UMA (ENORME) CULTURA DESPORTIVA E O AMOR AO CLUBE

Já se fazia tarde e estávamos cada vez mais perto das 17h30, a hora de início do jogo. Fomos de táxi para o Merkur Spielarena e nas bermas das estradas pelas quais passávamos parecia que se amontoavam cada vez mais pessoas. Para aqueles que já viram a série Sunderland ‘Till I Die vão perceber o que estou a falar: todos os caminhos iam dar ao estádio (e não a Roma, como diz o ditado), onde pessoas com bandeiras às costas e vestidos a rigor de vermelho e branco seguiam convictos para apoiar, num dia tão complicado como este, o seu Fortuna.

Um estádio à «beira Reno plantado», o Merkur Spielarena não é um imponente estádio, mas a sua construção completamente moderna deixa qualquer um pasmado, pelo menos aqueles que têm o «bichinho» de colecionar visitas a estádios. Ao lado do estádio, foi construído um terminal do metro e agora pode parecer pouco importante, mas no final vais perceber a referência.

A entrada para o estádio foi pacífica e lá dentro houve direito a cerveja. Quem diria que seria possível tal feito acontecer? A verdade é que é completamente normal esta situação na Alemanha e a educação de maior parte dos alemães permite que se torne uma situação sem ocorrências de agressões, muito pelo contrário. O relógio não parava, as 17h30 aproximaram-se num ápice e os adeptos do Fortuna deram a conhecer a coreografia para o encontro contra o «rival da cidade».

Antes do jogo, os adeptos do Fortuna gritavam a plenos pulmões o onze inicial da sua equipa convictos que era naquele jogo que quebrariam a má fase no campeonato. À data, o Fortuna era antepenúltimo classificado e recebia um estádio com 51 mil espetadores, onde a maioria era para apoiar o clube fosse o que fosse. Mas esta é essência destes clubes: as pessoas estão ali porque amam o clube da sua cidade e muitos dariam a vida por uma vitória do Fortuna. Não importa se vencem ou se perdem, o seu lugar é ali ao pé da equipa.

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A partida não começou de feição para o Fortuna, pois, aos 22 minutos, Hoffmann marcou para o Borussia num excelente contra-ataque. Porém, engane-se que o ambiente no estádio se silenciou e quando, aos 29 minutos, surge o golo do empate o estádio foi «abaixo». Foi uma sensação indescritível e festejei o golo como se fosse um da minha equipa de tanta envolvência que o jogo tinha (e porque estava a apoiar o Fortuna, claro).

O intervalo chegou e o placar marcava “1-1”. Um empate justo para aquilo que tinham feito as duas equipas. A segunda parte mostrou um Fortuna desajeitado e três golos deixaram a equipa «knockout».

A vinda do balneários foi benéfica para a formação de Marco Rose e os três golos deram a vitória por 1-4 ao Borussia VfL Monchengladbach
Fonte: João Barbosa/Bola na Rede

A desilusão nos rostos dos adeptos era mais do que visível que viam a sua equipa perder mais um jogo e a deixarem pontos preciosos escaparem para a cidade a cerca de 40 quilómetros da sua. Mas o que mais me surpreendeu foi o facto de depois de uma goleada os adeptos permaneceram nos seus lugares e demonstraram o seu apoio num momento mais difícil. Do outro lado, equipa e adeptos do Borussia Mönchengladbach saltavam e cantavam no habitual ritual pós-jogo.