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Sei, meu caro leitor, que volto a frisar o mesmo ponto em que toquei algumas vezes. Não, não estou a falar daquele ponto específico feminino – e por sinal muito sensível – que uma equipe de investigação veio agora desmentir. Vamos discutir a classificação do Campeonato Brasileiro de Futebol. Falemos do poleiro mais apetecido de todos: o de campeão.

Quem se encontra em melhor posição para acabar nesse posto é o Cruzeiro. Uma igualdade com o campeonato anterior. O Cruzeiro Esporte Clube está perto de alcançar essa proeza pela segunda vez consecutiva. Seria o tetra e um bicampeonato. Mas antes de falar nisso; vocês estão a pensar – “Sim, Daniel, nós sabemos ver uma tabela e interpretá-la. É fácil. O Cruzeiro tem 56 pontos, o São Paulo tem 49, etc, etc. Ou seja, o Cruzeiro tem sete pontos de vantagem para o segundo classificado, com 27 jogos disputados, faltando jogar 11 partidas”. Tudo verdade. Mas também nem tudo se resume a números. Penso que efetivamente a Raposa tem claras hipóteses de renovar o título. Tem o mesmo técnico – a mão de mestre de Marcelo de Oliveira -, mexeu pouco na equipa e tem uma organização preparada. Às vezes é melhor pegar o embalo da onda do que remar contra ela. E esta onda é de vitórias.

Para além do mérito do Cruzeiro, vem depois a singularidade do Brasileirão: a perda de pontos de todos os concorrentes, em vários campos. Não decorre uma jornada em que não haja um clássico. E a clássico não me refiro a encontros disputados entre equipas campeãs. Refiro-me a partidas entre clubes que sabem o que é ser campeão mais do que uma vez e que têm atualmente equipa para bater os oponentes. Mesmo já tendo perdido o comboio do título a esta altura. Ou seja, mesmo que uma equipa consiga ganhar pontos e subir numa jornada, na outra tudo pode acontecer de maneira diferente. O Brasileirão deverá ser, com toda a certeza, a Liga do mundo com mais mexidas na tabela por rodada. Uma vantagem de sete pontos numa Liga onde todos perdem pontos acaba por ser boa. Não determinante. Apenas boa. Mesmo o Cruzeiro tendo perdido o último jogo. E o São Paulo ganho.

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Uma imagem que todos os cruzeirenses querem ver repetida
Fonte: veja.abril.com.br

Voltemos à vaca-fria: porquê inédito? Já houve bicampeões seguidos tantas vezes: Flamengo, Palmeiras, Santos, Internacional… Porque apenas o São Paulo conseguiu, no novo sistema de pontos, alcançar a glória de seguida. E foram três vezes. 2006, 2007 e 2008. É claro que não é inédito para o Brasileirão. Já uma equipa o conseguiu. Inédito significa algo novo. Mas seria a primeira vez que outro clube para além do São Paulo o fizesse. Isso, sim, é algo inédito.

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Engraçado é que se pensarmos que a luta está acesa entre os dois, podemos concluir que o São Paulo luta pelo campeonato, mas também luta para que seja ele o único a ter a glória consecutiva. Só o tempo (ah, sempre ele, o mariola!) ficará encarregado de nos informar sobre o que acontece.