Micale: A aposta de risco do Galo

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Rogério Micale é o novo treinador do Atlético Mineiro. A contratação do treinador de 48 anos é bastante arriscada. Micale nunca treinou uma equipe profissional e o que mais se aproximou disso foi ter comandado a seleção olímpica que conquistou o inédito ouro nas Olímpiadas do Rio. Com certeza esse foi um grande feito conquistado, afinal vários treinadores muito mais renomados tiveram essa oportunidade e falharam. Entretanto, treinar um time profissional do tamanho do Galo é muito mais complicado.

O Atlético tem muitos jogadores consagrados em seu elenco. Victor, Fred, Robinho, Leo Silva, Elias são alguns exemplos. Também tem alguns jogadores que precisam ser acompanhados de perto para não se perderem, como o caso do bom meia equatoriano Cazares. Lidar com um elenco caro e recheado de estrelas não é fácil. Parece-me que o Rogério Micale não tem a experiência suficiente para lidar com esse elenco e simultaneamente fazer com que o Galo saia da crise. A torcida está impaciente e teme que o ano possa terminar de maneira melancólica.

Creio que o melhor para o clube era ter mantido o treinador Roger Machado. Essa busca imediata por conquistas – que não acontece só no Atlético – acaba mais prejudicando o clube do que ajudando. As diretorias demitem o treinador apenas para acalmar a torcida, mesmo não tendo convicção do trabalho do futuro treinador. É apenas o atleticano lembrar de quantos treinadores estiveram no clube após a Era Levir Culpi e o que foi conquistado.

Um ponto de vantagem para o Rogério Micale é que o treinador conhece bem o clube. Micale já realizou um grande trabalho nas categorias de base do Atlético. Também estudou e se preparou bem para dar um salto na carreira. É inegável o seu conhecimento teórico. Mas por todo “furacão” que se encontra o clube, o Galo precisava de um treinador mais experiente nesse momento. Micale poderá virar um grande treinador, mas chegou no Galo no momento e na hora errada.

Durante a sua apresentação ele ressaltou como gosta de trabalhar:

“Primeiro pretendo me adequar às características dos jogadores. Não adianta querer uma equipe de posse de bola se, de repente, a característica do meu atleta não é para isso. Eu sei que a nossa característica é essa [de time velocista]. Eu convivi aqui esse tempo todo, sei o que o nosso torcedor quer. Nós vamos tentar, na medida do possível, com o elenco que nós temos, que é muito bom por sinal, ter esse perfil. Voltar ao nosso perfil, que é ser agressivo, ter um jogo dominante dentro de casa. A nossa intenção é essa. Mas não se faz isso com dois treinos. Vamos mostrar a ideia para os jogadores, a importância de se fazer dessa forma. É a cultura do clube, as maiores conquistas do clube foram assim, e nos acostumamos a isso. O padrão é esse. Também precisamos respeitar as características de nosso elenco. Podemos querer uma coisa, mas, nesse momento, o atleta não seja apto a fazer o que pensamos. Como treinador, tenho que tentar tirar o melhor de cada jogador dentro de suas características”, disse.

Rogério Micale comandando um treino da seleção olímpica durante os Jogos do Rio Fonte: cbf.com.br
Rogério Micale comandando um treino da seleção olímpica durante os Jogos do Rio
Fonte: cbf.com.br

O contrato do treinador com o clube vai até o final do ano. Para Micale será uma boa oportunidade de mostrar que está preparado para dirigir um grande clube brasileiro, tomara que essa experiência também seja boa para o Galo. Nesse momento o Atlético precisa também de um nome forte na diretoria de futebol do clube. Desde o afastamento do brilhante e saudoso Eduardo Maluf percebe-se no Galo um enfraquecimento na sua aera de futebol. Principalmente na questão de relação com os jogadores.

O Galo ainda está vivo na Copa do Brasil e na Libertadores, caso vença uma dessas competições “salvará” o ano, pois terminará a temporada acima da sua expectativa atual. No Brasileirão a luta é para reconquistar a confiança, o bom futebol e assim terminar pelo menos no G-6. Parece pouco para um time que foi considerado favorito ao título no início da competição, mas com o desenrolar do Campeonato Brasileiro essa parece ser a atual meta a ser alcançada.

Foto de Capa: hojeemdia.com.br

César Mayrinck
César Mayrinckhttp://www.bolanarede.pt
Enquanto criança queria ser jogador de futebol e para o bem dos torcedores do Atlético Mineiro não foi aprovado no teste. Encontrou nas palavras a melhor maneira de se expressar sobre a sua paixão, o futebol. Amante do futebol brasileiro e do futebol alternativo, acorda facilmente às três horas da madrugada para ver um jogo do campeonato neozelandês.

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