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– É campeão!

Foi este o grito que a torcida apaixonada do Cruzeiro pôde entoar ontem. Depois de vencer na Baía o Vitória local, a Raposa conseguiu, deste modo, o seu tricampeonato da história. A festa do clube mineiro já se arrastava há semanas, mas só ontem a catarse foi levada ao clímax e todos puderam extravasar aquilo que já estava (quase) garantido.

Mais, o Cruzeiro Esporte Clube pode mesmo bater o recorde de pontos que ele próprio detém desde o último título, de 2003. Foi a partir deste ano que o Brasileirão começou com o sistema de pontuação corrida, de ida e volta. E parece que os cruzeirenses se dão bem com viagens. No ano em que o seu eterno rival de sempre – o Atlético Mineiro – foi campeão do continente, ostentando a coroa de louros de vencedor da Libertadores da América, os seus adversários celestes ofuscaram-no um pouco, com esta vitória, brilhante tal como as estrelas luminosas que batem no seu peito.

Os campeões nacionais / Fonte: jairsampaiocaico.blogspot.com
Os campeões nacionais / Fonte: jairsampaiocaico.blogspot.com

É sempre difícil fazer comparações entre equipas de diferentes décadas e gerações. O Cruzeiro de 1966 tinha Tostão. O de 2003 tinha Sorin, Alex ou Luisão – o capitão do Benfica, que, aliás, assistiu à partida derradeira ontem, em Lisboa, ao lado de um monstro da música brasileira e Cruzeiro enamorado, Milton Nascimento. Mas esta equipe, mais do que isso, possui um grande conjunto, muito bem orientado por Marcelo de Oliveira: Fábio na baliza, Dagoberto a número 10, Everton Ribeiro e Borges na frente. Foram imparáveis. E a Raposa nem sequer tinha sido campeã estadual em Maio, perdendo para o Galo. Agora tudo estará atento à luta pelo acesso à Taça dos Libertadores no grupo da frente. Cruzeiro e Atlético já estão. Resta esperar pelo vencedor da Copa do Brasil, entre Flamengo e Atlético Paranaense, e pelos três restantes atrás dos celestes na tabela de classificação. A luta para evitar o rebaixamento de divisão também estará ao rubro.

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A festa da torcida dos novos campeões, em pleno Mineirão / Fonte: copadomundo.uol.com.br
A festa da torcida dos novos campeões, em pleno Mineirão / Fonte: copadomundo.uol.com.br

Cruzeiro é o Rei do Brasil. Pode-se orgulhar, mais do que isso, de ter o nome de uma constelação que ilumina os céus dourados desse grande país. E é o único clube a ter o seu nome, ainda que indiretamente, ligado ao hino do Brasil: “Se em teu formoso céu, risonho e límpido, / A imagem do Cruzeiro resplandece.” É isso o Cruzeiro: um campeão cinco estrelas, de um conjunto estelar de cinco elementos chamado Cruzeiro do Sul. É verdade que este espetáculo estelar só pode ser visto do Hemisfério Sul.

Porém, hoje todos conseguirão observá-lo de onde quer que estejam. Os corpos celestes brilham no peito de cada cruzeirense e iluminam os campos e montanhas alegres das Minas Gerais, espalhando-se por toda a nação. Sonho onírico. Impossível, mas, enfim, realizável.

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O Daniel Melo é por vezes leitor, por vezes crítico. Armado em intelectual cinéfilo com laivos artísticos. Jornalista quando quer. O desporto é mais uma das muitas escapatórias para o submundo. A sua lápide terá escrita a seguinte frase: "Aqui jaz um rapaz que tinha jeito para tudo, mas que nunca fez nada".                                                                                                                                                 O Daniel escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.