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O Campeonato Brasileiro de Futebol de 2013 chegou ao seu término. Houve emoção, alegrias e tristezas. Houve também violência, que poderia ter sido evitada. E a queda de dois gigantes cariocas que dará muito que falar.

Alfred Hitchcock, um mago da realização. O mestre do suspense. Nunca venceu um Óscar da Academia. Injusto. Quem nunca ouviu essa expressão: “É um autêntico fim à Hitchcock!” Pois bem. Foi o que aconteceu.

O Cruzeiro já há muito tinha confirmado o título. Uma campanha segura e sólida da turma azul de Belo Horizonte deu o título a cinco jornadas por jogar. Empatou a uma bola no terreno do Flamengo, num desafio entre Campeão Brasileiro e Campeão da Copa do Brasil. O grupo do G-4 – aqueles que vão á Libertadores para o ano – fechou com o Grêmio a vice-campeão, o surpreendente Atlético Paranaense no bronze e com a confirmação do Botafogo, de Seedorf. Os alvinegros fizeram um bom campeonato, coroado com este feito. Coisa que, em General Severiano, já não acontecia há algum tempo. A meio da tabela não houve grandes mexidas. O Atlético Mineiro (oitavo classificado) vai partir agora para Marrocos, a fim de jogar o Mundial de Clubes. Com Ronaldinho Gaúcho recuperado, esperam-se boas exibições do Galo na competição.

Vai uma boa dose de emoção? / Fonte: portistasdebancada.blogspot.com e veja.abril.com.br
Vai uma boa dose de emoção? / Fonte: portistasdebancada.blogspot.com e veja.abril.com.br

Mas as grandes deceções foram o Fluminense e o Vasco. Este último está numa situação alarmante, que já se arrasta desde o campeonato transato. Crise diretiva, financeira e desportiva, com reflexo nos salários em atraso e no fracasso desportivo dentro de campo. O clube da Cruz de Malta, tetra campeão do país, vai agora enfrentar mais uma vez a segunda divisão. Para além de Náutico (último colocado) e Ponte Preta (penúltimo) também o campeão de 2012, Fluminense, está de saída do convívio dos deuses. O tricolor carioca fez um péssimo campeonato, quando nada o fazia prever. Continuou com o mesmo treinador vitorioso, Abel Braga, que acabou por ser despedido pouco tempo depois, e com o núcleo duro do brilhante campeonato anterior. De nada lhe valeu a vitória na Baía, por 1-2. Uma pena. Estes quatro clubes serão substituídos por Palmeiras – que bem merece estar na elite -, Chapecoense, Sport e Figueirense.

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Uma pena, também, foi a violência desproporcional entre torcedores. Em imagens arrepiantes, é possível ver adeptos feridos e desmaiados durante o encontro entre o Atlético Parananse e Vasco da Gama, com 5-1 para os de Paraná. Sem polícia, o Estádio Arena Joinville virou um palco de batalha. Mais um acontecimento que pode manchar o bom nome do país irmão, em vésperas do Mundial. Tudo poderia ser evitado se o policiamento fosse o correto. O destacamento de funcionários policiais para estes jogos de fim de campeonato, onde as emoções e os nervos afloram à epiderme dos adeptos, é fulcral. Depois da queda de uma parte do Itaquerão – o Estádio para o jogo de abertura do Mundial 2014 – agora é a vez de a violência imperar sobre o bom senso. Infelizmente, este não foi o único caso onde a barbárie prevaleceu sobre a civilização. Houve e voltará a haver outros. Mas falemos de coisas bem melhores.

Cenas lamentáveis durante o Atlético e Vasco / Fonte: foxsports.com.br
Cenas lamentáveis durante o Atlético e Vasco / Fonte: foxsports.com.br

Foi, sem dúvida, um campeonato muito competitivo. Aliás, como sempre é o Brasileirão. Nos últimos campeonatos, o vencedor só havia sido descoberto na última jornada. Este ano não foi assim. Mas houve uma tendência para baixo, isto é, para os que se quiseram salvar da descida. Também é uma luta justa e digna para estar entre os melhores.

Um dos grandes mestres da sétima arte tem vários e geniais filmes. Tem “Janela Indiscreta”, “Vertigo”, “The Secret Agent”, “Jamaica Inn” ou “The 39 steps”. Mas este fim faz recordar “A Corda”, com James Stewart no papel principal. Muitos clubes andaram com a tal corda na garganta. Alguns desfizeram o nó. Outros nem por isso. Esperemos pelo próximo campeonato, onde a incerteza é garantida, e assim nem precisaremos de ver nenhum filme do nosso querido Alfred para apreciar um bom Thriller.

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O Daniel Melo é por vezes leitor, por vezes crítico. Armado em intelectual cinéfilo com laivos artísticos. Jornalista quando quer. O desporto é mais uma das muitas escapatórias para o submundo. A sua lápide terá escrita a seguinte frase: "Aqui jaz um rapaz que tinha jeito para tudo, mas que nunca fez nada".                                                                                                                                                 O Daniel escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.