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À passagem da 7ª jornada, o Bayern de Munique já é líder isolado da Bundesliga. Até aqui, nenhuma novidade. Poucos são aqueles que não acreditam que a equipa de Pep Guardiola mantenha esta posição até Maio, mas a questão que se coloca é: quem é que surgirá logo de seguida, ocupando as restantes posições de acesso à Champions League?

BORUSSIA DORTMUND

Nos últimos anos, quando falamos em Bundesliga só nos vêm dois nomes à cabeça – Bayern e Dortmund. Se Jurgen Klopp acabou por cima dos bávaros em 2010/11 e em 2011/12, a verdade é que da temporada 2012/13 para cá os homens da Baviera não têm dado hipóteses absolutamente nenhumas aos seus rivais e o campeonato tem sido um passeio. Penso que este ano a situação não será diferente, portanto, na minha opinião, o principal objectivo do Dortmund é assegurar o 2º lugar, coisa que já não será nada fácil.

Depois de ter perdido Mario Götze para o Bayern no Verão passado, desta vez foi Lewandowski a partir para o mesmo destino. Foi um duro golpe na equipa, mas creio que não será por aí que o Borussia parta em desvantagem. A saída do polaco foi muito bem colmatada com as compras de Immobile ao Torino e de Adrián Ramos ao Hertha Berlin e não nos podemos esquecer de que há Reus e Aubameyang para o ataque.

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O grande problema da época transacta foram as lesões – Klopp viu-se privado de Marcel Schmelzer, Neven Subotić, Mats Hummels, Łukasz Piszczek, Ilkay Gündogan e Błaszczykowski durante grande parte da época,  jogadores fulcrais que ao que parece estão de volta. Estes são os verdadeiros reforços da equipa alemã, sobretudo Gündogan, que volta mais de um ano depois, e ainda Kagawa, que regressa à sua verdadeira casa depois de uma passagem falhada por Old Trafford. Um plantel fortíssimo e que provavelmente teria mais hipóteses de ser campeão num outro campeonato que não o alemão.

Gundogan será um "reforço" vital para Klopp  Fonte: asia.eurosport.com
Gündogan será um “reforço” vital para Klopp
Fonte: asia.eurosport.com

BAYER 04 LEVERKUSEN

Pelo que se tem visto, esta é a equipa da moda na Alemanha. Roger Schmidt chegou do Red Bull Salzburg e cedo conquistou a imprensa e os adeptos. Trabalha com um futebol super-pressionante e de um cariz ofensivo tal que lembra o Dortmund de Klopp. Schmidt usa jogadores rápidos nas alas e fortes no miolo, uma conjugação perfeita para quem pratica esta pressão, sobretudo no início da partida, tentando marcar logo nos primeiros minutos e gerir depois com relativa facilidade, já que é impossível manter o ritmo frenético durante os 90 minutos.

Leno oferece segurança na baliza e o centro da defesa é ocupado por Ömer Toprak, que esteve excelente na época passada, e por Kyriakos Papadopoulos, que chegou neste Verão do Schalke 04. Spahic é ainda uma boa alternativa e, apesar de a velocidade aos 34 anos não ser a mesma, compensa alguma lentidão com a sua experiência e um grande sentido posicional. Tin Jedvaj veio por empréstimo da Roma e, com 18 anos, tem ganho o lugar na faixa direita da defesa. No lado esquerdo há outro jovem – Wendell. Oriundo do Grêmio, o lateral de 21 anos chegou e convenceu, sendo já dono e senhor da posição. No centro do terreno, como disse, o Bayer apresenta jogadores como Simon Rolfes, Stefan Reinartz, Lars Bender e ainda o jovem Levin Öztunali – todos eles fortes fisicamente.

Mais à frente, aí sim, os jogadores têm já outras características, como a velocidade e a técnica. Vindo do Hamburgo, Hakan Çalhanoğlu, de apenas 20 anos, já talvez a grande estrela da equipa. Com uma técnica muito evoluída e uma colocação de remate e passe fora do normal para a sua idade, o turco tem tudo para se afirmar como um dos melhores do mundo se continuar a sua evolução. Do outro lado aparece Karim Bellarabi, também reforço de Verão, e é mais um jogador rapidíssimo e com muita técnica, tal como o coreano Son Heung-Min. Estes três jogadores são quem joga no ataque apoiando o experiente goleador Stefan Kießling, que dispensa apresentações. No banco há ainda Josip Drmic, mais um reforço interno (ex-Nuremberga), que tem também muito talento a explorar. Perante um plantel desta categoria, posso dizer que o Bayer 04 é, para mim, o maior candidato ao segundo lugar da Bundesliga.

