segunda bola ganha por Sterling (lá está), Silva descobriu Sané a fugir nas costas da defesa arsenalista e o alemão, num remate meio destrambelhado, lá colocou a bola no fundo das redes. Estava igualado o jogo.

O City não ficou por aqui. O efeito do tal café continuava a fazer fervilhar o sangue dos seus jogadores, que fizeram desaparecer o Arsenal do jogo. Sané voltou a criar perigo, desta vez servido por De Bruyne. Logo a seguir, Sterling, num disparo à entrada da àrea, atirou a rasar o poste e, depois, foi o belga a tentar a sorte, num disparo que obrigou Cech a aplicar-se.

Três avisos para que o Arsenal se pusesse em sentido. Não pôs. E colocou-se a jeito de uma reviravolta esperada. De Bruyne, depois de párar no peito um lançamento no lado direito do ataque citizen, virou completamente o jogo para o flanco contrário num passe fantástico. Descobriu Sterling, que guiou a bola atè à àrea londrina, onde fuzilou, com sucesso, o inimigo. 2-1 aos 71 minutos e uma sentença no encontro.

O Arsenal, até final, não conseguiu incomodar a equipa da casa e até foi esta quem teve oportunidade de ampliar a vantagem, num lance em que De Bruyne, servido por Navas, viu o poste negar o golo ao seu… joelho.

Contas feitas, os gunners vão na segunda derrota consecutiva, estando cada vez mais longe do primeiro lugar. O Mancheter City mantém a perseguição. Bem-dito café.

Foto de capa: Manchester City F.C.

 

FIGURA

Acção de De Bruyne teve grande influência no jogo Fonte: Manchester City F.C.
Acção de De Bruyne teve grande influência no jogo
Fonte: Manchester City F.C.

Recebe, passe, desmarca, remata. Processos simples, patrocinados por uma qualidade técnica tremenda, velocidade de ponta e um físico invejável. Assim joga Kevin De Bruyne, perante o encanto do Etthiad.

Foi ele que deu sabor ao café tomado ao intervalo. Funcionou como catalisador da equipa na segunda parte (três situações de golo e uma assistência brilhante para o tento da vitória) e foi o mais inconformado com o resultado durante a primeira.

FORA-DE-JOGO

"Transparência" de Ozil deixou marcas no jogo Fonte: Arsenal F.C.
Desaparecimento de Ozil (dir.) deixou marcas no jogo
Fonte: Arsenal F.C.

Só se terá dado por Ozil pelo facto de estar inscrito na ficha de jogo.

Esperava-se muito mais critério (no passe) e dinamismo (poucas foram as vezes em que veio à procura de jogo, causando um enorme fosso, na zona central, entre meio-campo e ataque) por parte do médio alemão, tanto na altura de procurar ampliar a vantagem para a sua equipa, na primeira parte, como no momento em que o resultado lhe era desfavorável.

Ele, sozinho, podia mudar o jogo. Podia. Mas não o fez.

Pedro Machado

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