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Nem de propósito, ainda hoje ao almoço comi um “mexidão” de ovo, com salsichas e cebola. Ótimo para desenrascar. Não pensem que sou preguiçoso (só às vezes). Consigo fazer pratos bem mais elaborados. Mas as mexidas a que me refiro no título têm que ver com as chamadas chicotadas psicológicas no futebol brasileiro. Apenas seis (!) técnicos permaneceram na mesma posição desde o início do campeonato, que conta já com 19 jornadas. Portanto, exatamente metade. É um número muito grande de despedimentos, idas de um lado para o outro, enfim. Todos os condimentos para que estes ovos mexidos tenham consistência. Algo que no futebol português também não é propriamente novo, nem inverosímil.

Bom, vamos começar pelos treinadores sobreviventes. Tite, do Corinthians, que conta já com um currículo invejável e que é o técnico com mais anos seguidos de um clube no Brasileirão, atualmente. Desde 2011, Tite venceu um Brasileirão, uma Libertadores e um Mundial de Clubes. Fala-se muito dele para comandar a seleção principal do Brasil. Veremos, num futuro próximo.

Depois, vem Levir Culpi, do Atlético Mineiro. Vem fazendo um bom trabalho à frente do Galo. Esteve na liderança (no momento encontra-se na segunda posição) e tem o melhor ataque do campeonato, com 33 golos. Promete lutar pelo título. Logo a seguir, vêm Eduardo Baptista e Milton Mendes, de Sport Recife e Atlético Paranaense, respetivamente. Ambos estão a fazer um Brasileirão bastante decente, com aquilo que possuem. Depois ainda temos o caso do técnico da Chapecoense, Vinícius Eutrópio, que está a comandar a equipa do sul do país a uma prova discreta, mas eficiente. O clube encontra-se na nona posição. Na primeira metade da tabela, portanto. Por último, mas não menos importante, vem o treinador do Avaí. Este sim, caso mais singular, visto que os catarinenses – Estado de Santa Catarina – não estão a fazer uma prova tranquila: neste momento, encontram-se na décima sexta posição. A um ponto somente da linha de água. Porém, o clube confia nele e veremos se a união trará frutos no fim do Brasileirão 2015.

Os seis treinadores remanescentes(da esquerda para a direita): Levir Culpi, Tite, Eduardo Baptista, Milton Mendes, Vinicius Eutrópio e Gilson Kleina Fonte:  Infoesporte
Os seis treinadores remanescentes (da esquerda para a direita): Levir Culpi, Tite, Eduardo Baptista, Milton Mendes, Vinicius Eutrópio e Gilson Kleina
Fonte: Infoesporte

Portanto, à exceção destas equipas, todas as outras efetuaram mudanças de treinador. O Vasco da Gama e o Joinville, por exemplo, já vão no terceiro técnico. Algo que aconteceu no ano passado, por exemplo, com o Penafiel. Os dois últimos classificados da prova não conseguiram encontrar um caminho regular de êxitos e andam de mãos dadas na fuga – mais parece uma ida – à despromoção. O Flamengo, que tem feito alguns bons resultados, anunciou agora um novo técnico: o experientíssimo Osvaldo de Oliveira, que já foi campeão em clubes como Corinthians e Vasco e que teve passagens positivas por Santos, Botafogo e Palmeiras, por exemplo. O próprio bicampeão Cruzeiro também trocou o treinador mais vencedor dos últimos anos no Brasil: Marcelo de Oliveira não resistiu ao início tenebroso de campeonato da Raposa de Belo Horizonte e viu-se substituído no cargo pelo sempre polémico Vanderlei Luxemburgo. Só houve uma mexida, dentro destas, que não resultou em chicotada psicológica – foi a saída do nosso bem conhecido Argel Fucks do Figueirense diretamente para o Internacional de Porto Alegre.

Mexidas com razão, outras nem tanto, técnicos que nem chegam a fazer uma dezena de jogos. Parece mesmo de mente latina – e incluo, como sempre, não só Américas, mas também Portugal, Espanha, Itália e Grécia – a ideia dos resultados imediatos. Costuma dizer-se que quem está mal muda-se. Infelizmente é mais fácil trocar de treinador do que de cargos na direção. O que faz com que estes “mexidos” estejam muitas vezes fora do prazo de validade.

Foto de Capa: itatiaia.com.br

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