Disputou-se esta tarde o Borussia Dortmund (3º, 28 pontos) – Bayern de Munique (1º, 32 pontos), maior clássico daquela que para mim é, desde há 3 ou 4 anos, a segunda melhor liga do Mundo. Num jogo em que Ribéry não participou por se ter lesionado recentemente, os primeiros 20 minutos não tiveram grande interesse, embora se tenha registado uma ligeira superioridade do Bayern. As equipas entraram algo retraídas e foi apenas aos 29 minutos que surgiu o primeiro remate perigoso, com uma defesa atenta de Neuer a remate de Reus numa altura em que o Borussia já tinha equilibrado a contenda.

Há uns tempos, antes de defrontar o Arsenal para a Champions, o treinador Jürgen Klopp tinha dito que os ingleses eram uma orquestra mas que ele preferia heavy metal, e percebe-se a metáfora: realmente o Borussia, apesar de não desprezar a qualidade de jogo, é uma equipa bastante atlética e objectiva, ainda que não tenha tido um dia feliz. Mkhitaryan apenas a espaços conseguiu fazer a ligação entre o meio-campo e o ataque, sector onde Lewandowski foi mais uma ameaça teórica do que efectiva. A primeira parte fica contada em poucas linhas, sendo apenas necessário mencionar ainda um lance espectacular ao minuto 35, em que Mandzukic fez um remate acrobático ao canto da baliza para grande defesa de Weidenfeller. No seguimento do lance o guardião do Borussia mostrou-se novamente, parando um tiro de Müller com segurança.

A segunda parte recomeçou com Lewandowski a falhar a emenda a um cruzamento da direita quando só tinha o guarda-redes pela frente. O Borussia parecia determinado a fazer valer o factor casa, mas o Bayern nunca se deixou superiorizar. E é aqui que me detenho para falar um pouco daquele que para mim foi o melhor jogador do encontro: Philip Lahm, esta época adaptado ao meio-campo. O alemão de 30 anos é um jogador com um futebol de processos simples mas de grande elegância, com enorme sentido táctico e uma capacidade de recuperação de bola e de leitura do jogo notáveis. Todas estas qualidades fizeram com que Guardiola tivesse visto nele um valor seguro não apenas para a faixa lateral, mas também para uma posição intermediária. Quem estiver atento a um jogo de Lahm verá que este jogador faz praticamente tudo bem, com uma serenidade e capacidade de liderança que impressionam. As suas características fazem-me lembrar Xavi, e este é o melhor elogio que se pode fazer a um jogador que está a jogar fora da sua posição natural. Lahm já se mostrou desagradado com esta sua mudança de posição em ano de Mundial, mas só posso louvar Guardiola por ter percebido o jogador que ali tem e ter realizado esta alteração tão arrojada quanto bem-sucedida. E estou seguro de que Lahm não terá problemas em conservar o seu lugar na mannschaft, porque a sua enorme qualidade terá sempre espaço no onze.

Götze marcou mas não festejou, num jogo em que Lahm foi o melhor em campo Fonte: http://www.bild.de/
Götze marcou mas não festejou, num jogo em que Lahm foi o melhor em campo
Fonte: http://www.bild.de/

Voltando ao jogo propriamente dito, o pouco perigo que o Bayern estava a criar aliado a algum receio de sofrer um golo, levou Guardiola a tirar Mandzukic para colocar Götze, prescindindo do seu único ponta-de-lança de raiz. E esta substituição revelar-se-ia um momento-chave: dez minutos depois de entrar em campo, o jovem que trocou o Borussia pelo Bayern no último Verão abriu o marcador. Grande passe de Lahm a solicitar Müller na direita, centro tenso e boa finalização de trivela à entrada da área. Apesar de ter sido muito assobiado quando entrou em campo, Götze não festejou.

A perder e com menos de 30 minutos para jogar, a equipa da casa tentou aventurar-se no ataque. Nessa altura valeu Neuer aos campeões: aos 70 minutos fez uma excelente mancha a Mkhitaryan e conseguiu defender, e dois minutos depois protagonizou uma defesa de grande nível, indo buscar a bola ao canto inferior após remate de Reus. Com Kroos algo desligado do jogo e com a lesão do central Boateng, foi apenas aos 85 minutos que o Bayern desfez todas as dúvidas no jogo: Robben, que tinha aparecido de forma intermitente, explorou bem o espaço nas costas da defesa e aproveitou um passe largo de Thiago para correr 20 metros com a bola e picá-la por cima do guarda-redes. No minuto seguinte Müller deu a machadada final no adversário, correspondendo a um cruzamento de Lahm depois de um bom trabalho de Robben.

Estava assim consumada a vitória do líder Bayern no terreno do seu maior adversário dos últimos três anos, perante 80 000 adeptos fervorosos. As mexidas de Guardiola (tirar o ponta-de-lança para meter Götze, colocar Thiago – que viria a fazer uma assistência – e recuar Javi Martínez para central depois da lesão de Boateng) foram decisivas e mostraram que o treinador catalão teve um dia feliz. Ainda que a diferença de golos tenha sido excessiva (ajustar-se-ia melhor um 0-0 ou, no máximo, 0-1 para o Bayern), os campeões alemães passaram um teste difícil e deixaram o Borussia a sete pontos de distância.

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O João Sousa anseia pelo dia em que os sportinguistas materializem o orgulho que têm no ecletismo do clube numa afluência massiva às modalidades. Porque, segundo ele, elas são uma parte importantíssima da identidade do clube. Deseja ardentemente a construção de um pavilhão e defende a aposta nos futebolistas da casa, enquadrados por 2 ou 3 jogadores de nível internacional que permitam lutar por títulos. Bate-se por um Sporting sério, organizado e vencedor.                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.