Ao fim de 30 jornadas, o Clube de Regatas do Flamengo surge na liderança do Campeonato Brasileiro Série A, com 71 pontos conquistados (mais oito do que o segundo classificado, a Sociedade Esportiva Palmeiras). A formação carioca segue invicta há 17 encontros e, à medida que se aproxima o término da prova (faltam ser disputadas oito partidas), aumenta a probabilidade de ser o emblema rubro-negro a conquistá-la, algo que já não acontece há dez anos.

Ora, o sucesso granjeado pelo Fla é, em grande medida, resultado do trabalho desenvolvido por Jorge Jesus (e sua equipa técnica)  que, dentro de campo, se tem vindo a insurgir contra muitas das vozes críticas que se fizeram ouvir à sua chegada.

Este Jesus não faz milagres, mas ajuda…e muito!

Dos números, que falam por si, à aposta na formação:

Para se compreender o mérito de Jorge Jesus nesta campanha do Fla, é preciso estabelecer-se um paralelismo entre o período anterior e o ulterior à sua chegada. Atente-se, por isso, nalguns dados do desempenho do clube. O emblema do Rio de Janeiro possui o melhor ataque do Brasileirão, totalizando 64 golos marcados (mais 12 que o Grêmio, a segunda equipa mais concretizadora da prova) e é, por outro lado, a terceira melhor defesa, com um total de 25 golos consentidos. Ora, até à décima jornada (altura em que Jesus assumiu o comando técnico da equipa) o Mengão marcava, em média, (1,5) golos por jogo. Porém, a partir daí, o Flamengo passou a registar uma média de (2,45) golos por encontro, na Série A; também a nível defensivo se registaram melhorias, com a vinda do técnico de 65 anos. Assim, há que destacar o facto de o conjunto carioca passar a sofrer menos golos – uma média de (0,8) por partida, inferior à registada durante as primeiras nove partidas (0, 9).

Neste sentido, um dos fatores que ajuda a explicar estas melhorias prende-se com a capacidade que JJ teve de potenciar a valia individual abundante no plantel. Atente-se, por exemplo, ao caso de Arrascaeta, que é hoje um dos jogadores mais influentes no ataque do Fla: autor de 11 golos e nove assistências em 17 encontros do Brasileirão, o seu rendimento melhorou significativamente, desde que o português, natural da Amadora, comanda a equipa – totaliza 11 golos e sete assistências, em 13 jogos, sob orientação de Jesus.

Giorgian de Arrascaeta está a justificar o investimento avultado que implicou a sua contratação e é hoje uma das figuras do Flamengo
Fonte: Marcelo Cortes/CR Flamengo

Num outro prisma, e se a valorização de jovens é muitas vezes apontada como sendo o «calcanhar de Aquiles» do técnico sexagenário, o que dizer da aposta reiterada no «miúdo» Reinier Jesus (tem sido utilizado em, praticamente, todos os jogos da Série A), jovem de 17 anos de quem o português não prescindiu nesta fase da época – o médio não foi dispensado para representar a seleção brasileira de sub-17, que se encontra a disputar o Mundial. Relativamente a esta matéria, e à margem da conferência de imprensa realizada após o encontro da 24ª. jornada ante o Atlético Mineiro, Jorge Jesus asseverou estar preparado para lançar, de forma gradual, alguns talentos oriundos da formação do Fla:

“(…) Tem-se falado muito no Reinier, mas acredito que o Vinícius, a quem dei alguns minutos hoje, dentro de pouco tempo será um primeiro volante de grande categoria (…) temos acompanhado as categorias de base, desde que chegámos. O Flamengo foi campeão nacional sub-17, tem talentos importantes (…) acreditamos muito neles”.

Em jeito de conclusão, não há dúvida de que Jorge Jesus tem deixado a sua marca no Brasil. A qualidade exibicional apresentada pelo seu Fla (conjugação de um futebol intenso e bonito de se ver) tem merecido elogios por parte da crítica desportiva do País Irmão e dos torcedores (de vários clubes), mas mais que isso, tem contribuído para elevar o nome de Portugal no estrangeiro.

Foto de Capa: Clube de Regatas do Flamengo

Revisto por: Jorge Neves

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