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O dia 29 de novembro de 2016 está marcado como a data que ocorreu a maior tragédia esportiva de todos os tempos. O acidente com o avião da LAMIA na Colômbia, que vitimou 71 pessoas, deixou o mundo chocado e muito mais entristecido. Mas não estou aqui apenas para relembrar esse fato que todos já sabem. Quero falar de futebol e do processo de reconstrução que a Chapecoense está passando.

Imaginem o seguinte cenário: De um dia para o outro o seu clube não tem mais nenhum jogador, nem comissão técnica e também não conta com boa parte da diretoria. Isso é algo devastador para qualquer clube e é claro se a razão for uma tragédia a situação piora ainda mais. Alguns jogadores iriam ser negociados, como o zagueiro Thiego que assinaria na Colômbia um pré-contrato com o Santos, e essas negociações gerariam receita ao clube. Como elas não aconteceram é como se a Chapecoense tivesse perdido todo o seu plantel gratuitamente. E agora sem jogadores, sem comissão técnica e sem dinheiro em caixa, como o clube irá fazer para disputar as várias competições oficiais, incluindo a Libertadores da América, em 2017?

Da tragédia até o dia do primeiro jogo oficial na temporada foram menos de dois meses. Em cerca de um mês após o acidente o time já teve que iniciar a sua pré-temporada. A Chape sempre formou seus elencos aproveitando os jogadores que estavam livres no mercado e jogadores oriundos, por empréstimo, de outros clubes. O novo presidente eleito, Plínio David de Nês, e o novo diretor de futebol, Rui Costa, mantiveram essa política que sempre deu certo na Chapecoense. Vale lembrar que essa política de contratação levou o clube da Série D, em 2009, à Série A, em 2013. Uma ascensão meteórica e o que é mais admirável é que o clube conseguiu permanecer na primeira divisão nacional, inclusive realizando boas campanhas.

Festejos como este motivarão o reerguer da Chape Fonte: Chapecoense
Festejos como este motivarão o reerguer da Chape
Fonte: Chapecoense

A nova Chape possui 37 jogadores no seu elenco principal, incluindo os jogadores de base que foram promovidos. Impressionantemente esses jogadores não foram contratados aleatoriamente ou no desespero (o que seria até normal pelas condições que o clube se encontrava). Os contratados passaram por uma avaliação da nova comissão técnica e da diretoria. Isso mostra a força de superação que o clube teve, pois mesmo em um momento delicado de sua história a Chapeconse manteve a “cabeça fria” e não mudou a sua filosofia de contratações. Entre os reforços da nova Chape, podemos destacar o goleiro Artur Moraes (ex-Benfica) e o meia Dodô (ex-Atlético Mineiro).

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Esse é um processo lento e gradual. A própria torcida do Verdão de Chapecó está ciente disso e apoiou o clube no primeiro amistoso do ano (empate em 2 x 2 contra o Palmeiras) e no primeiro jogo oficial na temporada (empate em 0 x 0 contra o Joinville). Só os torcedores da Chape sabem o que estão sentindo. Os clubes da Série A estavam dispostos a pedir à CBF, Confederação Brasileira de Futebol, que isente a Chapecoense do rebaixamento por três temporadas. Uma atitude nobre dos clubes, mas a direção do time catarinense recusou essa proposta pois acredita que o mérito de permanecer na elite do futebol nacional tem que ser conquistada dentro do campo. Esplêndida atitude.

A Chapecoense ainda não possui um time titular definido, mas a expectativa de todos é que o grupo em geral tenha condição de mostrar o seu valor. Acredito que a Chapecoense fará uma grande temporada e conquistará os seus objetivos. Torcida para isso o time terá, não apenas no Brasil como no mundo inteiro.

Foto de capa: Chapecoense