Mas o que esse relato de uma parte que considero importante da minha vida tem relação com o a morte do futebol brasileiro? Tudo.

Após a confusão e a violência que ocorreram no último clássico entre Botafogo e Flamengo, que resultou na morte de um torcedor, o juiz Guilherme Schilling, do Juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos do Rio, decidiu que os clássicos do estado do Rio de Janeiro acontecerão com torcida única, ou seja, o mandante do jogo terá direito de ter a torcida no estádio. Acredito que o juiz fez o que era a sua obrigação, porém essa medida é paliativa e ao meu ver em nada irá resolver. Essa decisão só demonstra o quanto está falida a política de segurança pública no país – que não consegue identificar e  banir dos estádios os bandidos que vão para os jogos com a intenção de brigar e matar – e o quanto parte da nossa sociedade está apodrecida.

 

Torcedores rivais, mas jamais inimigos. Um exemplo a seguir Foto: Globo Minas
Torcedores rivais, mas jamais inimigos. Um exemplo a seguir
Foto: Globo Minas

O futebol brasileiro está fadado ao fracasso. Não me refiro a seleção brasileira ou aos campeonatos, pois mais importante que ganhar uma Copa do Mundo é ver o futebol nacional organizado e a magia das torcidas nos estádios. Justamente essa magia que mencionei em meu relato as novas gerações tendem a não saber do que se trata. Torcida única em uma partida de futebol – ou de qualquer outra modalidade – significa acabar com uma das coisas mais legais que temos no futebol brasileiro, a disputa de cânticos e de espaço entre as duas torcidas. Muitos “estudiosos” do futebol alegam que isso é uma prática comum na Europa. Aí eu me faço uma pergunta: Eu quero saber da Europa? Essa questão é cultural do nosso futebol é o verdadeiro futebol raiz brasileiro. O que devíamos tirar como exemplo dos europeus são a organização das competições, a valorização que dão aos seus campeonatos, ao sistema de divisão de quotas, a política de segurança que funciona muito melhor do que a daqui, entre vários outros exemplos. Isso sim deveríamos tirar como aprendizado e não questões que não possuem sintonia alguma com o futebol brasileiro.

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Enquanto criança queria ser jogador de futebol e para o bem dos torcedores do Atlético Mineiro não foi aprovado no teste. Encontrou nas palavras a melhor maneira de se expressar sobre a sua paixão, o futebol. Amante do futebol brasileiro e do futebol alternativo, acorda facilmente às três horas da madrugada para ver um jogo do campeonato neozelandês.                                                                                                                                                 O César escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico e todos os artigos são redigidos em português do Brasil.