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O regresso de Ox, uma aposta desnecessária e a queda anunciada

Tomás da Cunha · 3 min

O regresso de Ox, uma aposta desnecessária e a queda anunciada

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Na semana em que o Arsenal contratou Kim Källstrom, Alex Oxlade-Chamberlain acabou com todas as dúvidas que pudessem restar de que a aquisição do sueco era perfeitamente dispensável. O jovem inglês, que esteve fora dos relvados durante vários meses, regressou em grande estilo à equipa – a actuar no meio campo – e marcou os dois golos da vitória sobre o Crystal Palace. A excelente exibição de The Ox veio dar razão a Wènger, que afirmou que era na zona central que o jogador poderia render mais. Estou plenamente de acordo.

Ainda agora chegou e já se lesionou com gravidade: Kim Källstrom mudou-se para o Emirates por empréstimo do Spartak de Moscovo, mas não poderá dar o seu contributo à equipa nos próximos dois/três meses. De qualquer modo, parece-me que, apesar da experiência, pouco acrescentaria ao conjunto londrino. Não é superior a nenhum médio às ordens de Wènger, já não consegue disfarçar a falta de velocidade e é bastante limitado tecnicamente. A vaga de lesões que tem afectado o plantel não é razão suficiente para a contratação do sueco, até porque apenas Ramsey terá um período de paragem mais alargado. Arteta, Rosicky, Flamini, Wilshere, que estará apto em breve, e Alex Oxlade-Chamberlain são soluções de sobra para os dois lugares de meio campo.

Contratado ao Southampton por 17 milhões de euros, este pode ser o momento para a afirmação definitiva de Oxlade-Chamberlain. Apesar de ser frequentemente utilizado como extremo, não tenho dúvidas de que é na zona central que o seu futebol pode atingir um nível de excelência. Tem todas as condições – físicas e técnicas – para se tornar num médio muito completo: é rápido, intenso e forte fisicamente, tem uma óptima visão de jogo, consegue desequilibrar através do passe ou de acções individuais e aparece bem em zonas de finalização; é igualmente competente nas tarefas defensivas (pressão e desarme) e, aos 20 anos, demonstra uma maturidade assinalável. The Ox será um reforço muito importante para Wènger e tem até ao final da época para conquistar um lugar nos convocados da Inglaterra para o Mundial 2014. Se der sequência à fantástica exibição que realizou diante do Crystal Palace, é bem provável que o consiga. No entanto, caso isso não aconteça, tem tempo e talento para ganhar o seu espaço na selecção logo após a competição, seja a médio ou a extremo.

Ao contrário do que se perspectivava no início da época, o Arsenal está em posição de lutar pelo título. Contudo, apesar de os londrinos estarem no primeiro lugar da Premier League, dificilmente conseguirão superar a concorrência de Chelsea e Manchester City. O terceiro lugar já seria bastante satisfatório para a equipa de Wènger, que, para não variar, voltou a demonstrar uma incapacidade gritante na abordagem ao mercado. Os gunners, para além de não terem fechado a contratação de Draxler, não conseguiram encontrar uma alternativa credível para Giroud. O único reforço acabou mesmo por ser Källstrom, que, por ironia do destino, se lesionou logo à chegada (se era para ir buscar um médio ao campeonato russo, M’Vila teria sido uma aposta bem mais interessante). O plantel, que tem sido bastante afectado por lesões, continua a ser bastante inferior ao dos rivais, e Özil, depois de uma fase inicial prometedora, tem vindo a cair de produção semana após semana. Por todos estes motivos, a época do Arsenal, que tem um calendário muito complicado até ao final do campeonato, pode (e deve) resultar em mais uma mão cheia de nada.

Tomás da Cunha

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