A luta do futebol brasileiro contra o preconceito

- Advertisement -

Cabeçalho Liga Brasileira

 

O futebol brasileiro voltou a vivenciar mais um episódio de preconceito contra algum jogador devido a orientação sexual do mesmo. Infelizmente é comum em vários lugares do mundo torcedores agirem com preconceito – e muitas vezes serem extremamente agressivos – com vários atletas. Esses preconceitos acontecem por vários motivos, porém a raça e a orientação sexual são os mais presenciados. Tanto na Espanha quanto na Polônia, por exemplo, já houveram torcedores criminosos que lançaram bananas no campo para um jogador negro. O lateral brasileiro Dani Alves quando ainda atuava no Barcelona foi vítima desse tipo de ação. Em um jogo contra o Villarreal, no El Madrigal, um torcedor atirou em sua direção uma banana. O jogador a pegou do chão e comeu. Foi uma grande resposta ao torcedor que queria menospreza-lo.

Há duas semanas o Guarani – atualmente disputando a Série B – anunciou a contratação do polivalente volante Richarlyson. Porém, antes do anúncio oficial da diretoria Burgrina dois torcedores lançaram bombas em frente ao estádio do clube em forma de protesto contra a contratação do ex-jogador do Atlético Mineiro. O motivo da revolta dos torcedores era devido não aceitarem que um jogador homoafetivo vestisse a camisa do Guarani. Na cabeça desses torcedores não importa a qualidade do profissional que o seu clube estava contratando e sim a sua orientação sexual.

Isso é assustador. O que choca ainda mais é ver que quando o Boa Esporte anunciou a contratação do goleiro Bruno – que estava preso pelo assassinato da mãe de seu filho – muitos torcedores aplaudiram e o trataram como ídolo. Agora quando um jogador como o Richarlyson que tem um currículo incrível – o volante já conquistou o Campeonato Brasileiro, a Libertadores e o Mundial de Clubes – é anunciado alguns torcedores se enchem de ódio e o agridem. Vale ressaltar que a diretoria do clube e grande parte da torcida Bugrina apoiou a contratação do volante e recriminaram a atitude dos dois torcedores. É necessário que as torcidas de todos os clubes tenham consciência das suas atitudes e utilizem as suas influências para acabar com o preconceito.

Torcida do Paysandu levanta a bandeira LGBT (comunicado no fim do texto) Fonte:  César Magalhães \ esportes.uol.com.br
Torcida do Paysandu levanta a bandeira LGBT (comunicado no fim do texto)
Fonte: César Magalhães \ esporte.uol.com.br

Se me perguntassem se eu contrataria o Richarlyson eu responderia que não. O jogador há muito tempo – desde de quando estava no Galo – não rende nem de perto o que já rendeu no São Paulo. O meia campista deixou o time de Minas Gerais há quatro anos. De lá para cá atuou por alguns clubes, inclusive deixou a carreira de jogador e iniciou sua trajetória no vôlei – porém não por muito tempo – e após essa aventura pelas quadras decidiu retornar aos gramados. O seu último clube foi o Goa da Índia, onde atuou no Campeonato Indiano 2016. No Goa Richarlyson foi treinado por Zico que avaliou como positiva a sua contratação pelo time de Campinas. Não sabemos como será o rendimento do volante no Guarani. Essa contratação é uma incógnita. O que é certo é que aquele jogador rápido, versátil e de boa saída de bola ficou para trás. Mas é claro que torço pelo seu sucesso.

É esse tipo de análise que deve-se fazer sobre um jogador. É isso que a torcida, os dirigentes e a imprensa devem observar. O Brasil é um país preconceituoso e enquanto isso existir deve ser debatido e combatido. Não podemos nos calar mediante a grandes agressões que podem até colocar a vítima em estado depressivo. O futebol é a paixão nacional e os clubes devem levantar a bandeira de fazer o esporte sem preconceitos. A CBF e as Federações de Futebol de cada estado podem começar a realizar campanhas junto com os clubes para que façam um trabalho de conscientização com os torcedores que frequentam os estádios. É necessário que todos adquiram a sabedoria de que ecoar cânticos homofóbicos nas arquibancadas não fará o futebol melhor e muito menos fará a sua equipe sair vitoriosa. Atitudes desse tipo apenas apodrecem mais nossa sociedade e vai muito além das quatro linha de um jogo de futebol.

 Foto de Capa: odia.ig.com.br

César Mayrinck
César Mayrinckhttp://www.bolanarede.pt
Enquanto criança queria ser jogador de futebol e para o bem dos torcedores do Atlético Mineiro não foi aprovado no teste. Encontrou nas palavras a melhor maneira de se expressar sobre a sua paixão, o futebol. Amante do futebol brasileiro e do futebol alternativo, acorda facilmente às três horas da madrugada para ver um jogo do campeonato neozelandês.

Subscreve!

Artigos Populares

Micael Sequeira responde ao Bola na Rede: «Tivemos a grande oportunidade aos 76′ minutos, onde faltou uma certa felicidade»

Micael Sequeira respondeu a uma questão colocada pelo Bola na Rede em rescaldo ao empate frente ao Brondby.

Micael Sequeira e a eliminação do Sporting da Europa Cup: «O nosso principal objetivo são as competições internas»

O Sporting empatou frente ao Brondby por 2-2 e foi eliminado da Europa Cup. Micael Sequeira fez o rescaldo da partida.

Chris Smalling no FC Porto: «Só cheguei agora, mas conheço a história deste clube, sei que é tudo sobre ganhar»

Chris Smalling já falou enquanto reforço do FC Porto. Defesa-central de 36 anos assinou contrato de uma época.

Rodrigo Mora marcou de bicicleta e já reagiu: «Foi um bom golo, mas o melhor foi a vitória e a qualificação para o Euro....

Rodrigo Mora reagiu ao golo de bicicleta contra o Gibraltar e à qualificação de Portugal para o Euro Sub-21.

PUB

Mais Artigos Populares

Dinamarca x Portugal: eis os onzes prováveis de mais um jogo da Liga das Nações

Portugal joga esta quinta-feira contra a Dinamarca para a terceira jornada da Liga das Nações. Vê os onzes prováveis.

Eis quando Cristiano Ronaldo chegou a Madrid

Avião de Cristiano Ronaldo aterrou em Madrid nesta madrugada de quinta-feira, por volta das 2h20 locais.

74 minutos não foram suficientes | Benfica

Durante 74 minutos, o Benfica competiu e teve o jogo ao seu gosto, relativo claro, como não poderia deixar de ser diante de um adversário desta envergadura. Contra o Bayern Munique, uma das potências mundiais no futebol feminino.