O FC Bayern Munique é uma das grandes equipas mundiais e o crónico campeão alemão. É, aliás, o atual heptacampeão germânico, mas podemos dizer que está numa fase decrescente. O último campeonato já foi conquistado de forma mais apertada (e muito por causa de deslizes inesperados do Dortmund, que chegou a ter uma vantagem confortável para os bávaros) e Niko Kovac nunca convenceu definitivamente os adeptos. Ainda assim, com uma reta final de época positiva, os bávaros “cumpriram a obrigação” e salvaram a época com o campeonato e a taça.

Esperava-se um Verão agitado na Baviera, mas não é bem isso que tem acontecido. Robben e Ribery, dois históricos do clube, penduraram as botas e deixaram duas clareiras nas alas; James voltou ao clube de origem, Hummels saiu para o Dortmund e Rafinha para o Flamengo. Apenas as saídas dos dois últimos foram acauteladas, com as contratações dos campeões do mundo Benjamin Pavard e Lucas Hernandez, ao Estugarda por 35 milhões de euros e ao Atletico de Madrid por 80 milhões, respetivamente. Dois jogadores polivalentes que atuam preferencialmente no centro da defesa, mas que também acrescentam qualidade a jogar nas laterais (foram os laterais titulares da França no campeonato do mundo de 2018).

Foi com um plantel curtíssim,o para uma equipa com as exigências de um colosso, que os bávaros disputaram, no passado sábado, a Supertaça alemã. Perderam por 2-0 frente ao Borussia Dortmund, num encontro que serviu de claro aviso aos dirigentes do clube: ou acrescentam 4/5 jogadores de qualidade ao conjunto, ou terão a época mais penosa dos últimos anos.

Lucas Hernandez é o reforço mais caro dos bávaros, mas encontra-se lesionado
Fonte: FC Bayern

Niko Kovac apostou no seguinte onze: Neuer, Kimmich, Boateng, Sule, Alaba, Thiago, Tolisso, Goretzka, Coman, Muller e Lewandowski. Apesar de ter uma alienação inicial forte, o Bayern foi inferior ao Dortmund, sofrendo com os contra-ataques dos amarelos e revelando problemas nas zonas de finalização. Na segunda parte, com a equipa em desvantagem e com o natural desgaste dos titulares, saltou à vista o principal problema desta equipa: a (falta de) profundidade do plantel. No banco estavam Hoffman, Ulreich, Pavard, Sanches, Singh, Joahnsson, Davies e Arp. Destes, quantos podem ajudar a inverter uma vantagem de 2-0? Quantos são jogadores de valia de candidato à Champions? Entraram Davies para o lugar do desastrado Muller, mas ainda parece estar verde para estas andanças; Sanches para jogar a extremo-esquerdo, em mais uma opção sem nexo de Kovac, e Pavard para o lugar de Thiago. O resultado não se alterou, o Dortmund demonstrou superioridade sobre o rival em quase todos os momentos do jogo, mas o jogo poderá ter servido para abrir os olhos à direção: o Bayern precisa de reforços como de pão para a boca. A situação é tão óbvia que já gerou algum desconforto interno, com declarações púbicas de Kimmich e Lewandowski a alertar para a necessidade de reforçar o plantel.

E que reforços são esses? Terá o Bayern capacidade para reforçar todas as posições que necessita, depois de já ter gasto 115 milhões de euros em dois defesas?

A meu ver, os reforços mais essenciais serão um médio com forte chegada à área (como foi James nas últimas épocas), dois extremos virtuosos de créditos firmados e um ponta-de-lança para crescer na sombra de Lewandowski. No entanto, também não seria de descartar um médio 6/8, o que poderia libertar finalmente o desagradado Renato Sanches para outras paragens. A meu ver, e jogando um pouco de «Football Manager» real, o Bayern poderia tentar novamente James Rodriguez ou Dybala para vaguearem nas costas do ponta-de-lança; nas alas apostaria no “esquecido em Paris” Julian Draxler e no irreverente Zaha; e em Mariano Diaz como alternativa a Lewandowski.

Com os valores de mercado atuais, teriam quer ser investidos mais de duas centenas de milhões de euros no reforço destas posições, o que pode, claramente, comprometer as contas do fair-play financeiro dos germânicos.

Fazendo apostas mais ou menos arrojadas, o que é certo é que o Bayern precisa de ir ao mercado para formar um plantel mais coeso. Depois, cabe a Kovac retribuir a confiança que a direção tem depositado nele, mesmo demonstrando alguma incapacidade de gerir egos de um balneário como o dos heptacampeões alemães.

Foto de Capa: FC Bayern

artigo revisto por: Ana Ferreira

 

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