O regresso de Ox, uma aposta desnecessária e a queda anunciada

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Na semana em que o Arsenal contratou Kim Källstrom, Alex Oxlade-Chamberlain acabou com todas as dúvidas que pudessem restar de que a aquisição do sueco era perfeitamente dispensável. O jovem inglês, que esteve fora dos relvados durante vários meses, regressou em grande estilo à equipa – a actuar no meio campo – e marcou os dois golos da vitória sobre o Crystal Palace. A excelente exibição de The Ox veio dar razão a Wènger, que afirmou que era na zona central que o jogador poderia render mais. Estou plenamente de acordo.

Ainda agora chegou e já se lesionou com gravidade: Kim Källstrom mudou-se para o Emirates por empréstimo do Spartak de Moscovo, mas não poderá dar o seu contributo à equipa nos próximos dois/três meses. De qualquer modo, parece-me que, apesar da experiência, pouco acrescentaria ao conjunto londrino. Não é superior a nenhum médio às ordens de Wènger, já não consegue disfarçar a falta de velocidade e é bastante limitado tecnicamente. A vaga de lesões que tem afectado o plantel não é razão suficiente para a contratação do sueco, até porque apenas Ramsey terá um período de paragem mais alargado. Arteta, Rosicky, Flamini, Wilshere, que estará apto em breve, e Alex Oxlade-Chamberlain são soluções de sobra para os dois lugares de meio campo.

Contratado ao Southampton por 17 milhões de euros, este pode ser o momento para a afirmação definitiva de Oxlade-Chamberlain. Apesar de ser frequentemente utilizado como extremo, não tenho dúvidas de que é na zona central que o seu futebol pode atingir um nível de excelência. Tem todas as condições – físicas e técnicas – para se tornar num médio muito completo: é rápido, intenso e forte fisicamente, tem uma óptima visão de jogo, consegue desequilibrar através do passe ou de acções individuais e aparece bem em zonas de finalização; é igualmente competente nas tarefas defensivas (pressão e desarme) e, aos 20 anos, demonstra uma maturidade assinalável. The Ox será um reforço muito importante para Wènger e tem até ao final da época para conquistar um lugar nos convocados da Inglaterra para o Mundial 2014. Se der sequência à fantástica exibição que realizou diante do Crystal Palace, é bem provável que o consiga. No entanto, caso isso não aconteça, tem tempo e talento para ganhar o seu espaço na selecção logo após a competição, seja a médio ou a extremo.

Ao contrário do que se perspectivava no início da época, o Arsenal está em posição de lutar pelo título. Contudo, apesar de os londrinos estarem no primeiro lugar da Premier League, dificilmente conseguirão superar a concorrência de Chelsea e Manchester City. O terceiro lugar já seria bastante satisfatório para a equipa de Wènger, que, para não variar, voltou a demonstrar uma incapacidade gritante na abordagem ao mercado. Os gunners, para além de não terem fechado a contratação de Draxler, não conseguiram encontrar uma alternativa credível para Giroud. O único reforço acabou mesmo por ser Källstrom, que, por ironia do destino, se lesionou logo à chegada (se era para ir buscar um médio ao campeonato russo, M’Vila teria sido uma aposta bem mais interessante). O plantel, que tem sido bastante afectado por lesões, continua a ser bastante inferior ao dos rivais, e Özil, depois de uma fase inicial prometedora, tem vindo a cair de produção semana após semana. Por todos estes motivos, a época do Arsenal, que tem um calendário muito complicado até ao final do campeonato, pode (e deve) resultar em mais uma mão cheia de nada.

Tomás da Cunha
Tomás da Cunha
Para o Tomás, o futebol é sem dúvida a coisa mais importante das menos importantes. Não se fica pelas "Big 5" europeias e tem muito interesse no futebol jovem.                                                                                                                                                 O Tomás não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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