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“200 toques na bola? Precisava de uma época inteira para os fazer”. Thomas Müller era, no fim do jogo contra o FC Köln, mais um que espelhava a surpresa pela quantidade de vezes que Xabi Alonso tocou na bola. O espanhol bateu o recorde, que estava fixado em 177, e suplantou o seu colega de equipa e de selecção Thiago Alcântara.

A entrada de Alonso na equipa da Baviera tem sido surpreendente – assumiu desde logo a titularidade e consequentemente a batuta. Para os mais cépticos, a contratação do espanhol não era coerente devido à idade avançada do jogador mas Xabi tem provado que a classe não é temporária e o futebol de posse que Pep tanto privilegia lhe assenta na perfeição.

Os números ajudam-nos a esclarecer a importância do basco na manobra da equipa e confirmam a sua preponderância. Guardiola não hesitou em contratá-lo devido às lesões de Javi Martínez, Bastian Schweinsteiger e Thiago. E em boa hora o fez. Em trinta e cinco dias conseguiu calar as bocas que diziam que já não teria nada para acrescentar e foi nomeado cinco (!) vezes Homem do Jogo.

Na imagem, que se pode observar em baixo, vê-se a omnipresença do basco em campo. O jogador não se cinge a nenhuma zona do relvado e é ele o farol da equipa.

O mapa de todos os toques na bola dados por Xabi Alonso  Fonte: espnfc.com
O mapa de todos os toques na bola dados por Xabi Alonso no jogo frente ao FC Köln
Fonte: espnfc.com

É relevante é justificar esta subida de rendimento: a partir dos trinta anos, por norma, só os guarda-redes é costumam atingir o ponto máximo de maturação, enquanto os jogadores de campo entram na fase descendente da carreira.

No caso de Xabi Alonso, como no de Pirlo, por exemplo, a bonança não vem depois da tempestade mas depois dos trinta. E quando falo de bonança não falo de títulos, já que ambos tinham os troféus mais desejados do futebol no palmarés antes dos trinta. Falo, sim, do reconhecimento como jogadores que fazem parte de uma elite restrita e que em nada ficam a dever àqueles que fazem os estádios levantar com dezenas de golos por época. A inteligência é fundamental neste processo e, com menos força nas pernas e sem a energia da juventude, é o cérebro que assume o controlo total. O espanhol é um perfeito exemplo disto, sendo um jogador que lê de forma perfeita o jogo e que neste Bayern não se cinge só à primeira fase de construção – é também incluído no carrossel que se gera na frente do ataque.

Esta situação vem mostrar que existe uma vida depois dos trinta e que um jogador com a categoria do basco pode assumir o protagonismo de uma grande equipa, mesmo que ladeado por imensos jogadores de topo como Lewandowski, Götze, Ribéry ou Robben.

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