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O Corinthians foi o time mais surpreendente do futebol brasileiro em 2017, pelo menos até o final do primeiro turno do Campeonato Brasileiro. O primeiro semestre do Timão foi fantástico. O título do Campeonato Paulista, a invencibilidade de cinco meses – nesse período o Corinthians ficou 34 jogos sem perder – e um aproveitamento incrível de 82,5% no primeiro turno do Brasileirão fizeram que a equipe do Parque São Jorge fosse considerada a sensação nacional. Se considerarmos que o elenco corintiano chegou a ser apontado no início do ano como apenas o quarto mais forte do estado de São Paulo e que os seus rivais – locais e nacionais – possuíam um poder de investimento muito maior, todos os elogios dados à equipe e ao treinador Fábio Carille eram justificáveis.

Porém, o returno do Brasileirão começou e o futebol corintiano despencou. Curiosamente em julho o treinador Renato Gaúcho, do Grêmio, soltou a seguinte frase: “O Corinthians vai despencar.

Anote o que estou falando.” O presságio do treinador gremista acabou acontecendo. Na época o Grêmio era o principal concorrente do Corinthians pelo título brasileiro. Entretanto, o treinador gremista não contava que a sua equipe também iria despencar no returno. É verdade que o Grêmio está na semifinal da Copa Libertadores e por isso mesclou em alguns jogos a sua equipe que foi à campo no Campeonato Brasileiro. Mas se considerarmos apenas os resultados brutos no returno o Grêmio vai mal.

O técnico Fábio Carille precisará “resgatar” um pouco do Corinthians do primeiro semestre para que o time vença o Campeonato Brasileiro Fonte: r7.com
O técnico Fábio Carille precisará “resgatar” um pouco do Corinthians do primeiro semestre para que o time vença o Campeonato Brasileiro
Fonte: r7.com

Os 82,5% de aproveitamento corintiano no primeiro turno caiu para apenas 36% se considerarmos apenas o segundo turno. Essa é uma diferença brutal de aproveitamento que jamais foi vista na história dos pontos corridos do Campeonato Brasileiro. O futebol apresentado atualmente pela equipe é bastante fraco. A equipe não consegue ter o controle do jogo e exercer sua agressividade em campo, principalmente em Itaquera quando se espera mais intensidade do time. No primeiro turno o futebol corintiano não era vistoso – como não é de qualquer equipe do futebol brasileiro – mas o time correspondia em campo. Jogava mais compactado, não dava espaço para as investidas adversárias, atuava de forma cirúrgica e fazia o famoso “jogo por uma bola”. Os resultados vieram e essa “gordura” adquirida na primeira metade da competição está sendo gasta a todo direito no returno.

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A queda de rendimento do Corinthians está ligada a queda do rendimento de seus principais jogadores. Os laterais Guilherme Arana e Fágner; os meias Jadson e Rodriguinho e o atacante Romero estão apresentando um futebol abaixo da crítica. Esses cinco jogadores foram destaques da equipe no primeiro turno – juntamente com o centroavante Jô que continua em uma boa fase – mas aparentam que “desaprenderam” a jogar.

Para a sorte corintiana os seus rivais diretos ao título brasileiro também não cansam de tropeçar. Porém, com os últimos insucessos da equipe e a evolução de Palmeiras e Santos a diferença para o segundo colocado que era superior a 10 pontos caiu para apenas seis pontos. Restando ainda 24 pontos para ser disputado na competição o título corintiano que parecia certo começa a estar em dúvida.

A certeza que temos é que o futebol apresentado pela equipe no primeiro semestre não será mais visto nessa temporada. Algumas convicções do treinador – relacionadas à formação da equipe – precisam mudar rapidamente e os jogadores necessitam mostrar mais qualidade em campo. Apenas assim o título brasileiro continuará com chances de ir para o Timão.

Foto de capa: Folha.uol.com.br