A época do Nottingham Forest tem sido tudo menos um mar de rosas. Quatro treinadores diferentes, eliminados prematuramente nas duas taças domésticas e agora envolvidos numa luta pela manutenção que era difícil de prever em agosto. A presença nos quartos de final da Europa League é o ponto alto para a equipa britânica, sem deixar de ser evidente que evitar a descida para o Championship é objetivo prioritário.
Depois de Nuno Espírito Santo, o leme dos Tricky Trees voltou a ser entregue a um português, desta feita Vítor Pereira. Mas o que mudou nestes últimos dois meses com a orientação do técnico natural de Espinho? Neste artigo, analisamos as novas dinâmicas e abordagens táticas do Nottingham Forest, bem como as figuras que têm tido mais protagonismo com a nova equipa técnica.


Depois de uma temporada notável em que conseguiu o apuramento para a Europa League (e chegou a ocupar lugares de Champions), Nuno Espírito Santo foi despedido do Nottingham Forest pela direção de Evangelos Marinakis devido a desacordos relativos às políticas de contratação do clube. A solidez defensiva e disciplina posicional deram os seus frutos, tornando o Nottingham uma equipa muito difícil de desconstruir, com a transição ofensiva a ser responsável por uma boa parte das vitórias logradas.
A passagem de Ange Postecoglou pelo Forest foi curta e não deixou saudades. A sua intenção de aplicar linhas mais subidas e dominar a posse de bola não era de todo adequada ao plantel que encontrou em Nottingham e teve resultados desastrosos: dois empates e seis derrotas em 40 dias foram suficientes para o greco-australiano ser demitido.
Já Sean Dyche era visto naturalmente como uma opção conservadora e para remediar no imediato. Habituado ao “futebol de sobrevivência”, não estava à partida associado a estratégias ousadas e com tendência atacante, sendo isso mesmo que se verificou. Apesar do início prometedor, com quatro vitórias nos primeiros sete jogos, a relação entre Dyche e o plantel rapidamente se deteriorou. Após o empate em casa frente ao lanterna vermelha Wolverhampton, os assobios vindos da bancada anteviam o despedimento do técnico britânico, que se concretizou poucas horas depois.


Marinakis certamente se terá apercebido que a decisão de despedir Nuno Espírito Santo lhe estava a sair cara, depois das duas opções seguintes terem fracassado. Demitido do Wolverhampton em novembro, Vítor Pereira estava sem clube e foi o escolhido para encarar a missão de salvar o emblema das East Midlands da descida.
Apostando maioritariamente num 4-2-3-1, o Nottingham Forest de Vítor Pereira apresenta uma forma de jogar em que coexistem a coesão defensiva (típica de Nuno Espírito Santo) e uma posse de bola mais consistente e trabalhada. O ataque do Forest deixou de apostar de forma insistente nas bolas por cima da pressão, começando a trocar mais a bola no miolo do terreno, com os dois pivots (tipicamente Elliot e Sangaré) a estabelecerem a ligação fulcral entre a defesa e os avançados.
No centro do terreno e da ideia tática dos garibaldi está Morgan Gibbs-White. O médio internacional inglês é o criativo e principal distribuidor de jogo, desempenhando um papel primordial no momento ofensivo do jogo. No momento defensivo, junta-se aos avançados numa pressão regrada, em oposição à pressão quase suicida que Postecoglou tentou implementar.


Com mais foco na identidade tática, Vítor Pereira conseguiu desde já apresentar um futebol mais apreciável que o seu antecessor. Assim, parece ter caído (para já) nas boas graças dos adeptos, algo que apenas se vai manter se os resultados estiverem em concordância.
Vítor Pereira ainda não conseguiu a primeira vitória no City Ground, o que pode causar alguma reticência nos adeptos ingleses. Ainda assim, a evolução tem sido evidente e a sequência de cinco jogos sem perder evidencia isso mesmo. Esta quinta-feira, o adversário é bem conhecido do técnico português e uma vitória resultará num passaporte para uma meia-final europeia, algo que não se vê em Nottingham desde 1984.

