É verdade. Um dos maiores clubes brasileiros, o Cruzeiro Esporte Clube desceu de divisão pela primeira vez na sua história. Depois de ter sido campeão brasileiro em 2014, cinco anos depois, a “raposa” foi despromovida à Série B. É caso para dizer: “o Cruzeiro afundou”.

A derrota caseira frente ao Palmeiras (0-2) ditou o fim que já há muito era antecipado. Os problemas técnicos, financeiros e até políticos foram constantes ao longo da temporada, contribuindo assim para a tragédia.

Mas há que fazer uma contextualização prévia ao “rebaixamento”. Tudo começou quando o Cruzeiro venceu a Taça do Brasil por dois anos consecutivos (2017 e 2018), entrando numa filosofia de gastos, muitas vezes desmedidos. Um plantel vencedor que contava nas suas fileiras com jogadores como De Arrascaeta (atualmente no CR Flamengo) ou Rafael Sóbis (SC Internacional), mas que já aí demonstrava dificuldades em cumprir com os contratos “chorudos” com que se comprometera.

Fonte: Cruzeiro

Esta época, aquele que mais vezes “deu a cara” foi o Thiago Neves. O centro campista que em tempos chegou a ser internacional brasileiro, foi o jogador mais criticado pelos cruzeirenses. Não só pela postura dentro das quatros linhas, como fora delas, por exemplo, por ser quase como que o porta-voz do plantel, a reclamar os salários em atraso à direção do clube.

Postura esta que compreendo, já que toda a gente gosta de ser recompensada pelo seu trabalho. Por vezes, nós adeptos, esquecemo-nos que a falta de remuneração aos atletas também conta para o rendimento, e apenas queremos resultados, mas e… se fosse connosco? Ir trabalhar sem receber. O dinheiro não é tudo, mas também conta.

Deixando de parte a vertente financeira, vamos aos problemas técnicos. O emblema de Belo Horizonte, só este ano, teve quatro treinadores diferentes a comandar a equipa e nenhum deles foi competente o suficiente para aguentar o Cruzeiro na primeira. Mano Menezes iniciou a temporada, seguiu-lhe o antigo guarda-redes lendário, Rogério Céni, que também não teve capacidade para levar o clube para outro rumo. Posteriormente, Abel Braga, que deixou o “mengão” em maio, sucedendo-lhe Adílson Batista, que já entrou no “barco a afundar-se”.

Nem sempre é certo, mas na maior parte dos casos, a estabilidade é a chave do sucesso. Não sou de acreditar nas famosas “chicotadas psicológicas”, bem conhecidas também em Portugal. São uma coisa que ainda faz menos sentido, tendo em conta que o último técnico foi contratado a apenas três jornadas do fim!

A nível de protagonistas, analisando individualmente cada jogador, o Cruzeiro tinha um plantel “fraco”, envelhecido. Com várias referências e pouco futebol. Agora é fácil fazer esta constatação, mas juntando todos os ingredientes, todos os problemas e conflitos, parece que a descida já estava destinada. Os “maiores” nomes desta época fracassada foram: Fred (ponta de lança, de 36 anos), Orejuela (lateral emprestado pelo AFC Ajax) e o próprio Thiago Neves (apesar de todo o atrito).

Com a descida de divisão do Cruzeiro, apenas o CR Flamengo, o Santos FC e o São Paulo FC, nunca foram despromovidos da Série A.

Foto de Capa: Cruzeiro

Artigo revisto por Joana Mendes

 

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