O tema arbitragem parece que nunca saíra do foco do futebol brasileiro. O Brasileirão está apenas na terceira rodada e o que mais se comenta são as, péssimas, atuações dos árbitros nos jogos da maior competição nacional. O futebol em si fica de lado. O que torna a situação do futebol brasileiro preocupante.

A cada rodada temos várias entrevistas de jogadores e técnicos jogando a responsabilidade pelos fracassos dos resultados obtidos por causa de possíveis erros dos juízes. Mas será que os insucessos dos times são devidos apenas a arbitragem?

Claro que não. Na verdade, clubes e jogadores já estão acostumados em responsabilizar terceiros por seus fracassos. Não que as suas queixas não tenham sentido, em alguns casos eles tem suas razões pois o nível da arbitragem realmente tem sido muito baixo. Entretanto, as suas reclamações entram e saem nos ouvidos da CBF sem que a mesma faça algo a respeito para melhorar o nível de arbitragem do futebol brasileiro.

É necessário que seja feito um bom investimento para que a situação melhore. Atualmente os árbitros brasileiros trabalham nos jogos como se fosse um “bico” ou um “freela”. Isso é um absurdo. No universo do futebol, mais competitivo, ninguém possui uma outra profissão. Agora o juiz e o seu auxiliar só recebem se trabalhar no jogo, ou seja, se não trabalhar não recebe e isso acaba fazendo que esses profissionais busquem uma outra fonte de renda.

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Quarteto de arbitragem comandado pelo árbitro Dewson de Freitas, do Pará, antes de um Gre-Nal válido pelo Campeonato Brasileiro de 2015
Fonte: CBF

A Comissão de Arbitragem da CBF parece apenas se importar com a questão física dos árbitros. As questões técnicas ficam de lado e quando a situação aperta a solução que encontra é afastar por algum tempo o árbitro que errou. A CBF como de costume aplicando a ação mais fácil e que em nada resolve. É necessário que os árbitros tenham uma melhor remuneração, além de um salário fixo e bônus por jogo trabalhado.

É preciso trabalhar com eles os lances polêmicos de cada jogo para que os mesmos vejam onde erraram e onde acertaram. A Comissão de Arbitragem precisa oferecer mais cursos de qualificação e durante esses cursos tratar desses lances polêmicos que ocorrem nos jogos. Isso é qualificar os profissionais de arbitragem e consequentemente diminuir a margem de erro durante as partidas.

Esperar que essas ações sejam feitas pela CBF parece um sonho inalcançável. Não podemos esperar nada de uma Confederação de Futebol que elaborou um projeto ridículo para apresentar aos clubes sobre a utilização do VAR. Por acaso, esse assunto VAR no Brasil ainda tem muitas perguntas sem respostas.

A principal é o valor da implantação do recurso que custaria 20 milhões de reais e os clubes que teriam que arcar com esse valor, sendo que em Portugal, por exemplo, a mesma aplicação custou quatro milhões de reais. Parece que a CBF jogou um projeto qualquer para os clubes com a intenção do mesmo ser recusado, não fazia questão. A CBF tem várias ações questionáveis há décadas e o não investimento na arbitragem do seu futebol é apenas uma delas. Brasil o país do futebol? Não, ainda temos um longo caminho pela frente.

Foto de Capa: Figueirense FC