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O abismo das quotas de TV dos estaduais

César Mayrinck · 3 min

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Cabeçalho Liga Brasileira

Os campeonatos estaduais começaram e ao contrário do que muitos pensam as competições podem ser até bem valorizadas financeiramente, claro se estivermos falando dos campeonatos paulista e carioca. Se considerarmos apenas as cotas de televisão desse ano, o Paulistão lidera o ranking e faturou com o contrato com a Rede Globo 160 milhões de reais. Os quatro maiores clubes paulistas (Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo) foram os clubes que ficaram com a maior fatia da divisão da cota televisiva (17 milhões de reais recebeu cada clube). Já o Cariocão também possui um contrato com o Rede Globo. A emissora investiu 120 milhões de reais para ter os direitos televisivos da competição. Os grandes cariocas (Flamengo*, Vasco, Fluminense e Botafogo) receberam 15 milhões de reais cada.

Entretanto, nem apenas de grandes cotas vivem os estaduais. Para se ter uma ideia o terceiro estadual mais valorizado do Brasil é o Campeonato Mineiro (36 milhões de reais); seguido do Campeonato Gaúcho (33,8 milhões de reais). Minas Gerais e o Rio Grande do Sul sempre foram duas grandes potências do nosso futebol, porém a desvalorização que os seus campeonatos possuem perante o do Rio e o de São Paulo é gigantesca.

Essa diferença é ainda maior quando comparamos o Campeonato Carioca e o Campeonato Paulista com o Campeonato Baiano (cito o Campeonato Baiano pois a Bahia possui dois representantes na Série A do Campeonato Brasileiro, Bahia e Vitória). O Baianão possui um contrato com a Rede Bahia (afiliada da Rede Globo) que gira em torno de 2,7 milhões de reais, sendo que a dupla Ba-Vi recebe 850 mil reais cada.

Flamengo e Corinthians são os clubes com as maiores receitas do futebol brasileiro Fonte::Globoesporte.com
Flamengo e Corinthians são os clubes com as maiores receitas do futebol brasileiro
Fonte::Globoesporte.com

Claro que sempre devemos levar em consideração a visibilidade que os times cariocas e paulistas possuem no país, devido ao gigantesco número de torcedores. Graças a esse contingente de torcedores, o Cariocão é transmitido para 15 estados da federação. Os telespectadores acabam determinando o valor em que o estadual será vendido para a emissora de televisão e em consequência disso acabam contribuindo, involuntariamente, para a desvalorização da competição do seu estado.

Agora a grande questão é como vamos tentar amenizar essa diferença brutal de receita que recebem os clubes pertencentes à mesma divisão nacional!? E estamos falando apenas das cotas de televisão para os estaduais, pois se considerarmos os patrocínios dos clubes, as cotas de televisão que cada time recebe no Brasileirão e as vendas de produtos oficiais, essa diferença chega a um patamar muito elevado.

A verdade é que os clubes paulistas e cariocas, principalmente o Corinthians e o Flamengo, tendem a dominar cada vez mais o futebol brasileiro. Se estiverem bem administrados e organizados eles passarão por cima dos demais. É necessário que essa desigualdade financeira existentes entre os clubes seja resolvida o quanto antes, para o bem do futebol brasileiro. O clube que recebe uma cota bem inferior aos demais não possui nem o direito de errar em alguma contratação, enquanto o clube que recebe uma cota “gorda” pode se dar ao luxo de contratar quatro atacantes que se ao menos um der certo já sairá ganhando. Portanto, uma distribuição mais justas das cotas de televisão já seria um bom início para equilibramos mais a competitividade do nosso futebol.

*O Flamengo ainda não assinou o contrato, pois não aceitou o percentual destinada à FERJ. Cada clube repassaria à Federação Carioca 10% do contrato geral (12 milhões de reais).

Foto de capa: CBF

César Mayrinck

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