Son e Çalhanoğlu, as estrelas de Leverkusen  Fonte: bundesliga.com
Son e Çalhanoğlu, as estrelas de Leverkusen
Fonte: bundesliga.com

SCHALKE 04

Depois de um início de época algo conturbado – alguns adeptos mineiros chegaram mesmo a pedir a demissão do técnico Jens Keller -, o clube parece estar melhor, sobretudo depois da vitória sobre o seu eterno rival Borussia Dortmund. A equipa não mudou muito. Benedikt Höwedes continua a comandar uma defesa composta ainda por Kolašinac, Felipe Santana, Dennis Aogo, Uchida, Christian Fuchs e Joël Matip – uma rectaguarda algo irregular, um pouco lenta mas muito forte no jogo aéreo.

No meio-campo foi acrescentada qualidade no passe e remate com Tranquillo Barnetta e a velocidade de Sidney Sam juntou-se à de Farfán. Há ainda Marco Höger, Neustädter, Kevin Prince Boateng e as jovens promessas Julian Draxler, Clemens, Max Meyer e Goretzka. Neste capítulo, o Schalke 04, a manter estes verdadeiros diamantes e lapidando-os da melhor maneira, é talvez e equipa com melhor futuro na Alemanha. Difícil será mantê-los… Huntelaar é sempre um perigo no ataque, mas convém lembrar que o holandês já tem 31 anos e a sua queda de produção será algo natural.

Aos 31 anos, Huntelaar continua a ser o matador do Schalke 04  Fonte: talksport.com
Aos 31 anos, Huntelaar continua a ser o matador do Schalke 04
Fonte: talksport.com

WOLFSBURG

Depois de ter ficado a apenas 1 ponto da Champions League na época passada, a turma de Dieter Hecking tem certamente como principal desafio garantir um lugar que dê acesso à liga milionária de 2015/16. Aliás, nem se trata apenas de uma questão meramente desportiva, mas também financeira. O Wolfsburg tem sido das equipas alemãs a investir mais em jogadores, sobretudo jovens, de forma a criar bases para uma equipa de sucesso nos próximos 3/4 anos.

Na baliza continua tudo igual, com Diego Benaglio como capitão. À defesa foi adicionado um elemento – trata-se de Sebastian Jung, que chegou este Verão do Eintracht Frankfurt e vem para ocupar a posição mais fraca do plantel, a de defesa direito. Também sem grandes mexidas no meio-campo, foi mais uma vez apenas acrescentada qualidade – Aaron Hunt trocou o Werder Bremen pelo Wolfsburg e Josuha Guilavogui chegou por empréstimo do Atletico Madrid. Com 35 anos, era também tempo de Ivica Olić ver ser preparada a sua sucessão no centro do ataque. Nicklas Bendtner não confirmou o que prometeu no início da sua carreira no Arsenal. Nem no Sunderland. Nem na Juventus. Nem no Arsenal novamente. Ainda assim, os responsáveis do clube alemão apostaram nele. O dinamarquês tem aos 26 anos uma oportunidade de provar que ainda pode dar muito ao futebol.

Vieirinha é o único portugês no lote dos principais candidatos à Champions na Alemanha  Fonte: schwaebische.de
Vieirinha é o único portugês no lote dos principais candidatos à Champions na Alemanha
Fonte: schwaebische.de

Para além do campeão (que será com quase toda a certeza o Bayern de Munique) sobram ainda dois apuramentos directos para a Liga dos Campeões e o 4º lugar dá ainda acesso ao play-off. Para mim, esses três lugares serão ocupados por três destas 4 equipas, mas há ainda equipas como o FSV Mainz 05, Hannover 96 ou Borussia M’gladbach que têm feito boas campanhas e praticado bom futebol com resultados. O melhor será mesmo esperar pelo fim da época apreciando o fantástico futebol jogado na Bundesliga.

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Quando Telmo nasceu, Jardel voava entre os centrais. Quando começou a ver futebol, Deco fintava meio mundo e servia na perfeição. Mais tarde viu as trivelas de Quaresma. Recentemente, foi a vez de Hulk e Falcao destruírem as defesas adversárias. Actualmente assiste à elegância e às acrobacias de Jackson Martínez. O que é que todos estes pontos têm em comum? FC Porto, golos, vitórias e uma paixão que simplesmente não pára de crescer.                                                                                                                                                 O Telmo não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.